O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Terra Blog

Arquivo de: Dezembro 2007, 19

19.12.07

ARENA ALVIRRUBRA

 

                    

 

250 milhões de dólares.

 

A Arena Timbu.

 

Sonho ou realidade?

 

Só o tempo dirá.

CONTRATAÇÕES

 

 

O São Paulo contratou Adriano.

 

O Flamengo, Gavilan.

 

O Corinthians levou Acosta.

 

O Fluminense tenta Felipe.

 

Tudo na mais perfeita ordem.

 

Tudo na mais santa paz.

 

Enquanto isso, na província...

A DIALÉTICA DOS DONOS DA BOLA


Por ROBERTO VIEIRA


Quando a gente era pequeno, o dono da bola podia tudo. Ele tinha a bola. Ele detinha o poder. A gente até podia tirar a bola dele. Mas no dia seguinte ele ainda seria o dono da bola. Então, era melhor ser amigo dele. A gente botava ele em alguma posição de ataque e ignorava. Embora de vez em quando deixássemos marcar um gol. Ou dois.


No futebol de gente grande, os donos da bola no século XX foram os cartolas. No início a Casa Grande dominava as tribunas e o campo de jogo. Mas com o passar do tempo eles foram ficando cada vez mais nas tribunas. E os menos afortunados trataram de fazer gols em troca de alguns trocados.


Em tese, o século XX foi o século dos contratos de gaveta, da Lei do Passe, da escravidão do atleta pelo patrão. Patrão que era o dono da bola e podia tudo. Deixar sem jogar, infiltrações nos joelhos, doping e troca-troca. A torcida sofria. Mas os donos da bola sempre se davam bem. Iam nas mesmas festas. Casavam com as mesmas famílias. Tomavam Moët & Chandon.


Os grandes craques ganhavam algum dinheiro. Os demais viviam aventuras de navio negreiro. Afonsinho era um.


Mas os dias dos donos da bola estavam contados. Um negócio milionário como o futebol não podia ficar na mão apenas de quem tinha uma pelota de couro. Embora o couro fosse de pelica. Os jogadores reclamavam mais dinheiro. A propaganda era a alma do negócio. As televisões pagavam caro pelas transmissões.


Foi quando os jogadores sonharam ser livres. Livres do dono da bola.


E chegou a figura do empresário. Contratos e mais contratos. Primeiro 10%. Depois 20%. Os representantes dos jogadores foram assumindo o lugar do pai, do irmão mais velho. Dos familiares que resolviam o contrato para seus parentes. Como o Coronel Menezes resolvia os contratos do artilheiro Ademir.


Foi bom para os atletas. Eles passaram a receber mais. Foram valorizados. Já não eram escravos dos donos da bola. Até que a coisa começou a ficar mais complicada. Alguns atletas eram empresariados desde a adolescência. Outros desde a infância. Alguns eram negociados antes do nascimento. Outros começaram a pedir a benção ao empresário.


Benção Painho!


Os jogadores atuavam em dezesseis times por temporada. Hoje faziam um gol pelo River Plate. Amanhã juravam amor eterno ao Vasco da Gama. E na semana seguinte ganhavam passaporte italiano. Messi já era Messi e nenhum argentino sabia. Arapucas eram armadas por todo o mundo para cooptar jovens atletas.


Novamente os grandes craques nadavam em dinheiro. Os demais viviam aventuras de navio negreiro.


As contradições do mundo dos cartolas levaram ao surgimento da figura do empresário. O futebol evoluiu como negócio. Alguns atletas se beneficiaram das imensas somas envolvidas nas transações. Os clubes perderam o poder de barganha devido à administração caótica das suas paixões. Interesses secundários movem as disputas. Os torneios. Interesses muito maiores que as cores dos clubes. E a isso se dá o nome de profissionalismo.


Profissionalismo que permite a lavagem de dinheiro nos clubes ingleses, a máfia no campeonato italiano e os truques de Mandrake no futebol brasileiro.


Os donos da bola são outros.


Mas o jogador continua refém. E o torcedor também.

