O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Arquivo de: Outubro 2007, 05

05.10.07

GRANDES JOGOS: TORINO 2X2 RIVER PLATE

 

            

 

4 de maio de 1949.

O time do Torino, base da seleção italiana morre no desastre aéreo de Superga.

No dia 26 de maio de 1949 a maior equipe do mundo, o River Plate de Stéfano e Labruna, viaja para a Itália.

Irá disputar uma partida contra uma equipe símbolo do Torino em homenagem aos mortos.

Desde então a segunda camisa do esquadrão argentino é grená.

Em homenagem ao primeiro uniforme do Torino. 

PAIXÃO E FIDELIDADE: LUCÍDIO OLIVEIRA

 

O texto abaixo me foi enviado pelo genial escritor Lucídio José de Oliveira.

 

Dr. Lucídio é uma lenda não apenas para quem ama o Clube Náutico. É uma lenda para quem ama a boa literatura.

 

Caro Roberto:

O comentário é longo para a vida breve. Mas não tem como ser diferente. É que tenho a alegria de dizer que tive o privilégio de ter visto o River Plate de Sívori jogar e, ainda mais, no Monumental de Nuñes. E mais ainda com um gol dele na vitória do River por 3x1 contra o Huracán. Isso faz muito tempo, mais de meio século. Quero partilhar o texto com seus leitores, longo para um blog, repito, mas não dá para guardar somente comigo a recordação. Foi retirado de um capítulo de "Paixão & Fidelidade", de minha autoria, publicado em 2001:



"A viagem pelo túnel do tempo, no mundo encantado do futebol, leva-me a terras estrangeiras. Fecho os olhos e vejo-me no monumental estádio do River Plate, a "cancha del River", como dizem os argentinos. Não era a primeira vez que assistia a um jogo no Monumental del Nuñes. As imagens vão surgindo na tela da memória. Encontro-me sentado nos degraus de cimento da arquibancada majestosa.

É setembro de 1956, ainda estudante de medicina, a formatura marcada para dezembro. Ao meu lado, jovens torcedores argentinos, estudantes de curso superior, e mais três ou quatro companheiros daqui do Recife. Os colegas pernambucanos tinham acabado de participar dos Jogos Universitários em Porto Alegre, condignamente representando o nosso estado. A conversa com os argentinos vai de futebol à política. Os tempos são sombrios. A agitação de rua e as greves dominam o cenário das grandes cidades sul-americanas, o ambiente conturbado tanto lá como cá. No ano anterior, havia caído Perón; dois anos antes, Getúlio atirara no próprio peito, acabando com a vida. Na época, hoje nem tanto, o politicamente correto era falar mal dos governos, e, no caso específico de Brasil e Argentina, sentar a pua nos dois ex-presidentes. Não era outra coisa que fazíamos naquela ocasião. Pra que? Pra nada, como nos versos de Ascenso. Ou pior, para tudo terminar melancolicamente na negra e longa noite da quarta-feira de trevas da ditadura militar, tanto lá como cá. Mas isso é outra história.

Naquele instante, o que a gente está querendo é ver futebol. Nada além de futebol. No gramado, a cintilante equipe do River Plate, La Máquina dos anos 50, diante do modesto Huracán. Respondem pelo brilho do River o lendário goleiro Amadeo Carrizo, o artilheiro Menendez, o centromédio Nestor Rossi, e os atacantes Sívori, Labruna e Zárate.

Tratava-se de um jogo igual a tantos outros, de um campeonato também igual a outros tantos. Mas, para mim, havia uma sutil diferença: o campeonato era o argentino! Isso no meu imaginário de torcedor jovem, representava muito. Além da novidade, por se tratar de um jogo fora do Brasil, havia de minha parte a antiga devoção ao futebol do país vizinho, desde os célebres pegas da Copa Roca e do Sul-Americano, no meu tempo de menino.
Os argentinos desde sempre foram nossos maiores rivais. Quando brasileiros e argentinos se enfrentavam, havia muito respeito de um lado e do outro. Ainda hoje é assim. Um respeito que, para mim, terminava em admiração. Porque o futebol dos argentinos era visto pelos torcedores de minha geração como se estivéssemos diante de um espelho: Brasil e Argentina eram iguais em tudo. A mesma picardia, o mesmo talento - iguais no desfile de nomes e de histórias que eram verdadeiras lendas vivas. Hoje continua do mesmo jeito, com a diferença que naquele tempo perdíamos mais do que ganhávamos, daí a admiração. Foi antes de Pelé acabar com isso.

O jogo em si, aquele River x Huracán, era na verdade uma disputa desigual. O River bem superior, seria naquele ano mais uma vez campeão, um bicampeonato a mais na sua história. No ano seguinte, em 1957, seria tri. Mas aquele jogo ficaria marcado em minha memória por detalhes que não esqueço.

Antes do início da partida, o estádio de pé reverencia com um minuto de silêncio um ex-craque, recém-falecido. O homenageado, ainda jovem, chama-se Hermínio Masantonio, havia jogado no Huracán. Um dos artilheiros da história do futebol do Continente. Para mim, um nome familiar. Menino, ouvia falar de Masantonio, como também ouvia falar de Pedernera, de Mendez, de Labruna. Os gols que Masantonio fazia contra o Brasil, e aquele nome pouco comum impresso nos jornais, não permitiram que dele mais me esquecesse.

