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BOBÔ
Hoje foi um dia difícil para o Sr. Raimundo Nonato Tavares da Silva.
Por um desses mistérios insondáveis do destino, Raimundo Nonato entrou na política pelas mãos do governador Jaques Wagner em 2006. Assumiu o cargo de superintendente da SUDERB, órgão responsável pela Fonte Nova.
Mas Raimundo Nonato Tavares da Silva é também um dos maiores ídolos da história do Bahia.
Um ídolo que comandou o tricolor na conquista do Campeonato Brasileiro de 1988.
Um ídolo que atendia pelo nome de Bobô.
De calção e chuteiras, Bobô vestiu a Fonte Nova de alegria e gols. Virou letra de música. Herói.
Há dez anos encerrou sua carreira na amiga Fonte Nova, entre flores, beijos e abraços, em um amistoso contra o Palmeiras.
Infelizmente, como muitos heróis que trocam de uniforme, fora das quatro linhas os gols são outros.
E o homem que vestiu a Fonte Nova de alegria e gols, agora dá explicações sobre a dor e o luto dos que torciam por ele.
Hoje foi um dia difícil na vida de Raimundo Nonato Tavares da Silva, o Bobô.
Por um desses mistérios insondáveis do destino.
Justo o dia em que completa 45 anos.

criado por Roberto Vieira
19:59:10

NÁUTICO X AMÉRICA, CAMPEONATO DE 1944
POR LUCÍDIO OLIVEIRA
Roberto,
Não sei se devo conversar com você ou com João Cabral, autor da carta ao primo Manoel. Melhor falar diretamente com você. Até porque não se conversa impunemente com os mortos, você sabe. Vamos aos fatos.
Eu tinha 12 anos quando ocorreu aquela decisão. Meu primeiro sofrimento como torcedor timbu. Não esperava que o meu Náutico perdesse três jogos seguidos para o América. E bastava ter vencido a primeira, era um jogo extra, a partida que terminou 1x1. Sabe você que nesse jogo o Náutico teve um pênalti a seu favor desperdiçado por Edvaldo? Pênalti a favor do Náutico nos Aflitos sempre foi um tormento. O gol do Náutico foi marcado por Orlando, ausente nas três partidas seguintes. Por que não foi Orlando, o encarregado de bater aquele pênalti? O Náutico era um time destroçado e sem comando na hora da decisão. O campeonato havia sido interrompido em setembro para dar vez aos jogos da seleção pernambucana. Tará e Orlando eram as estrelas de maior grandeza do selecionado. Basta lembrar o 9x1 contra a Bahia, três gols de Tará e três de Orlando. Somente em dezembro teve prosseguimento o campeonato. Tará e Orlando estavam estourados, ambos tinham lesões de joelho de difícil tratamento na época. Jogavam com joelheiras, veja as fotos daquele tempo. Não ficou bem claro para o menino que eu era, informado apenas através de jornais, morando no interior, as razões de Orlando não jogar os três jogos seguintes. Não mais voltou a vestir a camisa do Náutico. O gol no 1x1 foi seu gol de despedida. Fomos todos pegos de surpresa. Contratado pelo Fluminense, depois de suas espetaculares exibições na seleção, o fato é que ficou fora nos jogos decisivos contra o América. Contusão ou exigência do Fluminense? Nunca tive a resposta. Ao chegar no Rio, a primeira providência tomada pelo tricolor das Laranjeiras foi levar Orlando para uma sala de cirurgia. Tinha que retirar o menisco do joelho que vinha lhe atormentando. O mano Tará tinha também voltado da seleção na lona. Mas como não se dispunha a deixar o Recife, tinha que jogar mesmo no sacrifício. De joelheiras, tomando infiltrações no dia que se seguia a cada jogo para fazer o joelho desinchar, como certa vez um dia me contou.
Além de não poder contar com Orlando e com Tará inteiros e o tempo todo, o Náutico teve ainda contra si a perda do treinador na véspera da decisão. O paulista Eugênio Vani, que tinha armado tão bem o time que tanto brilhara no campeonato, e por isso mesmo ter sido com justeza convocado para dirigir a seleção estadual, já não era, não sei porque razão, o treinador nos jogos contra o América. O livro do amigo Carlos Celso registra que o técnico na ocasião era um tal de Luiz Lázaro. Quem era esse cidadão? Você sabe? Jamais ouvi falar dele no mundo do futebol. Dirigiu o Náutico seis jogos apenas, encerrando sua passagem pelos Aflitos com a perda do título. Depois das três derrotas que deixou o menino com o coração pela primeira vez amargurado com o futebol.
Mas o América, deixei isso registrado em O Náutico, a Bola e as Lembranças, nada tinha a ver com isso. Era o América dos sonhos que desfaziam as dúvidas metafísicas de João Cabral. O América que, sem saber, estava se despedindo do mundo de glórias. O América de Leça, Deusdedith e Lucas; Pedrinho, Capuco e Astrogildo; Zezinho, Julinho, Djalma, Edgar e Oséas. O América, enfim, que o poeta num instante de desespero, negociou com o Criador. Aquele título e nenhum outro mais! E assim foi. Teria sido mesmo com o Criador? Ou, repetindo Fausto, com o Diabo, o desesperado apelo?
O poeta, ao final arrependido e desejando mais, é sempre assim, só não teve a ventura de ver seus novos anseios serem realizados. O América, o mesmo América com justiça campeão de 1944, seria derrotado pelo Náutico alguns meses depois, em dezembro daquele mesmo ano de 1945, ficando o Náutico com os louros da vitória do outro campeonato decidido no mesmo ano. O sonhado bi do poeta tinha ido para o espaço, Melhor lugar não há, convenhamos, para os sonhos dos poetas.
Na ocasião, Orlando já era estrela no Fluminense. Seria um tempo depois, o famoso Orlando “Pingo de Ouro”. O irmão Tará, artilheiro do campeonato, teria enfim o reconhecimento da glória com a camisa alvirrubra. O nome resgatado e imortalizado como um dos maiores atacantes a vestir a gloriosa camisa vermelha e branca..

