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Arquivo de: Dezembro 2007, 15

15.12.07

NÁUTICO CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1976

 

Hoje, o Náutico homenageia os atletas do futsal. Futsal eneacampeão pernambucano.

 

Campeão Brasileiro de 1976.

 

Uma conquista épica.

 

Vai ter muita emoção no CT da Guabiraba a partir das 8 horas.

 

                  

                             CAMPEÕES BRASILEIROS DE 1976

POR ROBERTO VIEIRA

 

Enquanto o futebol de campo encerrava a campanha do HEXA, outra saga iniciava-se em Rosa e Silva. Em 1968 o Náutico sagrou-se campeão pernambucano de futsal. Logo depois venceu o Norte-Nordeste e por fim sagrou-se vice-campeão brasileiro do mesmo ano. A Academia dos Aflitos, como passou a ser conhecida, prosseguiu sua trajetória vencedora sendo campeão pernambucana em 69/70/71/72/73/74 e 75, além de conquistar o Norte-Nordeste em 70,72 e 76. Outras duas vezes voltou a sagrar-se vice-campeã brasileira em 1970 e 72. Mas o Timbu queria mais.

Em janeiro de 1976 com o título pernambucano de 1975 sub judice, o alvirrubro pernambucano rumou para conquistar o tão almejado título brasileiro.

A primeira fase do campeonato teve lugar em João Pessoa no Ginásio do Cabo Branco. A deficiência dos meios de comunicação da época impossibilitou os seus torcedores de acompanhar as batalhas decisivas mais de perto. Ainda hoje, poucos conhecem os detalhes desta conquista inesquecível.

O primeiro jogo teve lugar em 8 de janeiro contra o poderoso Vargas Filho do Ceará, estado que ostentava já um título brasileiro com o SUMOV. Para complicar o central Chico foi expulso. Apenas com três jogadores o Náutico reagiu ao primeiro gol cearense, empatando através de João de Deus. O fenomenal Fêo segurou o 1x1.

Na segunda partida uma goleada de 9x0 contra o Olímpico de Manaus com tentos de Helinho (2), Tochó (2), João de Deus, Mirinda, Martins, Paulo e Jorge.

Encerrando a fase de João Pessoa vencemos por 3x2 o Tuna Luso do Pará com gols de João de Deus (2) e Mirinda.

Naqueles tempos de amadorismo o Náutico fez uma cota para comprar as 15 passagens para Cuiabá, local das finais. O nome dos colaboradores encontra-se hoje no livro de ouro do futebol de salão. Na lista encontram-se nomes tão distintos como Rubens Moreira, Ivan Lima e Fernando Menezes, e inúmeros outros que não vou citar para não cometer injustiças. Além deles o Diário de Pernambuco e a Rádio Clube auxiliaram financeiramente. O Presidente de Honra da delegação foi Gustavo Krause.

Na capital mato-grossense a primeira partida foi contra o Corinthians, então campeão brasileiro. O time paulista fez 1x0 e o Náutico foi pra cima contra o quinteto do Parque São Jorge e contra toda a torcida local. João de Deus carimbou a trave três vezes. Faltando três minutos para terminar a peleja, Tochó recebe um passe de João de Deus e enfia o pé numa bomba: 1x1.

O Náutico então enfrenta o Mackenzie, campeão carioca cujo técnico era Rubinho técnico da seleção brasileira. João de Deus explode duas vezes as redes cariocas: 2x0.

O BANESPA, clube do poderoso banco paulista dos anos 70 e 80 marca dois gols de frente na terceira partida. Mas no segundo tempo numa reação fulminante Tochó e Paulo deixam tudo igual. Vale ressaltar que nesse ponto a torcida já era toda alvirrubra. Cuiabá passou a ser uma filial de Rosa e Silva.

Veio o forte Olímpico de Minas Gerais. João de Deus marcou 1x0. Fêo achou que não ia levar gol. Então fecharam o cadeado e terminou 1x0 mesmo.

O quinto jogo foi contra o Vargas Filho novamente. E novamente o resultado foi 1x1 gol de Paulo. A trave decidiu jogar com os cearenses nesse dia. Mas este placar era na verdade excepcional. Ele permitia aos timbus jogarem por um novo empate na final contra o BANESPA.

Nos primeiros dias de fevereiro de 1976 o mundo anunciava o fim da democracia argentina. Carter se tornaria o primeiro sulista presidente dos EUA desde a Guerra Civil Americana. O Náutico preparava a sua festa de 75 anos com a Orquestra Sinfônica do Recife nos salões do clube.

Em Cuiabá entravam em quadra 13 homens e um destino: A V Taça Brasil. Um sonho acalentado durante oito longos anos de suor e garra.

O técnico Ranulfo Guilherme queria a vitória. E os jogadores foram buscá-la, embora o empate já fosse suficiente. Com um gol de Tochó, o Náutico vence o BANESPA, sagrando-se Campeão Brasileiro de Futsal após três vice-campeonatos seguidos. Receberia a Taça da CBD e o Troféu Estado do Mato-Grosso. O Ginásio local reconheceu o banho de bola aplaudindo de pé os heróis alvirrubros.

