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ALMIR E PELÉ
Riquelme não é Pelé.
Mas faltou ao Boca um Almir. Apenas um.
Almir que tinha uma alma mais portenha que os portenhos de hoje em dia. Almir que jogou pelo Boca nos anos 60.
Almir que era sobrinho de Obdulio Jacinto Nunes Varela por parte de pai.
E sem um Almir, o Boca é um time humilde. Educado. Onze dândis em campo.
A final foi insípida. Como insípidas são quase todas as finais de hoje em dia.
Estéreis. Assépticas. Profissionais.
Sem lágrimas. Sem sangue. Sem Almir.
Não.
Eu não falo do Almir que se dopava. Do Almir corrompido nas entranhas do futebol brasileiro.
Eu falo do Almir que lutava os noventa minutos de um jogo. O Almir que já não existe mais nos campos de futebol.
Do Almir com alma e coração nas chuteiras.
Imagino um dos times de hoje em dia perdendo uma final para o todo poderoso Milan por 2x0.
Em casa. Dois gols em 16 minutos de partida. Precisando fazer quatro gols no segundo tempo.
Nem voltariam após o intervalo. Estariam derrotados.
Todos empunhando uma bandeira branca.
Terceiro mundo.
Mas quando um time tem Almir. Apenas um.
Tudo pode acontecer. Menos a derrota tetraplégica. Submissa.
Hoje, os italianos levaram a campo um Maldini. Como em 1963.
Também escalaram inúmeros Amarildos e Altafinis. Como em 1963.
E o Boca?
O Boca não tinha Riquelme. Riquelme que não é Pelé.
Mas, principalmente. O Boca não tinha Almir Moraes de Albuquerque.
Almir, o Pernambuquinho.
Com Almir, bandeira branca só se agitava longe de campo.
Nas arquibancadas do Maracanã.
Em 1963 Almir substituiu Pelé machucado na segunda e terceira partida do Mundial Interclubes contra o Milan no Maracanã.
Sua garra fez a diferença.

criado por Roberto Vieira
18:35:42