O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Arquivo de: Novembro 2007, 01

01.11.07

NÁUTICO 3 X 1 FLUMINENSE: CHICO EXPLOSÃO

 

     CHICO EXPLOSÃO              

 

 

Em 1975 ocorreu uma pequena revolução no futebol brasileiro.

O Fluminense, clube aristocrático, que desde a década de 30 se acostumara a ser campeão com times modestos e contas em dia viu chegar ao poder Francisco Horta.

E Horta convenceu os tricolores a montar um supertime. Eles compraram Rivelino ao Corinthians e com mais um punhado de craques imitaram o esquadrão do River Plate na década de 40/50. Estava criada 'A MÁQUINA'.



Foram campeões cariocas de 75 e terceiro lugar no Brasileiro 75 barrados em suas pretensões pelo Inter de Falcão. Novamente campeões cariocas em 76, desta vez caminhavam quase imbatíveis no Campeonato Brasileiro.



Porém no dia 17 de novembro de 1976 em Recife uma explosão aguardava os bicampeões cariocas.



Numa pequena manchete dos jornais do dia 15 de novembro o técnico do Náutico, Valdemar Carabina, antigo jogador do Palmeiras, anunciava a contusão de Sidclei que seria substituído por Geraílton. No comando do ataque o atacante Mario teria que dar lugar a um ex-juvenil que voltara recentemente de um empréstimo ao Botafogo da Paraíba. Em João Pessoa ele ganhara um estranho apelido: Chico Explosão. Não pelo gênio explosivo, era até muito desligado. Mas pela facilidade em fazer gols. Sua história, façanha e brevidade, guardam muitas semelhanças com a de outro centroavante dos anos 70: Fio Maravilha.



Noite. Estádio do Arruda. 7.843 pagantes. Juiz Dulcídio Vanderlei Boschila.



O Náutico atuou com Luís Fernando; Borges, Beliato, Geraílton e Clésio; Ednaldo, Toninho e Zé Maria; Dedeu, Chico e Marquinhos. O ponto alto da equipe eram os dois pontas, como já não se via muito no futebol brasileiro.



O Fluminense escalou Renato; Carlos Alberto Torres, Miguel, Edinho e Rodrigues Neto; Pintinho, Paulo Cesar e Rivelino; Gil, Luís Alberto e Dirceu. Dez jogadores vestiam a camisa da seleção brasileira. Só faltou Doval, ex-seleção argentina. Mesmo assim Luís Alberto era o centroavante da seleção brasileira juvenil.



Aos 18’ Rivelino bate uma falta e solta a sua patada atômica famosa em duas copas do mundo. 0x1. As emissoras de rádio falavam em possibilidade de goleada. Os próximos 30 minutos tornariam Chico em um personagem famoso em todo o Brasil.

O Fluminense é engolido pelo meio-campo do Náutico. Clésio cola em Gil que não consegue espaço para receber os lançamentos de Rivelino. Beliato faz a melhor partida de sua carreira, e olha que ele só jogava o fino. Dedeu entorta Rodrigues Neto e cruza, a bola passa como um foguete pela pequena área. Quando vai sair para escanteio o pé de Marquinhos a detém. São 26’, Marquinhos tem diante de si o capitão do tri, Carlos Alberto. No momento seguinte ele já está livre, Carlos Alberto é fintado sem respeito algum, o ponta alvirrubro levanta a cabeça e vê aquele menino lançado em 1973 por João Avelino correndo. Não pensa duas vezes e cruza. A bola vai passando por Chico, mas de repente ele chegou como um felino dando uma meia bicicleta contra a meta tricolor. Silêncio no país. A bola estufa as redes. Edinho olha para Miguel: 1x1. Foi um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa.

37’ Zé Maria dribla Miguel e lança Chico na entrada da área. Do jeito que vem ele chuta com muito amor, com emoção em gol. As rádios de todo país anunciam a virada do Timbu. E a virada tem nome: Chico 2x1.

Aos 45’ Chico recebe a bola. Edinho avança sobre ele e é driblado, volta na marcação e é driblado pela segunda vez, Miguel vem na cobertura e não vê a cor da bola. Na saída de Renato, Chico toca a bola que vai mansamente para as redes do Fluminense. Só não entrou com bola e tudo porque teve humildade. 3x1!



Quem é ele? Perguntam os jornalistas cariocas.

