O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.
<  Janeiro 2008  >
S T Q Q S S D
  1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31      
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: Janeiro 2008, 15

15.01.08

UM TABU DE 57 ANOS

 

                   

                     1951, A DERROTA QUE NINGUÉM ESPERAVA



POR ROBERTO VIEIRA



Alguns amigos me perguntaram sobre a derrota do alvirrubro frente ao Serrano. Amigos rubro negros e tricolores.

Eu nunca gostei de derrota. Quem gosta de derrota é masoquista.

Porém, mesmo não gostando da derrota, o torcedor timbu sabe que o time tem força e elenco para reagir.

Roberto Fernandes é inteligente, matreiro. Nosso comandante sabe onde quer chegar.

No campo das estatísticas, no entanto, o quadro não é tão alentador.

O Náutico nos anos em que se sagrou campeão pernambucano sempre venceu o jogo de estréia. Exceto em 1951.

Senão, vejamos.

Em 1934 uma difícil vitória sobre o Encruzilhada: 4x3. Jogo que foi até suspenso.

1939 assistiu um clássico na estréia do alvirrubro. Um clássico com vitória de 4x2 sobre o Santa Cruz.

Em 1945, goleada de 4x1 em cima do Great Western.

1950 foi contra o Íbis: 3x0.

A única derrota aconteceu em 1951 ante o Esporte: 1x3. Mas foi uma derrota significativa. O Esporte marchou na frente do campeonato até a espetacular virada do dia 22 de novembro. O jogo em que o Náutico ganhou por 5x1 com 10 jogadores. A virada que levou o time ao bicampeonato.

Foi um típico caso de mal que vem pro bem...

Prosseguindo, em 52 foi 2x0 no América.

1954 e novamente Great Western, 2x0.

Em 1960 um massacre; 8x0 no Íbis.

1963 foi o ano da estréia do Centro Limoeirense. Ganhamos de 2x0 com gols de China.

1964, um empate: 2x2 com o Central. Na sequencia 2x2 com o América. O resto foi festa.

1965 metemos 7x1 no Ferroviário.

1966 foi 6x1 no Íbis.

1967 trouxe um estranho empate em 0x0 com o Santo Amaro. Não era o dia.

1968, 3x0 no Santo Amaro.

Os anos se passaram até o 3x0 no Íbis em 1974.

Em 1984 no dia 3 de junho 8x0 sobre o Ferroviário no Arruda.

3x0 no Sete de Setembro em 1985.

E o 3x1 no América em 1989.

No século XXI tivemos a vitória sobre o Vitória por 2x1 em 2001. Jogo dramático, por sinal.

Em 2002 um 4x3 contra o Intercontinental.

E em 2004 um empate de 2x2 com o Petrolina, quando a equipe já comemorava a vitória. E pior, seguido por uma derrota por 2x1 para o Porto.

Em 2008 quem é supersticioso já sentiu calafrios quando o Náutico pediu pra jogar primeiro com o Serrano.

Tudo porque em 1963, no começo da jornada do Hexa, o primeiro jogo do Timbu foi justamente contra o Centro Limoeirense nos Aflitos. Nada mais lógico que fazer uma grande festa novamente, 45 anos depois contra o mesmo Centro Limoeirense. Chamar os antigos ídolos. Soltar fogos. Ganhar com publicidade.

Mas decidiu-se ir primeiro para Serra Talhada. Um jogo reconhecidamente difícil.

Colheu-se a derrota. Derrota que pode não significar nada no frigir dos ovos. Ou pode significar tudo. A manutenção de um tabu que já dura 57 anos.

Quando perde na estréia, o Náutico não ganha o campeonato pernambucano.

Mas tabu só existe pra ser quebrado.

E como diz Celso Cordeiro, o Timbu ultimamente vive quebrando tabu!

 

O artigo acima seria impossível sem a colaboração do grande alvirrubro Carlos Celso Cordeiro

 

BALA PERDIDO, BOLA PERDIDA

 

Carlinhos Bala é um jogador controvertido. Pelo visto e pelo texto abaixo, até mesmo na Bahia...

 

TEXTO MARCELO TORRES**



O Vitória queria levar Carlinhos Bala.

Graças às rezas da torcida, o negócio não vingou.

Bala no Vitória seria um tiro no pé.

Um tapa na cara da torcida.

Bala é persona non grata para nós, rubro-negros baianos.

Nós temos memória.

Dia 15 de março de 2006, a data tá fresquinha na lembrança.

Santa Cruz X Vitória, jogo de ida pela Copa do Brasil.

Carlinhos, o Bala, atirou com a língua, aliás, falou pelos pés.

"O Santa Cruz é da primeira, o Vitória é time de terceira", ele debochou.

Cutucou o Leão com língua curta.

A partida terminou empatada: 2 a 2 (ainda bem que não foi em patadas).

No Barradão, o time da terceira meteu 3 a 2 e eliminou o time da primeira.

"Nada como um dia após o outro e uma partida no meio", eu filosofei baianamente.

Esse Carlinhos é uma bala perdida! É uma bola perdida. Carlinhos Bala perdido!

Ainda em 2006, após o retorno à primeira, o Santa voltou a pegar a cruz da segunda.

E o Vitória, após cair para a terceira, galgava as escadas da segunda, rumo à primeira.

Em 2007, entre a subida do Leão e a descida da Cobra, dois duelos.

Pena que no meio do caminho não tinha um Carlinhos Bala.

Bala foi soltar suas pérolas na toca de outro Leão, na Ilha no Retiro.

E não teve Arruda que desse jeito, o tricolor, um velho freguês, perdeu mais duas pro rubro-negro baiano.

Em 40 duelos, o Vitória ganhou 19 vezes (47,5%), houve 11 empates (27,5%) e o Santa venceu 10 partidas (25%).

Pior (para a Cobra Coral): enquanto o Vitória subia para a primeira, o Santa despencava para a terceira.

Ou seja, além da queda, o coice.

"Nada como uma divisão após a outra e dois confrontos no meio", voltei a pensar.

Agora, nós poderíamos dar o troco, falar essas besteiras de primeira, segunda, terceira.

Mas não.

Primeiro, porque o Santa - assim como o Sport e o Náutico - são co-irmãos e merecem respeito.

Segundo, Carlinhos Bala, sem ser craque, é um traque que só dá jebu - ou chabu, como dizemos na Bahia.

Por último, nós sabemos, tudo pode ser ilusão passageira.

Como uma bola.

Ou como um Bala.

Perdido(a) ou não.

 

** Marcelo Torres
(baiano, jornalista, radicado em Brasília, torcedor do Vitória e escrevedor de inutilidades)