OS DONOS DA BOLA

 

 

                  

                                     JUAN FIGER E LÚCIO

 

Não, meus amigos.

 

O craque não é o dono da bola.

 

Os dirigentes se tornaram figuras decorativas com a Lei Pelé.

 

E não se trata de olhar o passado com saudosismo.

 

O passado era da escravidão da Lei do Passe.

 

Mas se tornou o presente da Lei da Oferta e da Procura.

 

Lei que eu admiro.

 

Mas quando realizada de forma clara. Na luz do dia.

 

Não, meus amigos.

 

Os donos da bola são os empresários.

 

Empresários que ninguém sabe quem é.

 

Não falo desses empresários que aparecem nos jornais.

 

Tais empresários são a ponta do iceberg.

 

O perigo real e imediato repousa silencioso.

 

E é extremamente mais poderoso.

 

Detesta a mídia.

 

Vive à espera do Titanic que existe em todos nós.

 

Portanto, os donos da bola não estão nas arquibancadas.

 

Os donos da bola estão contando suas pratas. 

 

Estourando suas champanhes.

 

Nos artigos abaixo, uma pequena seleção sobre o que já foi escrito sobre um deles:

 

Juan Figer.

 

Uruguaio. Milionário.

 

O homem que comandou a ida de Acosta para o Corinthians.

 

O homem que conduz Valdívia.

 

O dono da bola!

QUEM É JUAN FIGER?

 

AGÊNCIA ESTADO, 19.12.2007

 

Juan Figer não aparecia em público há anos. Não dava entrevista há muito tempo. Tornou-se, ultimamente, misterioso personagem do esporte: um senhor responsável por milionárias transações, que viaja o planeta, mas não suporta os flashes fotográficos.

Usando terno discreto e óculos de aro vermelho, o mais influente empresário do mundo do futebol ressurgiu ontem, num luxuoso hotel de São Paulo. O objetivo do evento foi divulgar o lançamento da Bigger, sua empresa de marketing em parceria com José Victor Oliva.

Mas Figer nem sequer quis subir ao palco durante a cerimônia apresentada pelo ator Lázaro Ramos. Foi representado pelo filho Marcel e ficou na platéia. Não escapou, no entanto, dos flashes e das inúmeras perguntas.

Ao contrário, resolveu falar como em poucas ocasiões.

 

Desde 1970 no futebol, o uruguaio de 71 anos é cada vez mais poderoso, muitas vezes contestado. Mas pretende seguir no ramo até o fim da vida. "Se você parar, você morre", disse ao jornal O Estado de S. Paulo, com marcante sotaque, apesar de viver desde 69 no Brasil . Embora não admita, Figer é quem dita a regra em boa parte das grandes negociações. É amigo dos principais dirigentes do Real Madrid, tem excelente entrada no Milan, é procurado pelos melhores jogadores da atualidade e conhece inúmeros chefes de Estado. Em quase quatro décadas de carreira, intermediou mais de mil negócios e tornou-se milionário. "Mas não me considero tão importante, só procuro me informar e me relacionar bem com os clubes."


Sua receita provém do porcentual das transações de que participa. "Você não vai conseguir ganhar sempre. Se eu faço seis negócios e dois dão resultado, já me considero satisfeito." O segredo é manter o bom relacionamento com a diretoria dos principais clubes.


No São Paulo, por exemplo, sempre teve estreito relacionamento com Marcelo Portugal Gouvêa, ex-presidente, e Juvenal Juvêncio, o atual comandante. Foi com o São Paulo, por sinal, que fez o primeiro negócio, em 70 - trouxe do Uruguai Pablo Forlán, que se tornou ídolo dos tricolores. Conta, com orgulho, ser o responsável pela abertura do mercado na Turquia. O meia Alex, ex-Palmeiras, joga lá por suas mãos. E tem grande influência nas contratações do Real Madrid. Vanderlei Luxemburgo, por exemplo, esteve em Madri por sugestão sua.


Vai a jogos no mundo todo - esteve na Copa para ver o Brasil, sua grande decepção - e admite simpatia pelo Palmeiras, embora não torça por nenhum clube. "Torço pelos meus jogadores (que são centenas)."