Uma voz responde: ‘Chico Explosão!’ E a galera agradecida se encantava.



O segundo tempo é do Náutico e do goleiro Renato que opera milagres. Somente aos 36’ Rivelino consegue espaço e chuta na trave. Logo depois Dedeu cobra um escanteio e Chico bate de primeira num sem-pulo que tira lasca da trave.



O Fluminense acusa o golpe e mesmo se classificando para as semifinais não consegue vencer a invasão corintiana no Maracanã.



O menino ganha fama, o apelido Explosão toma conta da cidade e do país. O jogo ganha manchetes em todo Brasil. O técnico Mario Travaglini do Fluminense chega a falar em seleção brasileira. No entanto, como tantas e tantas pratas da casa deste rico futebol nacional, Chico Explosão ficou apenas na lembrança. Pois Chico era pouco, os estádios queriam a maravilha, a explosão.



E se hoje, outros craques repetem as suas jogadas, na memória alvirrubra ainda na rede balança o seu último gol...



 

ADETHSON E OS NÚMEROS

 

            ADETHSON LEITE , BLOG DOS NÚMEROS

 

Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre o homem por detrás dos números.


Adethson Leite, o homem dos números, começou a escrever sobre futebol em 2005, ainda em comunidades de relacionamento (Orkut).Em 2006, convidado a fazer parte da equipe do site Timbunet.Em 2007, 18 de Janeiro, iniciou o Blog dos Números. Em Maio de 2007, foi convidado a participar das trasmissões dos jogos do C. Brasileiro, Rádio Jornal. Em Agosto, convidado para participar do programa Bate-Bola, com Kaline Bradley, nas Segundas-Feiras.


Como se achasse pouco ele é Graduado em Administração de Empresas (UFPE), Especialista em Liderança Empresarial (JCR Calado), Pós-Graduado em Logísitca (FAFIRE) e Pós-Graduado em Comércio Exterior (UFPE).


Nas horas vagas no final do século passado, Adethson foi semifinalista Brasileiro em Jogos de Empresa - SMD Ceden (1999 - 2ª lugar) e semifinalista Brasileiro em Jogos de Empresa - SMD Ceden (2000 - 6ª lugar).


Aos 32 anos, ele traça novos rumos na maneira como enxergamos futebol em Pernambuco.

A TAÇA

 

Por Roberto Vieira

 

   

 

Em algum lugar do Velho Mundo...



- Você viu o troféu do Brasileirão?

- Sim, Senhor.

- Quanto vale?

- Não sei, Senhor. Mas posso averiguar.

- Quem sabe o nosso amigo não se disponha a comprá-lo, Samuel?

- Mas Senhor, ele já tem tudo o que deseja.

É verdade. Ele tem a Taça. O que pode alguém desejar quando já possui a Taça?

- Mesmo assim pergunte. Pessoas como ele sempre desejam algo mais.

O secretario deixa a sala imensa. O velho solitário observa na distância o trabalho de uma vida. Centenas de pequenos troféus, lembranças de grandes jogos, pedaços de memória que os clubes deixaram ao relento ou que foram subtraídas durante a noite.

Ali um troféu do Flamengo. Junto o troféu do Centenário.

Seu tesouro.

Quantos gols, quantas lágrimas derramadas por aquelas taças, por aquelas medalhas?

Era um homem rico. Ganhara rios de dinheiro com a paixão dos outros. Paixão enlouquecida que fazia uma medalha do Uruguai, campeão de 1930, valer o equivalente no mercado negro a um carro importado. Descobriu na juventude que aqueles pedaços de metal eram ouro puro.

Então ele visitava os clubes e subtraía as glórias recobertas de ferrugem.

E as revendia novas.

Ou comprava por ninharia de velhos craques na miséria.

Mas quem era ele para discordar da paixão dos colecionadores, se ele mesmo havia se tornado um apaixonado?

Com o tempo, ele vendia metade e a outra metade ia guardando pra si.

Abriu o cofre secreto. Lá estava ela, a verdadeira, a única. Ele acariciou a figura alada. O ouro. Quase podia ouvir Abel e Jules conversando. Aquela era a Taça! Mas ninguém sabia, ninguém podia saber. Sua vida não valeria um centavo se alguém sequer desconfiasse da falsificação.

