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Amaral Dutra me manda uma mensagem.
Daniel Paulista não pertence mais ao Náutico.
Obrigado por tudo, Daniel.
No mais.
Vida que segue.
Final de temporada.
Outros virão.
Sempre foi assim desde que o futebol é futebol...

criado por Roberto Vieira
19:50:03

NÁUTICO NA LIBERTADORES, 1968
Visitando alguns sites. Lendo comentários.
Observando cento e noventa anos da Revolução Pernambucana.
Muitas vezes me sinto tentado a encarar tudo como preconceito.
Coisas do Sul industrial contra o Nordeste tropical.
Turim e Sicília.
Preconceito existe em todo lugar.
Em cada país.
É fruto da ignorancia. Da cegueira. Do ser humano.
Mas no futebol, o preconceito não resiste a bola na rede.
Ao gol.
Ao craque.
O Náutico recebeu elogios ano passado.
Muitos elogios na crítica.
E também recebeu críticas. Muitas críticas.
Quando eu falo de elogios e críticas, eu falo de elogios e críticas de quem sabe o que está falando.
Gente que enxerga futebol com o cérebro.
E não com o bolso. Ou com o tacape.
O Náutico recebeu elogios que não recebia há 40 anos.
Isso mesmo.
40 anos.
Desde o célebre time de Bita.
E colheu estes elogios porque jogou bola.
Com raça. Sem medo. Com valentia.
Porque apresentou ao país um jogador singular: Acosta.
Porque teve um técnico competente: Roberto Fernandes.
Porque jogador e técnico tem um monte por aí.
Qualquer um escala um time de futebol.
Mas entender de futebol tem poucos.
O Náutico foi elogiado porque teve raça e um craque.
Não por causa de suas cores vermelha e branca.
Vocês me perguntam: Mas eles protegem o São Paulo? O Flamengo?
Claro.
Do mesmo jeito que nossos cronistas protegem os três grandes de Pernambuco.
Do mesmo jeito que os juízes marcam pênaltis imaginários por estas bandas.
Mas amigos alvirrubros!
Ninguém resiste ao talento. Ninguém.
Quando a bola bate na rede, é fatal!
Vence o talento.
Mas para que o talento vença.
Vença a desigualdade regional.
Vença os grilhões.
Vença as impossibilidades.
É preciso coragem.
É preciso vontade de vencer.
É preciso união.
É preciso neurônios.
Não vamos permitir que a desculpa do preconceito nos paralise.
Vamos trabalhar em dobro.
Em triplo.
1817 na memória.
Vamos reescrever a história.
Vamos olhar nos olhos dos adversários.
Sem desculpas.
Com talento!

criado por Roberto Vieira
19:22:21

21 de junho de 1978. Copa da Argentina.
Tempos difíceis. Tempos de guerra. Desaparecidos. Operações Condor.
O Brasil vence a Polônia por 3x1.
Aguarda o resultado da partida entre Argentina e Peru que será disputada à noite. Brasil ou Argentina será o adversário da Holanda na grande final.
Os jogadores da Seleção do Peru, Chumpitaz, Oblitas, Cubillas, Sotil e Velásquez conversam com o treinador Marcos Calderón.
Eles não desejam a escalação do arqueiro Quiroga, argentino naturalizado peruano. A família de Quiroga ainda vivia na Argentina.
Ameaças estavam sendo feitas.
O técnico Marcos Calderón aceita o pedido dos seus jogadores.
Porém duas visitas surpreendem os jogadores peruanos nos vestiários.
O general Videla chega acompanhado do secretário de estado norte-americano Henry Kissinger.
Kissinger que era fã de Pinochet e de futebol.
E o técnico Marcos Calderón muda de idéia.
Quiroga é escalado no gol. Cubillas é colocado solitário na frente como centroavante. Velásquez é substituído quando o placar estava em 2x0.
A Argentina precisava vencer por quatro gols de diferença. Faz 6x0 no Peru. Brincando.
Logo após a partida, um aviso chega ao Cartel de Cáli. O narcotráfico pode fazer o pagamento do suborno aos jogadores.
Para os que imaginam ser tudo fruto da imaginação de Cláudio Coutinho. Um insulto aos hermanos. Uma dica.
Vem aí o livro 'El hijo del Ajedrecista 2'.
Livro no qual Rodríguez Mondragón revela as relações entre o narcotráfico, os esportes e a política.
Mondragón, filho e sobrinho dos 'capos' da máfia colombiana.
Pelo sim, pelo não.
Algo de inusitado ocorreu no dia 21 de junho de 1978 em Rosário.
O dia em que uma ditadura passou a perna em outra.

