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BITA E PELÉ
1966.
O Rei e o súdito.
Náutico e Santos disputam três partidas eletrizantes.
15 gols em três jogos.
O Santos vence em Recife: 2x0.
O Náutico revida no Pacembu: 5x3.
O Santos liquida a fatura: 4x1.
Um gol do Rei.
Sete gols de Toninho Guerreiro.
E cinco gols de Bita. O Homem do Rifle.
Na Copa de 66 o Brasil foi desclassificado na primeira fase.
Talvez por fatalidade.
Mas não convocar Bita e Toninho foi um absurdo.
Eles cansaram de fazer gols naquele ano.
Na foto o Rei e o súdito:
Pelé e Bita!

criado por Roberto Vieira
19:21:07

O destino foi mágico.
Mas depois foi cruel, como todo destino.
Porque destino não é eterno.
É apenas, destino.
Em 1969 e 70 Pelé e Tostão formaram a mais diabólica dupla da história.
Como Holmes e Watson.
Lennon e McCartney.
Como café com leite.
Não precisavam trocar palavras.
Não precisavam trocar idéias.
Não precisavam de nada, senão do olhar.
E foram gols e mais gols.
Quis o destino, como sempre, que Pelé e Tostão fosse um sonho.
Rápido e veloz. Como rápidos e velozes eles eram.
Como eu disse antes.
Eles não precisavam falar.
Talvez porque, os mineiros sempre trabalham em silêncio...

criado por Roberto Vieira
19:07:08

A bola sempre procurou Pelé.
Ela era bola e era sombra.
Como se fossem um só.
Amante e Senhor.
Na despedida no Maracanã contra a Iuguslávia, a bola ficou sombra.
Ficou sempre.
Ficou triste.
Como os 138.575 pagantes...

criado por Roberto Vieira
15:39:16

O último gol pela seleção.
A última pirâmide verde amarela.
Brasil 1 x 0 Áustria.
11 de julho de 1971. Morumbi.

criado por Roberto Vieira
15:28:17
PELÉ É EXPULSO CONTRA A SELEÇÃO PERNAMBUCANA,1959
23 de outubro. Os jornais se derramarão em versos ao gênio de Pelé.
E esquecerão o menino Edson.
Porque 23 de outubro não é o nascimento de Pelé.
23 de outubro é o dia de nascimento do menino Edson. Filho de João e Maria.
O Edson engraxate, como tantos outros Edsons deste país.
O Edson correndo atrás de uma bola pelos campinhos de pelada desse país.
O Edson que teve a sorte de ter um pai e uma mãe amorosos, ao contrário de tantos Edsons deste país.
Quando Edson nasceu, no distante ano de 1940, o Brasil engatinhava no futebol.
Jogamos sete partidas naquele ano. Ganhamos uma.
O Brasil vivia no escuro. Tinha medo de Bicho-Papão, que se chamava Argentina.
Tinha medo de Papa-Figo, que se chamava Uruguai.
Já o Edson não tinha medo de nada. Pois como JK, outro mineiro ilustre, Deus o poupou do sentimento do medo.
Aos 12 anos Edson deslumbrava os sábios do Templo, mas Dona Maria Celeste tinha medo.
O futebol era traiçoeiro.
Dos milhares de Edsons que amaram uma bola nesse país, a grande maioria era analfabeta e morria antes de chegar na idade adulta.
Morria de febre, vômito, diarréia e ignorância.
E morria gritando 'Gol'.
Mas Deus é brasileiro. E nosso Edson vive até hoje. Porém só o chamam de Pelé.
Pelé, como todo gênio que se preza, nasceu mil vezes.
A primeira vez no dia 7 de setembro de 1956 quando estreou no Santos.
A outra em 7 de julho de 1957 quando estreou na Seleção Brasileira.
Mas 23 de outubro não é dia de falar de Pelé.
Porque no dia 23 de outubro nasceu o Edson.
E temos de cuidar dos muitos Edsons que sonham em ser reis.
Porém, que na maioria das vezes, acordam abandonados em seu próprio sonho.
Gritando 'Gol'.

criado por Roberto Vieira
00:16:08