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Futebol e História.

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Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2007, 15

15.11.07

FUTEBOL, POLÍTICA E CAPITALISMO PARTE 1

 

            

 

O falecido jornalista e técnico João Saldanha defendeu em artigo na primeira edição da revista Placar em 1975 o retorno do futebol ao amadorismo. Por ser um homem extremamente inteligente poucos se atreveram a contestá-lo na época.

A experiência amadorística do futebol angariou medalhas olímpicas, porém em competições contra atletas profissionais URSS, Hungria e seus colegas da cortina de ferro foram sempre derrotados.

Porque o futebol sempre foi o menos amador dos esportes. Desde 1885 a Football Association inglesa legalizou o profissionalismo.

Quando observamos a história do Clube Náutico Capibaribe, constatamos a ausência de títulos entre 1915, data do primeiro campeonato pernambucano, e 1934. Durante este período América e Esporte se revezaram nas conquistas.

Por quê?

Porque América e Esporte eram pseudo-amadores. Não hesitavam em contratar jogadores de fora e pagar por baixo do pano salários aos seus atletas.

E porque o primeiro título alvirrubro ocorreu justamente com o advento do profissionalismo no futebol brasileiro em 1933?

É claro que o advento de uma geração fabulosa de verdadeiros craques alvirrubros explica o título. Os irmãos Salsa e os irmãos Carvalheira formaram um esquadrão nos anos 30. Porém o Náutico também mudou. Naqueles conturbados anos de revolução e estado novo os seus dirigentes compreenderam que os tempos exigiam uma pequena revolução. A diretoria de futebol foi entregue a Eládio de Barros Carvalho. Não é a toa que em 1939 foi inaugurado o novo estádio dos Aflitos. Também não é a toa que o time logrou vencer o São Paulo em partida disputada em 1937, feito não repetido pelos outros times pernambucanos.

Porém já era bastante claro que futebol se jogava com os pés e com os bolsos. Os times pernambucanos dificilmente venciam seus jogos contra os sulistas. A seleção brasileira perdia quase sempre da Argentina e do Uruguai. Os jogadores argentinos e uruguaios eram captados pelo riquíssimo futebol italiano.

O PIB pernambucano era inferior ao de São Paulo e ao do Distrito Federal, então Rio de Janeiro. O PIB per capita brasileiro em 1929 era quatro vezes inferior ao argentino. A Itália de Mussolini era mais rica que a rica Argentina. Os jogadores Orsi e Monti, vice-campeões mundiais em 1930 pela Argentina, foram campeões do mundo em 1934 pela squadra azzura.

A Segunda Grande Guerra teve inicio em setembro de 1939.

O Náutico foi campeão pela segunda vez no dia 29 de outubro.

No dia 8 de novembro uma bomba por pouco não mata Adolf Hitler em Munique.

Quais os rumos do futebol e do capitalismo nos anos que se seguiram?


OS XV DE NOVEMBRO DO BRASIL

 

                            

       NO ALTO: CONSTANT, DEODORO, FLORIANO E PRUDENTE  


Nenhum deles está na Série A. Nem mesmo na Série B. Pelas regras vigentes da CBF, são passageiros de terceira classe.



Mas quanta história não possuem os XV de Novembro do Brasil!



História, sim. História que já se inicia no seu nome.



Quando nascem se declaram republicanos. O Rei Pelé não poderia jogar num deles, pois perderia a majestade. Transformado em um cidadão comum, igual a tantos outros. Teria que procurar um Sete de Setembro.



O momento mais difícil no nascimento de um time não é o primeiro título. Não é a filiação na Federação. Não é comprar a primeira bola.



É encontrar o nome perfeito, o nome que traga a imagem de garra e sonho ao torcedor. Um nome que seja famoso. Um nome que fale de grandeza e vitórias. Um nome que defina todo o pensamento dos seus fundadores.



Principalmente, um nome que agrade todo mundo na assembléia. Porque muito time acaba antes mesmo de começar. Na assembléia. Na hora de escolher o nome da criança.



No início havia o Rio Grande. Depois veio a Ponte Preta.



Quem admirava o Império ia de Sete de Setembro ou Ipiranga.



Os portugueses enalteciam Vasco da Gama. Os italianos o Palestra. Os religiosos, Santos, São Paulo ou Santa Cruz.



Os geográficos Capibaribe, Recife, Bahia, Goiás.



Os regionais, Grêmio Portoalegrensse. Os universalistas, Internacional.



Os pedagogos ABC, CRB, CSA. Os seguidores de Belfort Duarte, América.



Os otimistas, Vitória.



Na dúvida, Atlético.



Já quem era republicano escolhia XV de Novembro.



Porém os nomes de clube inspirados em datas nunca foram muito felizes no futebol brasileiro. Nenhum foi campeão brasileiro. Até mesmo o XV de Novembro não se tornou popular como um Corinthians, um Flamengo. Ambos nomes oriundos do estrangeiro.



Talvez porque a nossa Proclamação da República tenha sido seleta. Esnobe. Monárquica. Já nasceu censurando a imprensa, prendendo desafetos, fraudando eleições.



Já nasceu uma República Velha.



De qualquer forma, parabéns no dia de hoje aos XV de Novembro do Brasil.



Eles e seus torcedores são muito melhores que seu nome.

OS XV DE NOVEMBRO DO BRASIL: XV DE PIRACICABA

 

                 

 

Eu cheguei a torcer pelo XV em 1976 no Paulistão.

 

Cheguei a pensar que o esquadrão de Guina, Nardela e Paulinho poderia vencer o Palmeiras.

 

Mas o Palmeiras tinha Jorge Mendonça.

 

E Jorge destruiu os sonhos do Nhô Quim.

OS XV DE NOVEMBRO DO BRASIL: O XV DE CARAGUATATUBA

 

                   

 

Verde e branco.

 

Fundado em 1924.

 

Mora na Toca do Leão.

 

Luta pra sobreviver. Como todo XV de Novembro que se preze...

 

 

OS XV DE NOVEMBRO DO BRASIL: XV DE JAÚ

 

                1953

 

Em Jaú fica um XV de Novembro bem brasileiro.

 

Verde e amarelo.

 

 Fundado em 1924. Trinta e cinco anos depois da despedida de D. Pedro II.