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Futebol e História.

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Arquivo de: Novembro 2007, 23

23.11.07

AS VIÚVAS DE 82

 

               

 

O Brasil vence jogando mal. Pronto. Lá estão as viúvas de 82, saudosas da derrota. Como Armandos Nogueiras de saia, chegam repetindo velhos bordões. Futebol-arte. Hungrias e Holandas. Todos um bando de derrotados.

A história comprova que o melhor time é o que vence. O que importa são os três pontos. Bola na rede.

Claro que existe uma certa maldade em tudo isso. Chamar Zoff, Tardelli e Paolo Rossi de pernas-de-pau é crueldade. Eram todos grandes jogadores.

Considerar Bekembauer, Paul Breitner e Gerd Müller inferiores à Laranja Mecânica é faltar com a verdade. A Alemanha era um baita time.

Mas eu compreendo a viuvez. A memória é curta. Quer ser bom?

Morra ou viaje!

Em 1974 e 78 o Brasil sofreu nas mãos de brutamontes. Retrancas e overlappings. Foi campeão moral.

Um ano depois perdeu a Copa América no Maracanã. Para um Paraguai de camisas trocadas.

Então surgiu Telê. E chamou os melhores. Simples assim, chamou os melhores.

O que hoje parece simples, ninguém fazia. Chamar Zico, Sócrates, Falcão e Cerezzo e botar todos com a amarelinha.

Descobriu a dupla Oscar e Luizinho. Chamar Dario Pereira era impossível. Nas laterais, Leandro e Júnior.

No comando do ataque, Careca.

Ainda me impressiono como era tudo tão simples!

E Telê enfrentou a Argentina e a Alemanha no Mundialito. Empatou com os campeões do mundo e goleou a Alemanha.

Perdeu a final para o Uruguai de Vitorino e De Léon.

Como a torcida julgou que já estava no lucro vendo futebol tão belo, ninguém ousou sacar Telê do comando da seleção.

E prosseguimos sonhando durante os anos de 1980, 81 e 82. Até a derrota para a Itália.

Telê Santana passou a ser o símbolo do belo que não ganha nada. Seus seguidores se tornaram as viúvas de 82.

Na minha opinião, Telê Santana é culpado. Será eternamente culpado.

Culpado do crime de tornar tudo tão fácil, tão simples, tão óbvio.

1987, O CAMPEONATO QUE NÃO ACABOU...

 

                

                             FRED OLIVEIRA É AGREDIDO  

 

A década de 80 é uma época negra do futebol brasileiro. O caos habitual se somava às derrotas da seleção. O Brasil não ganhava nem de bêbado.

Os melhores jogadores partiram para a Europa. A inflação empobrecia os sonhos. Nabi e Otávio dominavam a CBF.

Os anos 80 que iniciaram com a fantástica equipe de Telê, chegava ao seu final em módulos.

Amarelo, verde, azul, branco. Só faltou o cor-de-rosa.

Em 1985 Coritiba e Bangu decidiram o título nacional. Os demais grandes times ficaram pelo caminho.

Em 1986, 80 clubes participaram do campeonato vencido pelo São Paulo. Um absurdo.

Então 1987 trouxe o clube dos 13. A primeira tentativa de organizar aquela bagunça.

Mas, no final, a bagunça aumentou.

O Flamengo venceu a Copa União.

Não compareceu para enfrentar os vencedores do módulo amarelo.

E o Brasil assistiu o campeonato brasileiro ser entregue a uma equipe que não enfrentou os times mais fortes do país.

Como se fosse entregue o troféu ao campeão da segunda divisão.

Alguém está correto nesssa confusão?

Acho que ninguém.

Ali foi o pior momento do nosso futebol. O mais corrupto. O mais caótico.

Houve até mesmo o episódio em que capangas do presidente do Bangu, Castor de Andrade, atacaram selvagemente Fred Oliveira.

Impunes.

A taça naqueles anos não merecia estar na mão de ninguém.

1987 foi um campeonato que não acabou.

1987, O SPORT VENCE O GUARANI

 

                  

 

No dia 7 de fevereiro de 1988 o Sport vence o Guarani por 1x0.

 

E depois de uma guerra jurídica é proclamado campeão brasileiro.

 

Recebe o troféu das bolinhas.

 

Joga a Libertadores.

 

O campeão ideal para uma época conturbada.

 

Uma época de caos no sempre caótico futebol brasileiro.

 

Tempo que é melhor nem lembrar...

O TROFÉU DAS BOLINHAS

 

                   

 

Os vencedores do módulo verde deveriam jogar com os vencedores do módulo amarelo.

 

Em janeiro e fevereiro de 1988.

 

Para determinar o vencedor da Taça das Bolinhas.

 

E os representantes brasileiros na Libertadores.

 

Sport e Guarani foram à campo.

 

Flamengo e Internacional, não.

1987, FLAMENGO CAMPEÃO DA COPA UNIÃO

 

                      

 

Maracanã. O Rio debaixo de inundação.

 

Bebeto avança e desvia a bola de Taffarel. 1x0.

 

Bastou.

 

O Flamengo de Zico, Renato, Leonardo e Edinho era campeão da Copa União.

 

Nos 4 jogos finais, Bebeto marcou 4 gols.