O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Arquivo de: Outubro 2007, 09

09.10.07

O BALÉ AZUL E O METRÔNOMO TRICOLOR

 

                   

                       DI STÉFANO & PEDERNERA



O Balé Azul irá enfrentar o metrônomo tricolor no Morumbi.

Tic-tac-tic-tac. 4/4.

Pena que não foi há 50 anos atrás.

Pois era uma vez no futebol uma terra livre.

Não havia escravos. Não havia empresários.

Apenas senhores jogadores de bola.

O chicote do passe repousava no passado. Na FIFA.

E os jogadores fugiam em busca do paraíso perdido nos contratos de gaveta.

Fugiam da Argentina. Fugiam do Uruguai. Fugiam do WM.

Tal realismo fantástico só poderia ocorrer na terra de Gabriel Garcia Marquez.

Colômbia!

A Liga Pirata de Macondo.

E entre copos e copos de vinho. Entre os namoros que terminavam em banhos de sangue.

Entre os anos de 1948 e 1954 brilhou o Balé Azul.

Como um poema de Carlos Penna Filho.

O Millionarios de Bogotá de Carrizo, Rossi e Di Stéfano.

De Reyes, Baez e Pedernera.

Mas era liberdade demais.

Se um dono do mundo quisesse ver futebol tinha de cruzar florestas, montanhas, malárias.

E sentar como um reles mortal nas arquibancadas do El Campin.

Logo mandaram o velho Jules Rimet cumprir o seu papel de mestre-escola.

Jules Rimet trouxe os piratas de volta ao Encouraçado Potemkin.

Aos uniformes pretos no branco dos velhos contratos profissionais.

Hoje o time azul é igual a todos os outros times verdes e vermelhos.

Incolores e arrítmicos.

Reféns indefesos dos modernos metrônomos tricolores.


SEMANA NÁUTICO X CRUZEIRO: OS FAVORITOS?

 

                              

 

1967.

Após eliminar o Atlético-MG o Náutico chega nas semifinais da Taça Brasil.

Seu adversário será o Cruzeiro.

O campeão brasileiro de 1966.

O time que vencera o poderoso Santos de Pelé nas finais por 6x2 e 3x2.

O Rei Pelé queria ser Hexa.

O Cruzeiro não deixou.

O time de um garoto chamado Tostão.

Mas também o time de Raul, Dirceu Lopes e Piazza.

 

Em Pernambuco pouca gente fazia fé no Timbu... 

SEMANA CHE: OS ÓCULOS DE FIDEL

 

         

 

A primeira foto de Fidel Castro nos jornais após a vitória.

Óculos.

Mão no revólver.

A esperança de todas as veias abertas da América Latina.

 

O BAHIA DE TODOS OS SANTOS

 

          

 


1960. Maracanã.

Pela primeira vez um time do Nordeste atua no maior do mundo.

E o faz em grande estilo.

Com Todos os Santos e a Mãe Menininha.

O Bahia de Todos os Santos bate o Santos por 3x1.

É o primeiro campeão da Taça Brasil.

O que poderia um Santo contra todos?

No último domingo o Bahia entrou novamente em campo.

E venceu o Fast por 1x0.

Com um gol aos 50 minutos do segundo tempo.

Cercado de mistérios por todos os terreiros.

Mas não houve canto nas igrejas de Salvador.

Não houve festa.

Embora não faltassem velas acesas.

Porque o Bahia de hoje não é o Bahia de Todos os Santos.

Não é o Bahia de Bobô e Alencar.

Os santos ainda protegem o Bahia.

Mas os 8 mil torcedores que sofreram na Fonte Nova nesse domingo sabem.

Este não é o Bahia de Todos os Santos.

08.10.07

CAVERN CLUB: IMAGINE

 

   

 

Há 36 anos foi gravada 'Imagine'.

Embora toque muito no Natal, 'Imagine' fala do fim das religiões.

Não existe céu.

Não existe inferno.

Quando eu era pequeno havia céu, inferno e ainda tinha o purgatório.

Imagine alguém cantar que nada disso existia.

Em 1971 Lennon lutava para ser aceito nos EUA.

Para viver em Nova York.

Seu sonho e, finalmente, sua tragédia.

O probo Richard Nixon não queria permitir.

Lennon entoava que não deveriam haver fronteiras, nem países.

E eram tempos de fronteiras e países.

Quando alguém me pergunta sobre os Beatles e o mundo atual, eu geralmente digo que eles são incompatíveis.

O mundo hoje tem inferno para muitos.

Céu para alguns.

E Purgatório.

Para quem vive da imaginação.