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Respeito a opinião de Frei Aluísio exposta no Jornal do Commercio do dia 7 de outubro.
Mas não posso me furtar a tecer um comentário sobre a afirmação de que Che Guevara era um homem santo.
E não é que eu queira ensinar o ofício ao vigário.
Como líder guerrilheiro não há discussão. Che Guevara cumpriu a missão a qual se propôs como inúmeros outros. Tomou o poder.
Porém como afirmar ser santo um homem cujo terço era a pistola, cujo altar era o paredão e cujo verbo era o fuzilamento?
Apenas pelos seus objetivos? Pela sua morte?
Nos tempos de Cristo numerosos judeus também desejavam consertar o mundo pelo fio da espada. Eram chamados zelotes.
Jesus poderia ter sido um zelote.
Mas preferiu o amor.
E ao que me consta perdoou a torto e a direito seus inimigos antes de morrer na cruz.
Portanto, caro Frei Aluísio, para quem ama Cristo, os fins não justificam os meios.
Dai a Che o que é de Che; Dai a Cristo o que é de Cristo.

PRIMEIRA IMAGEM DOS REBELDES VITORIOSOS

criado por Roberto Vieira
19:43:38
DIDI, O PRÍNCIPE ETÍOPE
16 de junho de 1950.
Um Príncipe estufa as redes do Maracanã pela primeira vez.
Seu nome: Didi.
21 de abril de 1957.
Maracanã.
0x0. Falta contra o Peru.
Didi olha para Roberto e Joel e sorri.
Didi bate. A bola vai pra fora.
O goleiro Asca vai pedir a bola ao gandula quando ouve um grito de gol.
Mas onde?
Quando olha para trás a bola descansa nas redes.
E foi só.
24 de junho de 1958. A decisão antecipada da Copa da Suécia.
Vavá abriu o escore. Fontaine diminuiu.
De repente quase do meio campo o melhor jogador da Copa atira.
No ângulo: 2x1.
14 de julho de 1970.
México.
Sentado no banco de reservas. Solitário. Técnico.
Didi observa aquelas camisas amarelas correndo no gramado verde.
4x2.
Didi fecha os olhos e lembra do passado.
E dá graças a Deus.
O Peru tinha Cubillas, mas não tinha um Didi.
Mesmo assim é recebido no Peru destruído por um terremoto como herói nacional.
Qualquer jogador do futebol mundial ficaria satisfeito com apenas um desses momentos.
Valdir Pereira que hoje completaria 79 anos foi o autor de cada um deles.
E de muito mais.
Didi que nuca precisou treinar pois nasceu sabendo.
Que treino é treino; Jogo é jogo!

