O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Arquivo de: Novembro 2007, 08

08.11.07

SANDRO E VALENTINO

 

                 

 

Poucas imagens no futebol são tão belas quanto às imagens em que Valentino Mazzola brinca com seu filho Alessandro. Alessandro que veio ao mundo duas vezes. A primeira no dia 8 de novembro de 1942. A segunda em um jogo contra o Brasil.



8 de novembro de 1942. Valentino embala Alessandro em Turim. Emilia dorme. Flores por todo o quarto. O mundo em guerra.


12 de maio de 1963. Domingo.


O retrato na carteira sorri. Mas o rosto de Sandro é triste. Ele gostaria de lembrar os olhos do pai, os gestos, a voz. Mas existe apenas este vazio, este silêncio. Lá fora estão os tifosi, milhares deles. Lá fora está o Brasil. Os bicampeões do mundo. Lá fora está Pelé. Lá fora estão nove jogadores do Santos campeão do mundo. No dia 11 de maio de 1947 a Esquadra Azzurra vencera a Hungria de Puskas: 3x2. Dez jogadores daquele time eram do Torino.


Talvez o Santos seja o novo Torino. Pelé e Coutinho. Loik e Mazzola. Será que eles têm medo de avião?


Os olhos de Sandro procuram na imagem amarelada uma resposta. Uma palavra. Na foto Valentino amarra suas chuteiras. Em completo silêncio. Sandro recorda das brigas dos seus pais. Lembra do dia em que disse adeus a sua mãe Emilia. Lembra do adeus ao irmão Ferrucio. Mas Sandro não consegue lembrar o adeus a Valentino.


Ele gostaria de perguntar ao seu pai como ele se sentira enfrentando a Croácia em abril de 1942. Como se sentira ao vestir pela primeira vez a azzurra. Como se sentira ao marcar o primeiro gol contra a Espanha alguns dias depois. Mas tudo é silêncio. Sandro veste a camisa da seleção pela primeira vez. A azzurra parece reconhecer um antigo dono.


Facchetti chama.


A esquadra azzurra entra em campo. L. Vieri, C. Maldini, Facchetti, Guarneri, Salvadore, Trapattoni, Bulgarelli, A. Mazzola, Sormani, Rivera, Menichelli.
O Brasil vem com Gilmar, Lima, Rildo, Zito, Eduardo, Roberto Dias, Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé, Pepe.


A primeira bola lhe chega aos pés. Superga. Rildo desarma Sandro e lança Pelé. Trapattoni se antecipa. Aos 20 anos tudo é um sonho, mas o gramado em Milão começa a se parecer com o inferno em chamas. ‘Seu pai morreu, Sandro!’ dizem os amigos, os jornais, a Itália. Sandro pega a sua bola e vai pra o quintal jogar. Durante horas, dias, meses ele joga no quintal com a mesma bola com que brincava com seu pai. Durante anos.


Quatro de maio de 1949. Valentino volta pra casa. Imagina a alegria do filho quando lhe entregar a camisa do amigo José Ferreira, capitão da seleção portuguesa. Seus olhos observam a cidade de Turim envolta em névoa. A velha melancolia percorre seu rosto. Na carteira uma foto dos filhos Sandro e Ferrucio. Valentino fecha os olhos, triste. Lembra as lágrimas dos seus filhos quando ocorreu o divórcio. Filhos separados pelos pais. A vida não é tão simples quanto o cálcio.


Sandro recebe um passe de Maldini e chuta violentamente no gol de Gilmar. A bola se choca contra a trave direita. Pelé se machuca. O avião Fiat G.212 com a delegação do Torino da Itália se choca contra a Basílica de Superga.
‘Seu pai morreu, Sandro!’


Quatorze anos depois Sandro é escolhido para bater um pênalti contra os bicampeões do mundo. Por um instante Sandro recorda Bacigalupo brincando com ele nos campos de Turim. Valério Bacigalupo que deixava todas as bolas do menino Sandro entrarem nas redes grenás. Sandro olha para Gilmar e enxerga Valério.


Valentino recebe a bola de Loik e observa Zamora mal posicionado.


