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| 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 |
| 29 | 30 | 31 |

O jogo estava 3x1 para o Grêmio.
Alguém gritou: 'Tá perdido!'
Alguém lembrou: 'Temos Acosta!'
Um minuto depois Acosta entrou como um foguete e diminuiu.
Tornando-se um dos artilheiros do campeonato.
No segundo tempo ele deixou Júlio César na cara do gol.
Empate.
Minutos depois Geraldo deixou Acosta livre para desempatar.
Mas o bandeirinha achou que era muita audácia.
Marcou impedimento.
Lembrem!
Quando alguém gritar: 'Tá perdido!'
Lembrem: 'Temos Beto Gol Acosta!'

criado por Roberto Vieira
19:19:17

Poderia estar triste.
Poderia.
Poderia estar de mau humor.
Dificilmente.
O que desejamos num time é garra.
É vontade.
É paixão.
E tudo isso o Náutico possui.
Existe o momento de vencer.
Existe o momento de perder.
É da vida.
Quarta-feira nós damos o troco na Baleia.

criado por Roberto Vieira
18:56:35

Timbu prefere cachaça.
De preferência, com guaiamum bem sevado na beira da praia.
Serve Boa Viagem, Porto de Galinhas ou Itamaracá.
Coisa que gaúcho de bom gosto também gosta.
Mas hoje, o Timbu vai variar o cardápio.
Vai de chimarrão e churrasco nos pampas.
Não é a mesma coisa.
Timbu sabe isso de cor.
Mas, ganhar pode ser bom.
Ganhar do Grêmio, é melhor.
N-Á-U-T-I-C-O !

criado por Roberto Vieira
12:09:06
GARRINCHA EM NÚMEROS
Por Adethson Leite, Blog dos Números.
Garrincha é um daqueles jogadores que fizeram história. Deixou saudades.
Nasceu em 1933, 28 de outubro. Hoje completaria 74 anos de genialidade.
Alguns números de Garrincha são confusos.
Seu pai trocou o 28 pelo 18 (dia do nascimento).
O nome, de início, apenas Manoel, sem sobrenome. Sua irmão Rosa lhe deu o Garrincha.
Foram justamente as 9 novas letras, a forma como o mundo conheceu o Mané
Nome de pássaro bobo, que canta bonito, mas vive livre
Livre como o futebol mágico das pernas tortas.
4 foram os clubes no Brasil: Botafogo, Corinthians, Flamengo e Olaria
Sorte do Botafogo, 609 vezes Garrincha. 252 gols.
Privilégio do Olaria e Corinthians, 10 jogos em cada. No total, outros 3 gols.
Para o Flamengo, outras 15 partidas e 4 gols.
Aliás, Botafogo e Flamengo até jogaram juntos por ele, em 1957. Marcou sim, 1 gol.
Campeão Carioca, 3 vezes (57, 61 e 62).
Rio-São Paulo, 2 (63 e 64).
Arriscou também a Colômbia, 1 só jogo (Clube Atlético Júnior, Barranquilla).
No total dos clubes por onde passou, desfilou 714 vezes. Marcou 283 gols.
Na Seleção, vestiu a camisa 60 vezes, 17 jogos.
11 anos iluminando o Brasil em suas cores.
2 Copas do Mundo com a taça na mão.
Outros títulos, torneios, outros tantos números
Nenhum capaz de traduzir Garrincha tão bem quanto as suas imagens
Imagens que transformaram o Manoel, no nosso inesquecível Mané.
Mané Garrincha.

criado por Roberto Vieira
11:18:53

O EVANGELHO SEGUNDO O JOÃO
POR ROBERTO VIEIRA
Não. Não fiquei triste com a morte dele. Pra que mentir? Não pude me vingar. Eu preferia que ele nem tivesse existido. Pouparia muitos do desemprego, da vergonha. Você não imagina o que é rirem de você. Milhares de pessoas rindo de você, como se você fosse um palhaço de circo mambembe. Até mesmo seus amigos, seus filhos, rindo.
Eu sempre joguei sério. Na bola. Sempre fui respeitado. Quando era pequeno rezava todas as noites para ser um craque. Um jogador de futebol. Eu acreditava nas minhas orações. Obedecia meus pais. Pedia a benção. Vim jogar no Rio. Virei capa de revista. Comecei a sonhar com a seleção. Foi aí que meu mundo virou de pernas pro ar.
Eu o conhecia das peneiras. Um aleijado. Dava pena. Chegava calado e saía mudo. Quando os técnicos viam aquelas pernas eles o mandavam embora. Mas ele sempre voltava.
Foi então que um dia eu soube que ele enfeitiçou o Nilton. Logo o Nilton, meu ídolo! E foi escalado pra jogar no Botafogo. E começou a fazer gols.
Imaginei que devia ser piedade divina e fiquei na minha. Um dia nosso destino iria se cruzar. E seria seu fim.
Coronel e Jordan tinham conversado comigo:
'Cuidado!'
Eu fiquei rindo. Ele também tinha enfeitiçado os dois. Prometi a mim mesmo que eu ia acabar com aquela palhaçada.
Chegou o dia. Domingo. Maracanã lotado.
Batem o centro. Vem a primeira bola e eu me antecipo. Sério. Na bola. Toco para o ataque e volto correndo para minha posição. Sem pena. Pois o que Coronel e Jordan sentiam era pena. Eu ia mostrar ao mundo a farsa das pernas tortas.
A segunda bola escapou de suas chuteiras.
O primeiro tempo se encaminhava para o fim quando ele domina a pelota. Eu entro no meio do joelho dele. Sem pena. Pra quebrar. Ele cai. Olha o joelho. Levanta.
Alguém na geral grita:
'Quebra ele!'
Ele sorri. Para a geral e para mim. Como um passarinho no alçapão. Aquilo me desconcertou. A pancada que eu dei poderia derrubar uma parede. Mas ele levantou sorrindo pra mim.
O Maracanã lotado.
E a bola chegou até ele um segundo antes de mim. E ele partiu na direção do gol. Eu atrás. Ele parou, súbito. Eu passei, lotado. Voltei e dei um carrinho. Ele escapou pela direita. Eu levantei e ele driblou pela esquerda. Beijei o chão. Ele cruzou na cabeça de Paulo Valentim. Gol.
Perdi a conta das vezes em que fui driblado. Não vi mais a cor da bola. O Botafogo venceu por 6x2. Alegria do povo.
Porém, um lance ficou gravado em minha memória. Sem dribles. Pisei num buraco. Chorei de dor. Ele partia em direção ao gol. Seria o sétimo gol. A torcida já gritava '7, 7, 7'... As mesmas pessoas que gritavam 'quebra, quebra, quebra'.
Inexplicavelmente ele parou e tocou a bola para fora. Tocou a bola para fora pra que eu fosse atendido.
Fratura. Aleijado. Ele me ajudou a sair de campo.
Nunca mais nos vimos.
Eu vim trabalhar nessa fábrica. As capas de revista eu guardo lá em casa.
Com o tempo ele virou gênio. Tão aleijado quanto eu. Cheio de mulheres. De fama.
De vez em quando vem um jornalista como você me entrevistar.
Quer saber a verdade. A verdade?
A verdade é que não. Não fiquei triste com a morte dele. Pra que mentir? Não pude me vingar.
Eu preferia que ele nem tivesse existido.

criado por Roberto Vieira
09:16:06