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Futebol e História.

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Arquivo de: Novembro 2007, 28

28.11.07

1975, OS TRÊS DE FLORIANOPÓLIS!

 

          

                         NÁUTICO X FIGUEIRENSE, 1975        

 

Em setembro de 1975, três amigos pegaram o seu Passat, e rodaram os 3500 Km que separam Recife e Florianópolis para assistir o glorioso alvirrubro de Rosa e Silva enfrentando o Figueirense pela primeira vez.

Antonio Almeida Silva, português e torcedor do Belenenses, viajou acompanhado do seu irmão, Waldemar de Almeida, também português só que torcedor do Benfica. Junto deles ia o colega Salatiel Antonio. Os bravos irmãos portugueses não torciam por nenhum time brasileiro, porém ao serem apresentados ao Náutico, renderam-se à nova paixão.

Em uma tarde fria, o Timbu entrou em campo com o seu uniforme branco de

mangas compridas. Beliato não pôde atuar, cedendo seu lugar a Djalma Sales.

A equipe formou com Neneca: Miguel,Djalma Sales,Sidclei e França; Pedro Omar

e Vasconcelos; Baiano(Luís Fernando), Betinho, Jorge Mendonça e Lima(Dedeu).

O Figueirense usando mangas curtas e uniforme com listras brancas e pretas escalou: Nilson; Pinga, Nelson, Almeida e Casagrande; Sergio Lopes e Dito Cola(Luiz Everton); Marcos(Lico), Toninho, Volmir e Moacir. A arbitragem foi de José de Assis Aragão.

Logo aos 6’ Toninho invade a área e finaliza sem ângulo para defesa de Neneca. Aos 18’ numa cobrança magistral de falta de Lima, Pedro Omar sobe e cabeceia para um milagre de Nilson. Então o jogo fica restrito ao meio-campo com o gramado pesado marcando os dois times.

No retorno para o segundo tempo um lance acirra os ânimos. Aos 2’ Toninho finta Lima e cara a cara com Neneca chuta por cima do arco. Volmir, um ex-jogador do Internacional de Porto Alegre, famoso por sua catimba agride Vasconcelos na área. Neneca agindo sem pensar mete uma bolacha em Toninho mandando-o a nocaute. Basta comparar a envergadura de Neneca e Toninho pra imaginar o estrago. O pau come solto, porém apenas o goleiro do Náutico é expulso. Orlando Fantoni sacrifica Baiano e põe Luís Fernando na meta. No primeiro lance aos 8’ Lino cobra um escanteio, Toninho ainda grogue antecipa-se a Miguel e cabeceia para o barbante. Figueirense 1x0.

Pra quem imaginava o Náutico morto, puro engano. O alvirrubro se multiplica em campo e encurrala o Figueirense. Com 17’ Pedro Omar domina na entrada da área e fuzila na trave. Aos 26’ é a vez de Jorge Mendonça entrar driblando na defesa do Furacão e novamente acertar a trave. Então Fantoni olha pro banco, beija a medalhinha e grita pra Dedeu entrar no lugar de Lima. São decorridos 37’ do segundo tempo quando Vasconcelos domina a pelota no meio de campo, está cercado por uma multidão de jogadores de preto e branco, mas num átimo de segundo ele toca a bola com maestria no nada. Atônitos os zagueiros do Figueirense vêem surgir do nada aquele ponteiro rápido saído do banco de reservas. No momento seguinte estão driblados e apenas observam Dedeu entra cara a cara com Nilson e quando todos esperam uma bomba ele coloca devagarinho no cantinho da cidadela inimiga.

O estádio em silencio assiste um time coberto de grama e de lama comemorando como crianças em campo.

E nas arquibancadas três amigos pulam e se abraçam como se fossem os 300 de Esparta e houvessem vencido uma batalha: A batalha de Florianópolis.

Pois se Esparta precisava de 300 guerreiros contra os persas, para o Náutico bastam 10 homens em campo e 3 apaixonados nas arquibancadas!

 

PS: Se alguém tiver notícias dos 3 amigos, favor entrar em contato com o Blog!


NÁUTICO X FIGUEIRENSE, 1975: COMIGO OU SEM MIGO

 

                    

                                      DEDEU, O PRIMEIRO GOL

 

Alguns ainda se recordam dos play-offs disputados por Náutico e Figueirense nas quartas de final da série B em 2001.

Mas o confronto entre os dois clubes tem raízes mais antigas, e o próprio Figueirense tem na sua biografia um pouco de nossa história.

O Figueirense Futebol Clube é o mais pernambucano dos clubes catarinenses. Pelo menos nas origens. Ele foi fundado em 12 de junho de 1921 no bairro da Figueira, na rua Padre Roma, onde hoje se localiza a praça XV de Novembro. Padre Roma, como todos sabem, era o outro nome de José Inácio de Abreu e Lima, um dos revolucionários fuzilados na Revolução de 1817 em Pernambuco e pai do General Abreu e Lima, amigão de Simon Bolívar.

Em 1975 o Figueirense enfrentou o Náutico no dia 14 de setembro em Florianópolis. O Náutico vinha de um vice-campeonato pernambucano numa final até hoje contestada contra o Sport. O Náutico contava com um grande goleiro, Neneca, o qual detinha na época o recorde mundial de tempo sem levar gols: 1636 minutos. Na zaga dois craques, Beliato e Sidclei. Vasconcelos ditava o ritmo no meio-campo e no ataque Dedeu e Jorge Mendonça infernizavam os adversários. Um timaço! Jorge Mendonça por exemplo, foi contratado por uma fábula na época: Seiscentos mil cruzeiros pagos a Castor de Andrade no Bangu.