No mesmo ano o Náutico se sagraria bicampeão invicto mirim de Pernambuco.

Os heróis:

Goleiros: Fêo, Xaxá e Alexandre

Alas: João de Deus, Alberto, Jorge e Paulo

Centrais: Martins, Chico e Aluisio

Pivôs: Helinho, Tochó e Mirinda

Técnico: Ranulfo Guilherme

Preparador Físico: Elói dos Santos

Diretor: Joaquim Pereira 
 

CARTA AO PRESIDENTE DO NÁUTICO

 

 

Caro Presidente Maurício Cardoso,


Hoje é um dia de festa. Um dia de posse. Um dia de tapinhas nas costas.

Um dia de sentar na cadeira que pertenceu a João Victor da Cruz Alfarra em 1901.

A cadeira do grande Eládio de Barros Carvalho durante doze anos.

O Náutico andava desaparecido das páginas esportivas. Esquecido.

Até que ressurgiu no ano de 2001 durante a gestão de André Campos.

Ressurgiu forte. Vencedor.

Imune ao tempo.

Mas o tempo é cruel, caro Presidente. O tempo não tira férias.

A partir de hoje começa o futuro alvirrubro.

E amanhã já não será um dia de festa. Nem dia de posse. Nem dia de tapinhas nas costas.

Amanhã os problemas baterão em sua porta. Dia e noite. Inclementes.

Porque o Náutico deve ser respeitado do Oiapoque ao Chuí. Como foi nos anos 60.

O Náutico deverá lutar para participar novamente de uma competição internacional. Como na Libertadores de 68.

Aliás, o senhor terá a honra de dirigir o Náutico em um ano histórico.

O ano em que se completam 40 anos do Hexa.

Hexa que é a nossa glória maior. Hexa que é motivo de inveja dos adversários.

Hexa que manteve unida a família alvirrubra na caminhada pelo deserto dos anos 90.

É uma honra, senhor Presidente.

Os 40 anos devem ser homenageados.

Com um olhar no passado, aqueles antigos heróis devem ser trazidos de volta à mídia.

Seus depoimentos gravados. Preservados. Exibidos em um futuro Museu da História do Náutico.

Um museu aberto na sede para a visitação de alvirrubros e turistas.

Um museu onde a paixão Timbu seja convenientemente saudada.

Mas, os 40 anos do Hexa também significam um olhar para o futuro.

Para as divisões de base.

Os garotos são nosso futuro. O CT da Guabiraba, nossa exceção no futebol pernambucano.

O Campeonato Brasileiro Sub-20 foi um bom começo.

Sempre devemos lembrar que sem a juventude não existiria o Hexa.

Comprar é secundário. O primordial é formar.

Depois, continuar a reforma da sede e do estádio. Dar conforto aos sócios. Tornar os Aflitos um estádio de primeiro mundo.

Sonho?

Sem sonhos não existiria o Náutico.

Mas o Náutico não é apenas futebol.

E a natação, o basquete, o hóquei estão aí. Pedindo apoio.

Como se vê, são muitos os desafios.

Mas o que é o desafio para um alvirrubro? O desafio é nossa maneira de viver.

O tempo é de união. De profissionalismo nos gabinetes, nas decisões, na administração.

Para que o coração amador possa gritar 'CAMPEÃO' nas arquibancadas. Não uma, nem duas vezes.

Porém, muitas e muitas vezes. Infinitas, como nosso amor pelo clube.

Parabéns pela eleição.

E boa sorte, a gente também precisa de sorte nessa vida.

Que o Náutico siga dignificando os seus 106 anos de glórias.

Para que amanhã, o período de Maurício Cardoso na presidência seja lembrado com saudade.

Porque ser presidente é coisa passageira.

Mas ser alvirrubro é coisa pra toda a vida.

 

O NOVO ESTÁDIO E O CORAÇÃO

 

               

 

Leio em reportagem da Nauticonet que vem aí uma Arena do Timbu.

 

Boa idéia.

 

O nosso Morumbi.

 

Mas se a razão concorda e aplaude.

 

O coração tem razões que a própria razão desconhece.

 

E eu fico pensando nos Aflitos.

 

Em seu nome único.

 

Nas alegrias e tristezas que este amor nos trouxe.

 

E quase sinto vontade de dizer: Não!

 

A partir de hoje começo a publicar fotos do arquivo do médico e escritor alvirrubro Lucídio Oliveira. Um arquivo que deveria ser parte integrante do Museu do Náutico.

O VELHO BALANÇA MAS NÃO CAI...

 

             

 

Em 2007 o Náutico fez juz ao seu antigo placar.

 

O 'Balança mas não cai'.

 

Nome de um antigo humorístico do rádio e da televisão.

 

Que tinha seu nome retirado de um antigo prédio no Rio de Janeiro.

 

Prédio de mil e uma noites.

 

Como o Holiday em Recife.

 

Pois ano passado, a Série A foi um ano de balança mas não cai.

 

Um verdadeiro conto das mil e uma noites.

 

                    

 

FOTO DO ARQUIVO DE LUCÍDIO OLIVEIRA