criado por Roberto Vieira
19:14:55

SEPP HERBERGER
Falar sobre técnico de futebol é difícil.
É uma profissão que depende de competência e sorte.
Alguns dirão que o talento supera a sorte.
Eu diria que sim e não.
A longo prazo todo talento sobressai.
Mas o 'x' da questão é que na profissão de técnico os resultados são esperados ontem...
Entretanto Roberto Fernandes já foi um alvirrubro de arquibancada como eu.
E para os alvirrubros abre-se uma exceção. Sempre.
Sábado Roberto Fernandes foi calculista como uma velha raposa do futebol.
Uma raposa chamada Sepp Herberger.
Aos dois eu dedico esta crônica.
PODEM ME CHAMAR ROBERTO HERBERGER!
POR ROBERTO VIEIRA
1936. O treinador Otto Nerz que dirigiu a seleção alemã durante 13 anos é substituído por Sepp Herberger.
O pecado de Otto foi perder para a Noruega na abertura dos Jogos Olímpicos de Berlim.
100 mil alemães ficaram enfurecidos no estádio.
Segundo Goebbels, uma péssima propaganda.
O primeiro jogo do novo técnico foi contra a Polônia em Varsóvia: 1x1.
Classificando-se facilmente para a Copa de 38, o time alemão foi reforçado pela nata do futebol austríaco após o Anschluss.
Mas a pequena Suiça eliminou a Alemanha na abertura da Copa de 38.
Enquanto isso a Hungria chegava até a final sendo derrotada pela Itália.
E a Hungria continuou engasgada na garganta de Sepp. Um ano depois num amistosos em Budapeste, a Alemanha foi goleada impiedosamente: 5x1.
Na revanche em Berlim um ano depois: 2x2.
Demorou outro ano para Herberger voltar a sorrir. Na cidade de Colônia os alemães golearam os húngaros por 7x1.
Em 1942 nova goleada: 5x3.
E veio o silêncio. Durante 8 anos a seleção alemã parou de jogar a sério.
Após seu último jogo em 22 de novembro de 1942, Sepp Herberger só voltou a dirigir a Alemanha oficialmente no dia 22 de novembro de 1950.
Recrutando veteranos em todo o mundo, Helmut Rahn por exemplo foi resgatado no Uruguai prestes a assinar contrato com o Nacional, Sepp Herberger monta um time.
Completamente desacreditado.
A seleção de um país derrotado. Em ruínas.
Por nunca ter colaborado com o Partido Nazista sua permanência como técnico é permitida.
Ele classifica a equipe para a Copa do Mundo. Mas por um destes mistérios insondáveis cai no grupo da maior sensação do futebol mundial.
A Hungria de Puskas e Kocsis. Simplesmente o melhor time até aquele momento na história do futebol.
Menos mal que completavam o grupo a Coréia e a Turquia.
Herberger faz os cálculos.
Se for segundo no grupo ele foge da companhia de Uruguai e Brasil.
E manda o time reserva enfrentar a Hungria. Os reservas são goleados por 8x3.
Os alemães baixam a cabeça.
Mas Herberger insistia com o grupo.
'Rapazes, esse não é o jogo!'
E comandados pelo ex-paraquedista Fritz Walter os soldados sem pátria parecem acreditar em cada palavra do velho comandante.
A Alemanha se classifica vencendo a Turquia por 7x2.
E pega a Iuguslávia que dera um calor no Brasil em 1950.
Contra todos os prognósticos Genebra assiste os alemães vencerem por 2x0.
O jogador Kohlmeyer salvou três bolas na linha de gol.
E com 10' eles fizeram um gol, Morlock.
No fim da partida Rahn marca o segundo.
Eles vão enfrentar a Áustria. A Áustria bota pra jogar Walter Zeman, um goleiro famoso mas fora de forma. É arrasada pela divisão Panzer: 6x1.
E a Alemanha está na final. Contra a Hungria.
E se é verdade que a Hungria está invicta por mais de 30 jogos também é verdade que a Alemanha não perde da Hungria há séculos.
Todo mundo conhece o fim da história. 3x2. O último gol de... Helmut Rahn!
A final foi o JOGO!
Possa o Náutico surpreender o Cruzeiro no Mineirão.
Tem time pra isso.
Mas não posso deixar de concordar com Roberto Fernandes quando ele faz os cálculos, olha a tabela e diz:
'Turma, esse não é o jogo!'

criado por Roberto Vieira
16:48:02
STEWART E CEVERT, 1973
1973.
Jackie Stewart saiu do carro e começou a chorar. Cevert estava morto.
‘Money first!’
Fittipaldi brigara com todo mundo para que mudassem o guard rail. Ninguém lhe escutara.
Fittipaldi olhou para Stewart. Pace em lágrimas se abraçava com Wilsinho.
Stewart lembrou sete anos antes em Spa-Francorchamps. A sua BMW girou e caiu numa vala comum, como Mozart.
Hill e Bondurant arriscaram a vida ao lhe tirar do carro prestes a se incendiar.
Mas Cevert não teve uma segunda chance.
Antes dos treinos eles riam com a Tyrrel.
Como pai e filho eles dirigiam pelos circuitos. Siameses.
Dobradinha da Tyrrel.
Pole da Tyrrel.
Volta mais rápida da Tyrrel.
Antes dos treinos Stewart havia jantado com Cevert e Peterson.
Restou o velho Jackie.
Stewart acompanhava pelo retrovisor o francês seguindo suas curvas, acelerando nas retas, subindo no pódio.
Jackie poderia retornar para a sua Escócia em paz. Batera Fangio. Batera Clark. Vinte e sete vitórias em noventa e nove grandes prêmios.
No centésimo ele ergueria a taça nas mãos de Cevert. O seu herdeiro.
Watkins Glenn. Morte.
Quem lembra Cevert e Ronnie Peterson?
Poucos.
Hoje são tempos de Mata Hari.
Dobradinha da Mata Hari.
Pole da Mata Hari.
Volta mais rápida da Mata Hari.
Mata Hari desclassificada do Mundial de Construtores.
Silêncio dos pilotos da Mata Hari.
Os primeiros campeões da história do automobilismo chapa branca. Sem lágrimas.
Siameses.
‘Money first!’

criado por Roberto Vieira
14:10:12

No dia 5 de janeiro os jornais mostram a foto dos filhos de Fulgêncio Batista que fugiram para os EUA: Roberto e Carlos.
Em Havana aguarda-se Fidel Castro.
O Frei José Guadalupe informa aos jornalistas que Fidel é um bom católico e tem total apoio do clero.
Nada ainda sobre Che...

criado por Roberto Vieira
10:22:01