criado por Roberto Vieira
14:48:25
As notícias dos últimos dias confirmam:
O Leão quer ser Timbu.
Primeiro foi o assédio sobre Daniel Paulista.
Depois as peruas sobre Roberto Fernandes se oferecendo ao Sport.
E agora o presidente Milton Bivar almoçando com Acosta.
Para o Sport não basta ser Sport.
O Leão sempre está em busca de um outro Marcelo Passos...

criado por Roberto Vieira
05:37:17

11 DE DEZEMBRO DE 1974, HEXA É LUXO!
Outros títulos podem ser mais belos. Mais importantes. Mais lembrados.
Para mim o título de 1974 não tem paralelo.
Porque eu não o vi. Papai chegou tarde do trabalho.
Mas ouvi.
Na hora em que as buzinas tocaram e se ouviram os gritos: É campeão!
Pois foi este título que tornou o hexa, um luxo!
O Esporte não existia. Não era campeão desde 1962. Antes dos Beatles.
Antes da Jovem Guarda.
O adversário era o Santa Cruz. Santa Cruz pentacampeão.
Santa Cruz que ameaçava o Hexa.
O Náutico amargava o caos administrativo. Perdia torcida. Perdia jogadores.
Mas em 1973 um grupo de alvirrubros capitaneado por Sebastião Orlando botou a mão no bolso.
Eram tempos em que dinheiro no bolso dava pra comprar jogadores.
E foram buscar Jorge Mendonça. Betinho. Neneca. Beliato.
Sidclei, Dedeu, Paraguaio já estavam aqui.
Então se reuniram com Vasconcelos, Juca Show, Pedro Paulo e Lima. Um timaço.
Hoje seria tranqüilamente campeão brasileiro.
Com um pé nas costas.
Neneca então, abusou. Tomou um gol contra o América no dia 22 de agosto e só foi tomar gol quando se transferiu pro Guarani anos depois.
O Náutico perdeu o primeiro turno. Perdeu um jogo para o Santa Cruz. Pra dar emoção.
Mas era injusto.
Mesmo com Givanildo, Luciano e Rámon, o Náutico era melhor.
E no segundo turno o Santa Cruz bobeou. Feio.
Perdendo para o Ferroviário.
Então o Náutico, predador impiedoso, aproveitou e exibiu suas garras.
Jorge Mendonça fez oito gols no Santo Amaro. Observem bem.
Oito gols em um mesmo jogo.
Só ele fez gol. Todos os oito gols do Náutico. 8x0.
Parecia que era Jorge Mendonça contra a defesa do Santo Amaro.
E o Náutico saiu esmagando quem aparecia pela frente.
O Leão, coitado, levou de 5x0 no dia 27 de outubro. 5x0.
Até que na última partida do segundo turno o Náutico esmagou o Santa Cruz por 3x1. Na presença do Presidente da FIFA, João Havelange, nas sociais Timbus.
E depois venceu duas vezes o tricolor do Arruda com gols de Lima.
1x0. 1x0. Cruel.
Pragmático.
Econômico.
11 de dezembro de 1974.
Hexa é Luxo!

criado por Roberto Vieira
21:53:22