criado por Roberto Vieira
12:53:09
- De quem é a culpa?
- Do destino. Foi tudo uma surpresa.
- Não vai colar.
- Bota aí que foi da torcida que pulou demais na arquibancada!
- Torcida pula sempre. Também não vai colar.
- Da firma que fez a reforma no governo passado?
- É a mesma que financiou nossas campanhas...
- Xiiiiiiiiiiiiiii...
- Tem outra idéia?
- Bota a culpa num pedreiro.
- Como é que é?
- É, o pedreiro. Superfaturou a obra e depois usou material de terceira.
- Vão achar que a gente ta debochando com a terceira divisão. Capaz de lincharem a gente.
Os dois olham na direção do mar. Itaparica está logo ali. Porque é que essa tragédia tinha de acontecer logo agora, logo hoje?
- Morreram quantos?
- Sete.
- Não eram oito?
- O número agora é sete. Mas pode aumentar.
- Acho que não resta outra escolha. Vai ser o de sempre.
- Não esquenta. O de sempre, sempre funciona.
Os dois chamam o assessor de imprensa. Mandam divulgar uma nota oficial de pêsames. Investigações rigorosas serão iniciadas. Os culpados serão punidos, doa a quem doer. Mas é preciso aguardar pelo parecer técnico. Não devemos acusar ninguém impunemente. Não podemos turvar a biografia de um inocente.
É preciso não cometer injustiças.
É preciso não comprometer 2014.
- O texto ficou bom?
- Já estava pronto. É o mesmo de sempre.
Com certeza daqui a quinze dias todo mundo já esqueceu o fato.
Escândalo é o que não falta nesse imenso país tropical. E tem também o Natal.
- Vamos comer uma moqueca?
- Vamos. Já trabalhamos muito por hoje.

criado por Roberto Vieira
12:39:53
CARRIZO NO TRÁGICO 'JUEGO DE LA PUERTA 12'
River Plate x Boca. 1968. Monumental de Nuñes.
Esqueceram de abrir o portão 12 de saída do estádio.
74 mortos.

criado por Roberto Vieira
09:36:41
Junho de 1972. Santa Cruz 0 x 0 Flamengo.
Reinauguração do Arruda.
Uma multidão se comprime nas arquibancadas e gerais.
Recife andou perto de viver uma tragédia.

criado por Roberto Vieira
09:19:42