Outra lembrança do jogo: o River não está jogando com seu tradicional uniforme, a camisa branca com a tarja vermelha em diagonal, o calção preto. Veste uma camisa grená, a do Torino da Itália, depois soube. Uma homenagem cujas razões jamais saberia.

Por fim, o terceiro detalhe que me ficou na memória, este ligado diretamente ao jogo: metade do segundo tempo, um pênalti é sensacionalmente defendido pelo lendário Amadeo Carrizo. Era comum para Carrizo defender pênalti, quase diria um hábito, um quarto de século agarrando bolas e pênaltis em defesa do River Plate e da Seleção. Com aquele pênalti que acabava de defender, contando com meu testemunho, Carrizo estava contribuindo, como era de seu costume, para mais uma vitória do quase imbatível River Plate.

Depois do jogo, a caminhada a pé até a estação de Belgrano, onde o metrô nos leva ao centro da cidade. Os companheiros argentinos, sempre muito gentis, queriam mais conversa sobre política. Sobrava porém tempo para o futebol.

Mas não adiantava a gente querer falar do jogo que tínhamos acabado de assistir. Os argentinos só queriam falar de Tesourinha, Zizinho, Heleno, Jair e Ademir, a linha de ataque que havia deslumbrado todo o nosso continente, uma década atrás. Recitavam de cor o ataque sensação do Sul-Americano de Santiago em 45. Retribuíamos a gentileza, com Di Stefano, com Sastre, com Pedernera, com Labruna, com Rossi. Não havia campo para inveja, éramos iguais em tudo.


Nenhum de nós, brasileiros ou argentinos, podia imaginar, naquele instante, que o futuro nos reservava coisa bem mais deslumbrante. Como pensar que apenas um ano depois viria Pelé? E, duas décadas à frente, Maradona? Sem falar na meia dúzia de títulos mundiais que iriam conquistar nos anos vindouros, os dois países, o Brasil sempre na frente, até o tempo presente quatro títulos contra dois."

A CAMISA DE NOSSA ALDEIA

 

 

                                

 


POR ROBERTO VIEIRA



O jornal inglês The Times escolheu esta semana a mais bela camisa na história do futebol.



Deu a camisa do Brasil na Copa de 70.



Amarela.



Inesquecível.



Porque esquecível era a branca da Copa de 50.



Muito britânica para nosso país tropical.



Ou a azul da final na Copa de 58.



Um mero acaso crômico.



O nosso amarelo apaixonou os telespectadores de todo o mundo.



Pelo inusitado nas Tvs a cores.



Porém muito mais pela genialidade dos que vestiam o manto sagrado.



Pelé, Tostão, Rivelino, Carlos Alberto, Beethoven e Leonardo da Vinci, entre outros.



Em segundo lugar deu o branco Real Madrid.



Imaginem se eles conhecessem como nós conhecemos o branco do Santos?



E comparar Canário, Kopa, Puskas, Di Stéfano e Gento com Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe pode render uma boa conversa.



Mas é um pecado com a arte.



Em quarto a Holanda. Uma injustiça.



Camisa e futebol revolucionários. Como se Van Gogh decidisse inventar um uniforme.



E a Holanda perde o terceiro lugar para a... Itália na final de 70.



Não entendi.



Ficaram para trás a celeste olímpica, a diagonal do River Plate, o balé azul do Millionarios e a grená do genial Torino.



A camisa do Flamengo é a única de um clube brasileiro. Aparece em quadragésimo-oitavo lugar.



Tudo muito bom, tudo muito bem.



Porém quem ama só enxerga o seu amor.



Em cada torcedor a camisa mais bela é aquela do seu clube.



Pode ser velha. Desbotada.



Rasgada.



Porque como resumiria Fernando Pessoa, que não curtia futebol, mas ainda assim batia um bolão:



‘Nenhuma camisa é tão bela quanto a camisa do time de nossa aldeia’



04.10.07

VETERANOS 4X0 JUVENTUDE

 

                  

 

O atual futebol brasileiro é feito de suor.



Se alguém calcular quem corre mais durante uma partida, quem faz mais faltas, quem deseja a vitória com mais garra, este é o vencedor.



Com a exceção do São Paulo.



Nem tão exceção assim, como demonstrou o Flamengo.



Mas se você tem essa vontade e também possui um Acosta, um Geraldo, então tudo fica mais fácil.



Ou menos difícil.



Tempos atrás o América de Recife era o segundo time de todo pernambucano.



Ontem o meu segundo time foi outro América. O de Natal.



Menos mal que ele também é vermelho e branco.



Inter e Figueirense ficaram no empate.



E o Timbu repousa dois pontos na frente do pelotão de fuzilament... digo rebaixamento.



Eu tenho certeza que temos suor e garra.



E se você tem essa vontade e também possui um Acosta, um Geraldo, então talvez tudo fique mais fácil.



Ou menos difícil.



Para finalizar um detalhe.



No passado o Náutico era conhecido como time dos 'veteranos'.



No sábado voltaremos a ser veteranos, terceira idade, velhinhos.



Abaixo a juventude!



Vamos botar as crianças de castigo!