O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2007, 17

17.11.07

PONTA RICO, PONTA POBRE

 

                 CANHOTEIRO

 

Cinquenta anos!

E eu ainda me lembro como se fosse hoje.

Éramos dois meninos. Iguais em tudo. Menos no destino. Talvez porque eu fosse rico e ele pobre. Talvez.

Jogavamos no famoso Ferroviário Futebol Clube. Mas tinha também as peladas defronte do Mercado Novo, que hoje está bem velho. Por vezes aparecia um amigo dele que também ficou meu amigo: O Periquito. Periquito que tinha um time de botão do Vasco da Gama, além de uma mania de rimar as coisas desse mundo. Meu amigo jogava de ponta-esquerda. Eu era o ponta-direita artilheiro. Ele cruzava. Eu ganhava a fama. Tudo como deve ser nesse mundo de senhores e servos, como sempre dizia meu pai.

Já o pai dele, seu Cecílio, não gostava muito daquelas intimidades com a bola. Muitas vezes amarrava o filho na mesa pra que ele não fosse jogar bola.

Chegou um dia, vim estudar na cidade grande. Ser doutor. Ser famoso como queria meu pai. Todo mundo em São Luís sabia que um dia eu ia ser famoso. Deixei lá meu amigo, o Ribamar.

A cidade grande é um deslumbre. Tem os livros. E tem as mulheres. Nos anos que passei aqui eu fiz de tudo um pouco. Menos estudar. Eu tinha o dinheiro de meu pai. Eu tinha as fazendas. Eu era um senhor das terras do norte. Até que um dia, muitos anos depois, uma carta me pegou de surpresa. Meu pai havia morrido. As fazendas hipotecadas. A família na miséria. Os inimigos arrotando vitória. Minha mãe, na dor da desgraça, enlouquecera, dizia a carta.

Nem pensei em minha mãe, nem em meu pai. Na carta me diziam pra voltar e ajudar a família. Eu, que agora era doutor. Famoso.

Mal sabiam eles que era tudo balela, mentira. Durante anos inventei desculpas para não voltar, desculpas para ocultar minha vida dissoluta. Eu era um ninguém. Aliás, agora eu era um Ribamar. Ou menos que isso.

Tonto pela notícia, tomei umas doses e fui pro Pacaembu na companhia do velho Periquito que agora era poeta. O Brasil ia jogar com o Paraguai. Ia estrear um novo jogador. Um tal de Canhoteiro.

Quem sabe enquanto o tal de Canhoteiro jogava, eu não me jogasse da arquibancada embaixo?

Quando sentei nas cadeiras, um susto. Lá no campo, correndo com a camisa do São Paulo, um jogador fazia as estripulias igualzinho ao meu amigo Ribamar.

Dava até o drible do solavanco!

Mas peraí! Ninguém no mundo podia fazer com a bola aquilo que o Ribamar fazia. Só o Ribamar...

Éramos dois meninos. Iguais em tudo. Menos no destino.

Talvez porque eu fosse rico e ele pobre. Talvez.

Jogavamos no famoso Ferroviário de São Luís.

Hoje eu sou apenas mais um na multidão que aplaude.

Ele? Ele é o Canhoteiro.

16.11.07

BRASIL 4 X 2 PERU 1970: HOLLEBEN E O RADINHO

 

           

 

Enquanto o Brasil pensava no Peru e no Uruguai na Copa de 70.

 40 presos eram libertados em troca da vida do Embaixador alemão.

Seguem para a Argélia.

No cativeiro, Holleben ouvira no radinho a Inglaterra ser derrotada pela Alemanha.

Coisas do Brasil.