Quando soube que os brasileiros guardavam seus tesouros indefesos, os olhos brilharam de cobiça. Ele a teria só pra si.

Mas o Monsenhor decidira pagar um preço exorbitante. Milhões de dólares depositados em um paraíso fiscal.

- Roube e invente que derreteram. Uma mentira repetida mil vezes vira verdade.

Foi quando ele decidiu que a vida deve ser vivida com algum risco.

E mandou falsificar o tesouro.

Claro que depois também se livrou das provas. No caso, livrou-se do artista que fizera a falsificação impecável. Tão impecável que colocadas lado a lado, ninguém sabia quem era quem. Só ele.

Enquanto trancava o cofre secreto, ele imaginava se o Monsenhor não gostaria de também comprar aquela estranha taça de bolinhas.

Não agora, pois agora todos querem tocá-la, beijá-la, guardá-la.

Mas amanhã. Quando todos os troféus são esquecidos nas galerias.

Reféns do tempo e dos monsenhores.

COPA DE 50 EM PERNAMBUCO

 

                

                     CHILE ENTRA EM CAMPO NO RECIFE

 

 

1950.

 

O Recife iria receber 4 jogos. Depois passou pra 3. Então 2.

 

Restou EUA e Chile.

 

Também seria construído um grande Estádio Municipal.

 

Nada feito!

 

O jogo entre americanos e chilenos foi na Ilha do Retiro.

 

5x2 para os chilenos.

 

A torcida gritava entusiasmada:

 

'Go home, yankees!'

 

1949: NÁUTICO 11 X O FLAMENGO

 

                     

 

                                

                               IVANILDO MARCOU 6 GOLS

 

1949. Enquanto na Hungria o ministro da defesa propunha a formação de um clube de futebol representando o exército do povo, proposta que resultaria na transformação do modesto Kispest no poderoso Honved de Puskas e Bozsik, em Recife o Náutico desmantelava o placar do seu estádio e a propaganda do Elixir Sanativo.



Era o dia 24 de abril de 1949. Alguns torcedores resolveram ficar em casa para ouvir pelas ondas do rádio o Brasil goleando o Peru no Sulamericano no Rio de Janeiro.



Não havia radinho de pilha, um progresso que só viria no início dos anos 60 – inclusive entusiasmando os Beatles na sua primeira viagem a Nova York. Mas a maioria dos torcedores alvirrubros foi mesmo aos Aflitos assistir o prélio entre o Náutico e o primeiro campeão pernambucano: O Flamengo.



O placar do estádio ostentava a propaganda do Elixir Sanativo, comandado por um senhor sério e compenetrado. Mas nesse dia ele trabalhou em dobro.



O Náutico formou com Válter; Sidinho e Célio; Dico, Lula e Jaiminho; Zezinho, Ivanildo, Zeleão, Fernandinho e Carlos Alberto. Esperava-se uma vitória alvirrubra comandados pelo inesquecível Ivanildo, o Espingardinha. O jovem oriundo de Garanhuns estreara em 1946 em jogo contra o Santa Cruz. Viria a se tornar um símbolo da técnica e garra timbus, dentro e fora dos gramados.



O primeiro tempo termina em 2x0, tentos de Zeleão aos 20’ e Ivanildo aos 30’. O guarda-valas Neves do Flamengo trabalha muito e a defesa do Flamengo suporta bem a pressão dos comandados de Cabelli. Mas o próprio Umberto Cabelli está inconformado e no intervalo dá uma bronca geral no seu time. Todo mundo ouve de cabeça baixa e volta calado pro segundo tempo. Cabelli parecia suspeitar que aquele seria o seu último ano no Náutico e queria se despedir com vitórias, logo ele que comandara o alvirrubro pela primeira vez no longínquo 1929.



Então começa o trabalho do homem do placar. A rede não cansa de balançar. Zeleão aos 9’, Fernandinho aos 12’, Ivanildo aos 25’, 27’ e 30’, Dico aos 33’, Ivanildo novamente aos 34’, Zezinho aos 39’, outra vez Ivanildo aos 40 e finalmente Fernandinho aos 44’ dão números definitivos ao marcador.



O primeiro campeão pernambucano acabava de ser derrotado em Rosa e Silva por 11x0. Ivanildo sozinho fizera 6 gols.



O homem do placar do Elixir Sanativo teve de usar os números reservados para o time visitante.