O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Arquivo de: Dezembro 2007, 12

12.12.07

NÁUTICO X FLAMENGO, 20 HORAS NA SPORT TV

 

             

 

Hoje pelo Sport TV tem decisão.

 

O Náutico com 4 pontos enfrenta o Flamengo que tem 6.

 

Se o Náutico vencer estará classificado para a próxima fase do Campeonato Brasileiro Sub 20.

 

O torneio está sendo disputado no Rio Grande do Sul.

 

O grupo do Timbu é o grupo 1.

 

Que já tem o Internacional classificado.

FELIPE NA ILHA?

 

                                                                       

 

                    GUERRA


Primeiro foi Daniel Paulista.


Depois Roberto Fernandes.


Agora chega a vez de Felipe.


Capitalismos à parte, eu pergunto:


O que nos separa da guerra contra o Sport?


E eu mesmo respondo:


‘Nada!’


Todos se proclamam profissionais.


E que profissão é essa que desconhece princípios? Ética?


O nome de tudo o que está acontecendo em Pernambuco não é profissionalismo.


Tem outro nome que não convém aqui escrever.


Dizem que o Sport tem dinheiro.


E daí?


Até a Cosa Nostra respeita o território do rival.


Mas se o nome do jogo é dinheiro, tudo bem.


Ganha quem tem o maior saldo bancário.


Por enquanto.


Porém se faz necessário que nossos dirigentes rompam relações com a Ilha do Retiro.


O momento atual é de GUERRA!


Eu repito: GUERRA!


Pernambuco está dividido.


Quem é a favor do Sport não precisa pisar nos Aflitos.


E alvirrubro não pisa na Ilha do Retiro.


Para os que defendem tais práticas leoninas no dia-a-dia, um recado:


Cuidado!


As pessoas por vezes se julgam espertas. Acham que a vida é um vale tudo.


Mas a vida é feita de esquinas.


Caráter não se encontra fácil no mercado.


Ainda é artigo de luxo.


Quem tem não quer vender.

QUANTO VALE UMA VIDA?

 

O texto abaixo se refere aos torcedores mortos na Fonte Nova. E ao valor de cada vida proposto pelo STJD. 

 

POR ROBERTO VIEIRA

 


O Emir mandou convocar o carrasco. Imediatamente. Muitos documentos esperavam a sua apreciação, mas um fato como aquele ultrapassava a sua compreensão. E fatos como aquele eram perigosos. As pessoas deviam saber que a justiça existia para ser cumprida.


Pouco depois entrou no Grande Salão a figura do carrasco. Era um homem simples, vestido com trajes modestos. Não trazia no rosto aquele semblante que normalmente se associa aos carrascos. Na verdade, se não fosse anunciado o seu ofício ninguém no Grande Salão ousaria adivinhar sua profissão.


O Emir não perdeu tempo. Foi logo indagando ao serviçal:


- Como ousas não cumprir com tuas obrigações?


- Meu nobre senhor, não é este o caso. Cumpri minhas obrigações durante vinte anos. Decepei cabeças conforme me foi ensinado. Aos milhares. Sempre fui fiel ao senhor. Qualquer um dos serviçais do palácio pode confirmar minhas palavras.


- Sei bem disso. Fosse outro e já estaria apodrecendo nas masmorras. Devido ao teu passado foste chamado à minha presença. Responde, pois. Como ousas não cumprir tuas obrigações?


- Já não posso meu nobre senhor.


- Por quê? Deve haver uma explicação!


- Decerto, senhor. Tudo começou com o valor da vida...


- Valor da vida? Que loucura é essa? E tem algum valor a vida de um ladrão?


O carrasco olhou bem nos olhos no Emir. Ainda estava vivo na sua presença. Era uma prova de quanto o estimava o Comandante. Mas não podia recuar.


- Ontem quando executava uma sentença, eu não pude deixar de pensar. O Emir sabe que na minha profissão é proibido pensar. Existe o certo e o errado. Existe a lei. A sentença do Emir deve ser cumprida. O Emir pensa por todos nós.


- Sim, e daí?


- Foi então que ousei pensar.


- E o que você pensou carrasco?


- Senhor, eu pensei com minha fiel adaga que algo estava errado nos meus atos. Eu não posso mais cumprir as tuas sentenças. Passei a noite refletindo sobre esses anos. E soube, desde aquele momento que estava me condenando. Mas o meu senhor deve saber. O que pode um homem contra uma verdade que se agasalha no seu coração? Nada pode. O homem só tem duas alternativas: Ou segue o seu coração, ou se torna um infiel.