O time-base do Figueirense era: Vanderlei; Pinga, Almeida, Orcina e Casagrande; Sérgio Lopes, Moacir e Lico (Letieri); Marcos, Toninho e Luís Everton. Foi esta equipe que perdeu a decisão do campeonato catarinense um mês antes para o Avaí. Trazia no comando do ataque o jogador Toninho que depois se transferiu para o futebol paulista. Curiosamente, Toninho formaria dupla de área com Jorge Mendonça um ano depois, na conquista do título paulista de 1976 pelo Palmeiras, último título do divino Ademir da Guia. Toninho foi durante muitos anos o recordista de gols do Figueirense em campeonatos brasileiros, só perdendo o posto para o atacante Edmundo na campanha de 2005.

A partida se realizou no Estádio Orlando Scarpelli inaugurado por completo em 1973, quando de uma partida contra o Vitória da Bahia.

Era um domingo de frio e o Figueirense partiu pra cima do alvirrubro pernambucano logo nos primeiros minutos. Foi um jogo com poucos lances de gol e no final somente o oportunismo de Toninho pelo Figueirense e de Dedeu pelo Náutico conseguiram tirar o zero do marcador.

Poucos se recordam, mas o folclórico Dedeu oriundo do Guarani de Sobral, muitas vezes ia lá e resolvia. E aquele esquadrão do Náutico fazia juiz às suas sábias palavras: “Comigo ou sem migo nós ganha!”.



Há 32 anos!

2001, NÁUTICO 2 X 1 FIGUEIRENSE: RETRANCA E GARFO

 

                 

 

O Figueirense em 2001 jogou retrancado.

 

Assustado.

 

Ia perder de 2x0.

 

Mas um juiz desatento ajudou.

 

Desatento com os donos da casa.

 

Nós...

 

O resto foi retranca e chutão.

 

Aquele jogo que a gente vai pra casa e acha que fez o dever de casa.

 

Mas o dever de casa quem fez, foram os outros...

27.11.07

RÉQUIEM PARA O AMÉRICA DE RECIFE

 

                                                   

 



Meu clube acabou.

Mas não acabou de repente. De enfarte. Não.

Ele morreu aos pouquinhos.

Um pouco de velhice. Um pouco de sandice. Um pouco de ser vice.

Eu que julgava meu clube eterno. Fiquei órfão. Sem saber o que fazer nessas imensas tardes de domingo.

A não ser ouvir gritos de gol e de revolta gritados por outras bocas.

Sim.

Eu poderia torcer por outro clube.

Viúvos se casam novamente. A paixão resiste nesse mundo de meu Deus.

Mas seria assim como trair o coração.

Não aquela traição ignara. A traição de cada esquina. A traição que é quase sina da minha geração.

Porém a traição profunda. A traição sem volta. A traição que trai e corta cada fibra do teu sentimento.

Por isso me guardo. Nas revistas e pasquins do meu quarto.

Numa foto do campeonato de 44. Numa flâmula desbotada. Num refúgio do amor infinito.

Ontem fui ter na antiga sede. Assim sem querer, querendo. Julgando rever algum rosto conhecido.

Estava tudo lá.

Menos o que eu me lembrava.

Algumas moças e rapazes me convidaram pra sentar. Gentis.

E eu deixei-me sentar ali. Distante. A respiração ofegante de quem perdeu alguém muito querido.

E ficou sozinho no mundo. Impedido. Off side.

Não foi de repente.

Foi devagarinho.

Meu clube acabou aos pouquinhos. Sem merchandising. Sem mídia.

Numa derrota pálida e esquiva.

Dessas tantas derrotas de que é feita a vida.

NÁUTICO 2 X 1 FIGUEIRENSE, 2001: A GARFADA

 

                 

                                   KUKI 1 X 0 FIGUEIRENSE, 2001

 

O Náutico enfrentou o Figueirense pela primeira vez em 1975.

Vinte e seis anos se passaram até o segundo encontro. Desta vez em Recife.

27 de novembro de 2001.

Numa terça-feira à noite, o Náutico de Kuki enfrentou os catarinenses.

Em disputa, uma vaga no quadrangular final que decidiria a Série B.

Foi também o jogo em que o Timbu foi escandalosamente garfado pelo Sr. Edilson Soares. O juiz.

O Náutico começou pressionando o Figueirense.

Logo aos 6' Gilson Batata atrasou mal uma bola e o lateral Carlinhos se antecipa. Dribla o lateral adversário e cruza na medida para Kuki fazer 1x0.

Aos 18' Carlinhos Silva chuta forte no canto para defesa do goleiro César.

Tudo ia bem quando Gilson Batata foi lançado e domina a bola com a mão. Era um fã de Maradona.

Não precisa ninguém me dizer. Eu vi com esses olhos que a terra há de comer. Todo mundo viu.

Todo mundo não. O árbitro Edilson e o bandeirinha Marcos Vinícius não viram. 1x1.

Logo depois, quase o Figueirense virou com um chute de Marcelinho que passou rente ao travessão de Gilberto.

Kuki respondeu com uma cabeçada.

8' do segundo tempo. Carlinhos acerta a trave.

Logo depois sai Danilo para entrar Jacaré.

E foi Jacaré aos 30' quem aproveitou uma bola perdida e com oportunismo decretou o 2x1.

Tudo bem?

Tudo bem nada!

Dois dias depois o Náutico viajou para Florianopólis onde perdeu pelos mesmos 2x1.

E nos pênaltis foi desclassificado.

O sonho de voltar para a primeira divisão teve de aguardar até 2006.

Já o Figueirense subiu. E está lá até hoje.