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BITA, O MATADOR DE LEÕES!
Em 1965 os Beatles emplacaram cinco músicas em primeiro lugar nas paradas americanas. Já o Náutico contribuiu decisivamente para a extinção dos leões da face da terra. Quando o timbu aparecia em campo, os adversários gritavam Help!
Tudo começou na disputa da Copa Norte. Como bicampeão pernambucano o alvirrubro viajou a Belém para enfrentar o Remo. O time paraense cometeu o desatino de vencer por 3x0. Pra que? Nos dois jogos de volta nos Aflitos, duas vitórias do Náutico por 3x1 e estava morto o leão azul.
Alguns dias depois surgiu pela frente o Vitória da Bahia. Desta vez o impiedoso marsupial não deu chance pro azar. Ganhou de 2x0 na Boa Terra e em Recife, credenciando-se para a grande final. Estava executado o leão da Barra.
Restou o Fortaleza da terra de José de Alencar. O alvirrubro foi ao Ceará e venceu por 3x2. Em casa numa noite de festa repetiu o marcador: 3x2. E olhe que Bita ainda desperdiçou um pênalti no início da partida. Estava empalhado o leão do Pici.
Vendo a tragédia atingir os seus parentes, o leão da Ilha desafiou o Náutico para um duelo com hora e local marcados. E no dia 6 de outubro, 14.810 pagantes presenciaram o tira-teima no Estádio Eládio de Barros Carvalho, sob a arbitragem de Sebastião Rufino.
O Timbu formou com Joélcio; Gena, Mauro, Gilson Saraiva e Clóvis; Didica e Ivan; Nado, Bita, Nino e Lala.
O Sport alinhou Pedrinho; Adilson, Baixa, Dodó e Helmiton; Gojoba e Chico; Isaac, Nimas, Neco e Fernando José.
No primeiro tempo parecia que a vingança seria completa. Marcando os dois extremas alvirrubros o Sport abriu o marcador logo aos 8’ com Chico cobrando falta. Pouco depois Dodó faz pênalti em Nino e Bita empata. Porém, no final da etapa inicial Neco em duas escapadas faz dois gols e o Náutico desce para os vestiários perdendo de 3x1.
O silencio toma conta da torcida timbu quando Neco, no início da etapa complementar, perde chance clara de ampliar o marcador. Os rubro-negros já preparam a festa quando o Náutico começa a botar a bola no chão e envolver o adversário. Alguns torcedores mais apressados já estavam na rua quando aos 27’ Nino sobe de cabeça para diminuir o marcador. Um minuto depois um chute de Lala pega Pedrinho desprevenido e iguala o placar. O técnico Dante Bianchi do Sport leva as mãos à cabeça em desespero e não acredita no que está acontecendo. Bita vira o jogo: 4x3. No apagar das luzes Lala novamente marca decretando o inacreditável 5x3!
Quatro gols em 18 minutos de peleja. Está enterrado o leão da Ilha!
No Brasil chegavam os ecos de Yesterday na voz de Paul McCartney.

criado por Roberto Vieira
19:22:31
O dia em que o Esporte quebrou a invencibilidade do Náutico nos Aflitos.
O Clássico do Bode.
Um dia em que nada deu certo.
Valter salva o gol na cabeça de Fernando Lima.
Se bem que foi uma vitória de Pirro.
Ou de bode, como preferirem.
O Esporte ainda passou mais seis anos na fila.

criado por Roberto Vieira
19:02:12
FERNANDO E BETANCOUR
Adonias de Moura escreveu sobre esta final.
'Uma tragédia para o futebol!'
Ninguém queria nada com nada.
Betancour até que tentou.
Mas Traçaia e Enio Andrade dormiram em campo.

criado por Roberto Vieira
18:54:21

O Santa Cruz precisava vencer para ser campeão do returno.
E venceu categoricamente.
4x0. Em agosto de 1969.
Credenciando-se para enfrentar o Esporte nas finais.

criado por Roberto Vieira
18:47:44
Aos que amam o futebol. Para ler e pensar...
POR LUCÍDIO OLIVEIRA
A propósito de Náutico 4x2 Sport, decisão de 1963, eu já contei esta história, a mim contada pelo próprio Ivan Brondi.
Ivan era o capitão e o cérebro da equipe, desde o primeiro ano do Hexa. Vocação para liderança. Homem de confiança do argentino Alfredo González, treinador do Náutico no início da jornada.
No dia do 4x2, jogo noturno nos Aflitos, a segunda partida da melhor-de-três – o Náutico ganhara a primeira, na Ilha, 3x1 – Ivan, estudante secundarista, tinha uma prova com o professor Palhano, segunda época, no Colégio Padre Felix, na Conde Boa Vista esquina com Soledade. A concentração do Náutico ficava no casarão da Rua Santo Elias, no Espinheiro. Falou ao treinador que não poderia deixar de fazer a prova. Era faltar e perder o ano, o vestibular de Odontologia cada vez mais distante. González autorizou que ele fosse. Nada de levar ao conhecimento de um diretor ou coisa parecida. Tinha carta branca e sobrava autoridade para tanto.
Ivan foi fazer a prova. Cumpriu a obrigação escolar. Deixou o colégio às pressas, já passava das oito horas, o jogo começa às 9 e quinze, não tinha essa história de jogo da novela. Pegou um taxi. Na Rosa e Silva, o esperado engarrafamento de dia de clássico decisivo.
À altura do Hospital do Centenário – era assim chamado o hoje Hospital dos Servidores – o motorista, um sujeito correto e sobretudo honesto, bateu com a palma da mão direita no joelho de Ivan, e falou: - “Moço, é melhor o senhor seguir a pé. – De táxi, quando o senhor chegar no campo, o jogo já tem começado...” Ivan atendeu a sugestão do motorista.
E foi assim, suado e ofegante, porque teve que apressar o passo, que entrou no vestiário, onde os companheiros já estavam no aquecimento.
Em campo, comandou o espetáculo. Foi o maior figura do gramado. Unanimidade na escolha do melhor, apesar de Bita e dos dois gols de Rinaldo.
No dia seguinte, o Jornal do Commercio, sempre um órgão sóbrio, parcimonioso nos elogios, registrava sobre o “pequenino Ivan”: - “nunca um craque correu tanto quanto Ivan na noite passada, constituindo-se na grande figura do quadro vitorioso.”
Hoje, o episódio teria chance de ser repetido? Seguramente, não. Os tempos são outros.

criado por Roberto Vieira
18:36:13