- Qual foi o pensamento que transtornou teu coração?


- O nobre Emir é sábio. Diria que é justo na maioria das sentenças. Não se deixa levar pela emoção. Decide amparado na Lei. Mas existe uma lei que o Emir não pode cumprir, pois lhe falta poder sobre tal.


O Emir fechou os punhos. Gostava do carrasco. Era um homem bom. Mas estava indo longe demais.


- Em que me falta poder nessa terra, carrasco? Eu posso tudo!


- Não, senhor. Lamento lhe informar que o nobre senhor não pode tudo.


- E o que eu não posso, carrasco? O que eu não posso?


- Senhor! Estás vendo aquelas montanhas?


E o Emir olhou na distância as colinas do Vale da Morte. Onde eram enterradas as vítimas do carrasco.


- Pois bem meu nobre senhor. Se for verdade que tudo podes, dizei uma palavra e ressuscita um só daqueles que estão adormecidos no Vale da Morte. Um só. Se um só daqueles homens tornar à vida, também eu retornarei ao meu ofício.


Olhando na distância o Emir ficou em silêncio. Grande era o seu poder. Mas tal poder residia em prender, em matar.


O poder de criar a vida do nada não lhe era permitido.


Um dia ele também iria repousar no Vale da Morte. Ele e o carrasco. Lado a lado. Iguais.


Nunca mais houve sentenças de morte no Reino do Emir.


O carrasco foi convidado para ser um dos seus conselheiros.


E o valor da vida humana permanece desconhecido. Mesmo quando os tribunais insistem em estimar o inestimável.


O homem pode roubá-la.


Mas apenas Allah, misericordioso e justo, pode criá-la do Vale da Morte.

ENQUANTO ISSO, NA FONTE NOVA...

 

- Acho que foi um exagero.


- R$ 10 mil?


- É muito. Nosso futebol é deficitário.


Silêncio.


- Com R$ 10 mil dava pra contratar um zagueiro. Juntando tudo dava um atacante.


- Podia ser pior.


- E a gente te paga pra quê. Pra perder dinheiro?


- Mas chefe, foram sete mortes.


- Já morreram. Foi uma fatalidade. Mas não valiam 80 mil reais.


Na televisão um jornalista reclama do julgamento do STJD. Fala da vida humana no Brasil. Vida que vale tão pouco.


- Agora vão ficar repetindo essa lengalenga.


- Um dia cansam.


- Queria ver se fosse no bolso deles.


- Posso ir agora?


- Ainda não. Preciso de mais uma coisa.


- Pois não?


- Libere o anel inferior da Fonte Nova. Recorra da sentença.


- Mas chefe...


- Deixa de falsos pudores! Ali embaixo não dá pra morrer ninguém!

                              Mortos na Fonte Nova 

Márcia Santos Cruz, 27 anos;
Jadson Celestino Araújo Silva, 25 anos;
Milena Vasquez Palmeira, 27 anos;
Djalma Lima Santos, 31 anos;
Anísio Marques Neto, 27 anos;
Nidia Andrade Santos, 24 anos;
Joselito Lima Jr, 26 anos.

AS MORTES NA FONTE NOVA

 

 

POR JUCA KFOURI

O Superior Tribunal de Justiça Esportiva condenou o Bahia a pagar R$ 80 mil e a perder sete mandos de jogos pelas sete mortes acontecidas na tragédia da Fonte Nova.

Pouco mais de R$ 10 mil por morte e apenas um jogo para cada torcedor morto.

E isso no dia em que se anunciou a desfaçatez da direção do Bahia que pediu a liberação do anel inferior da Fonte Nova para seus jogos no ano que vem.

Para se ter uma idéia da desproporção das penas, na mesma noite no STJD, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, que não está a três meses no cargo, foi suspenso por um mês pelo atraso de 20 minutos na partida contra o Grêmio, no estádio Olímpico, um dia e meio por minuto atrasado.

O Corinthians ainda foi condenado a pagar R$ 35 mil pelo atraso, quase a metade do que o Bahia pagará.

Não se discute aqui a correção da sentença que condenou o Corinthians, embora também pareça branda.

Mas é um absurdo sem tamanho que um atraso de 20 minutos seja equivalente, em dinheiro, a quase a metade de sete mortes.