O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2007, 30

30.11.07

A VIDA NÃO TEM SÓ NOVENTA MINUTOS

 

 

Alguns imaginam que a arte existe pra divertir.

É fato.

Chaplin era um grande comediante.

Mas a arte existe também para denunciar.

Para incomodar.

Para pensar.

Fazer rir é legal.

Mas se não te tira o sono, não é arte.

Sentar na frente de um computador e repetir fórmulas. Mesmos truques. Mesmas oitavas.

Tudo isso se aprende. Mas as dissonantes, não!

Quando alguém critica o texto sobre Papai Noel, na verdade não parou pra pensar.

Não parou pra pensar nas milhares de crianças que sofrem.

Crianças de todos os clubes. Crianças como goleiros na hora do pênalti.

Crianças sem pai nem mãe.

É como criticar a moqueca. Esquecendo das palavras.

Gostaria de escrever sobre um mundo alegre.

Sobre gols, goleadas, viradas históricas.

Mas não posso.

Quem deseja visitar o blog e ler textos fáceis, perdão.

A vida não tem só noventa minutos.

1975, NÁUTICO 1 X 0 FLAMENGO: LIMA

 

                      

                                    NÁUTICO 1 X 0 FLAMENGO, 1975

 

Demorou vinte e nove anos.

Do primeiro encontro em 10 de abril de 1946 até a primeira vitória em 27 de agosto de 1975.

Em 1946 havia Zizinho.

Em 1975, Zico.

Em 1946 apitou Mario Viana. Em 75, Armando Marques.

Pernambuco vivia um momento triste nas artes. A famosa coleção de arte sacra de Abelardo Rodrigues era comprada pela Bahia. Num episódio que mereceu o nome de 'Guerra Santa', o governador baiano Antônio Carlos Magalhães gastava três milhões de cruzeiros na aquisição do acervo.

Hoje, se um pernambucano deseja visitar a coleção, basta pegar um avião e visitar um museu no Pelourinho.

Foi também o tempo do famoso acidente de um barco do exército na lagoa do Parque Sólon de Lucena em João Pessoa. Trinta e cinco mortos.

Naquele ano em que o Led Zeppelin lançou o álbum duplo Physical Graffiti, o Náutico entrou no Arruda escalado com Neneca; Miguel, Djalma Sales, Sidclei e França; Pedro Omar e Juca Show; Betinho(Dedeu), Vasconcelos, Jorge Mendonça e Lima. O técnico era Orlando Fantoni.

O Flamengo formou com Cantarelli; Júnior, Jaime, Luís Carlos e Florêncio; Liminha e Geraldo; Doval, Luisinho, Zico e Edson. O técnico era Carlos Froner, o qual meses depois passaria Júnior da lateral direita para a esquerda.

Um público de 20.897 torcedores compareceu.

O Náutico atacou desde o início. O gringo Doval aperreando Sidclei. Pedro Omar colado em Zico.

Mas Jorge Mendonça e Vasconcelos levavam nítida vantagem sobre o miolo de zaga rubro-negro.

No primeiro tempo duas chances perdidas por Betinho e um gol claro desperdiçado por Luisinho. mas o placar se manteve 0x0.

0x0, o mesmo resultado de 1968.

Até que aconteceu o previsível.

Falta nas proximidades da grande área.

Lima ajeita a bola para a cobrança aos 20' do segundo tempo.

O herói das finais do pernambucanode 1974 cobra.

Com a maestria de sempre. No ângulo.

Cantarelli nada pode fazer. Dedeu que entrara no lugar de Betinho com a camisa 14 se enrosca na rede com a bola.

Depois, o gigante Neneca se encarregou de trancar o gol com cadeado.

O Náutico vencia o Flamengo pela primeira vez na história.

DEDEU COMEMORA A PRIMEIRA VITÓRIA, 1975

 

         

 

Dedeu vibra.

 

Cantarelli observa desconsolado.

 

Náutico 1 x 0 Flamengo, 1975.

1946, O PRIMEIRO NÁUTICO X FLAMENGO: MESTRE ZIZA

 

                   

 

Como explicar?

 

Zizinho foi o maior jogador brasileiro antes de Pelé.

 

Na verdade, Pelé era fã de Mestre Ziza.

 

O Flamengo comandado por Zizinho enfrentou o Náutico em 1946.

 

 O estádio dos Aflitos lotado no jogo noturno.

 

O jogo prosseguia 0x0. Domínio Timbu.

 

Desaba uma tempestade.

 

Como um raio no final do primeiro tempo, Zizinho entra tabelando com Adilson.

 

E acerta um tirombaço no canto de Zeca.

 

Aquele foi o jogo de número 223 de Zizinho com a camisa do Flamengo.

 

O seu gol de número 94 no rubro negro carioca.

 

LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, O CRAQUE DAS LETRAS

 

                                        

 

Hoje tive a honra de prosear com uma das lendas vivas da história alvirrubra.

 

Um dos motivos pelos quais escrevo sobre o Náutico. Sou seu fã.

 

Estive com o médico e escritor Lucídio José de Oliveira.

 

Autor, entre outras obras, de um livro monumental sobre o alvirrubro de Rosa e Silva:

 

'O Náutico - a bola e as lembranças' (1988)

 

A história do futebol é construída pelos craques.

 

Mas é preservada nas palavras dos que aplaudem e amam o futebol.

 

E Lucídio é um craque das letras.

 

Cada texto seu, um gol de placa...