Enquanto a bola repousa sob seus pés, Sandro lembra. Tabela com a memória, como tabelava com o pai nas ruas de Giovinazzo. São decorridos 39’ do primeiro tempo. Sandro parte para a bola. Um chute mortal. Gilmar não consegue defender. Gol. De Alessandro Mazzola.


Valentino marca seu primeiro gol pela azzurra contra a Espanha. Valentino não sabe, mas Emilia está grávida. O herdeiro irá nascer no dia 8 de novembro de 1942.


Lágrimas caem dos olhos de Sandro em pleno San Siro. As arquibancadas se levantam em uníssono: ‘Mazzola, Mazzola, Mazzola!’. Valentino Mazzola emudece. O avião perde altura. Suas mãos agarram desesperadas seu bem mais precioso. Uma pequena foto com duas crianças nos braços do pai. O avião Fiat G.212 com a delegação do Torino da Itália se choca contra a Basílica de Superga.


Sandro desaparece sob uma pirâmide humana azul. Gol. O retrato na carteira sorri. A bola aterrissa nas redes. Sã e salva.


‘Seu pai vive, Sandro!’

 

                

OS MAZZOLA

 

                  

                       VALENTINO MAZZOLA

 

Valentino Mazzola atuou no Venezia e no Torino. Foi o grande comandante do futebol italiano nos anos 40. Certamente seria o capitão da Azzurra na Copa de 50 no Brasil.

 

Mas o destino o separou do Torino. E o destino o separou dos seus filhos: Alessandro e Ferrucio.

 

Alessandro Mazzola cresceu batendo bola com o pai nas ruas de Turim. O pai o idolatrava. Mazzola foi separado da mãe após o divórcio do pai. E foi separado do pai após o desastre de Superga.

 

Alessandro sempre repetia que não conseguia lembrar do seu pai. Da sua voz. Dos instantes que passaram juntos.

 

Só lembrava das lágrimas na sua estréia na Azzurra contra o Brasil em 1963.

 

Pois sempre que ouvia o estádio gritando 'Mazzola', imaginava que o estádio cantava para o seu pai.

 

                                      

                                  SANDRO MAZZOLA                          

SUPERGA, 1949

 

                       

                                      FIAT G.212

 

 

4 de maio de 1949.

 

O Torino retorna de um amistoso em Lisboa.

 

Torino tetracampeão italiano. Todos os jogadores do Torino eram da seleção italiana.

 

Todos.

 

O avião se choca contra a Basílica de Superga.

 

Todos os jogadores morrem.

 

A Itália de luto assiste os juvenis do Torino se sagrarem pentacampeões.

 

A Itália que rumava para o tricampeonato mundial na Copa de 50 no Brasil perde o rumo.

 

Só reconquista o título em 1982.

ADEMIR DE MENEZES E O QUATRODOISQUATRO

 

                                            

                 CAMPEÃO DAS AMÉRICAS, 1952

 

 

A velocidade de Ademir obrigou os técnicos brasileiros a recuarem mais um defensor.

 

Defensor que voltava unicamente para vigiar o 'Queixada'.

 

Estava criado o 4-2-4.

 

4-2-4 híbrido. Porque a Hungria também criou o mesmo sistema por outras razões.

 

4-2-4 que mudou a história do futebol.

HOJE É O DIA: ADEMIR DE MENEZES

 

                 

                  ADEMIR E TELESCA FALAM AO DIARIO DE PERNAMBUCO

 

Sei que meus amigos alvirrubros vão dizer: Ele era do Sport!

 

E eu vou concordar com eles.

 

Mas o craque sempre provoca inveja.

 

Eu gostaria que Ademir de Menezes fosse alvirrubro.

 

Porque o craque a gente respeita.

 

Ainda bem que ele foi pra bem longe.

 

Pro Rio. Pro Vasco. Pro Fluminense.

 

Para ser o artilheiro da seleção brasileira na Copa de 50 com 9 gols em 5 jogos.

 

Quase 2 por jogo. Média digna de Fontaine, Puskas e Müller.

 

O craque nos castiga. O craque nos causa inveja.