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Semana de estréia contra o Centro Limoeirenese.
Salomão assina contrato.
De luvas, um apartamento.
Ao preservar o craque, o Timbu garantia seis títulos na bagagem.
Craque não tem preço.
Tenho, porém, uma dúvida:
Será que Salomão ainda tem esse apartamento?
Respostas ao Blog.

criado por Roberto Vieira
19:43:40

Edmilson não dorme.
Foi escalado para deter o extraordinário Nado.
Insônia. E derrota.
O Náutico partia rumo ao HEXA!

criado por Roberto Vieira
19:34:51

VALDEMAR, RINALDO, IVAN E CIA LTDA.
Hoje é um dia histórico.
O Náutico estréia no campeonato em seu estádio contra o mesmo adversário de 45 anos atrás.
O Centro Limoeirense.
Era o dia 19 de maio de 1963.
O Timbu venceu por 2x0. Gols de China.
Quem sonha, imagina que logo mais os deuses do futebol irão estar presentes nos Aflitos.
Todos eles.
Foto gentileza do alvirrubro Lucídio Oliveira

criado por Roberto Vieira
16:53:04
Há muito tempo atrás o homem descobriu que existem duas formas de dominar outro homem.
A primeira forma é pelo uso da força. Um país invade outro país. Tortura e mata os cidadãos. Modifica as leis. Cobra impostos. Transforma as pessoas em escravos. De quebra, obriga a mudança dos costumes ancestrais. Oferece cidadania e passaporte aos que aderem à nova ordem. Criam um Porto Rico em cada esquina.
A segunda forma é mais sutil. Baseia-se no uso da propaganda.
Propaganda que pode vir em forma de cinema, música, futebol, jornalismo. Todas são formas de arte. Mas quem tem a força e o dinheiro também possui os instrumentos para tornar a sua arte o princípio dominante. Os gauleses desejavam ser romanos. Os argentinos sonhavam em ser ingleses. Os indianos ansiavam ser aceitos pela Rainha. Mexicanos se vestem como americanos.
Basicamente nada disso é ruim. O sincretismo faz bem a humanidade. As pessoas evoluem pelo contato com outros povos, novas idéias.
Mas as idéias devem fluir em harmonia. Com respeito e igualdade entre as pessoas e os povos. Para que sobrevivam gauleses, argentinos, indianos e mexicanos.
Quando isso ocorre em harmonia, temos a revolução de Chico Science. O Rock sendo reescrito pela batida do maracatu.
Quando isso ocorre, temos João Cabral de Melo Neto. Europeu e nordestino.
Quando isso ocorre, temos Ariano Suassuna. Medieval e agreste.
Quando isso ocorre, temos o futebol-arte, esporte bretão, subvertido pela magia brasileira.
Todos saem ganhando.
Mas imaginar que o respeito e a igualdade existem livres na natureza é uma falácia. Respeito e igualdade são conquistados. Se um povo não é consciente da sua história, ele se tornará um povo colonizado.
É muito mais fácil governar um país com apenas vinte clubes de futebol. Um país onde se grite gol apenas vinte vezes. Para tanto, imagens são repetidas à exaustão nas redes de televisão. Cotas são divididas de forma arbitrária, injusta. Coloca-se para jogar um time que ganha dezenas de milhões de dólares contra outro que recebe uma miséria.
E chamam isso de esporte.
Chegam aos grotões mais remotos de um estado e proclamam que estar na moda é torcer por fulano de tal. E lentamente vão morrendo os clubes de João Pessoa, Maceió, Aracaju, São Luís... Clubes com história, com glórias, com tradição.
E chamam isso Darwinismo.
O frevo não morreu porque o povo pernambucano não quis. E este fato é um presente para todo o país. Mas foi necessário dar condições para nossa música sobreviver. Foi necessário amor. Foi necessário fazer renascer no coração das crianças a paixão pela nossa cultura.
Não quer dizer que não se goste de jazz. Que não se curta Pink Floyd, Madonna, Bach. O mundo é uma imensa usina de idéias, fervilhando, pulsando, criando.
É fantástico poder assistir um festival com reggae, maracatu e hip-hop.
Porém, imaginar que a lavagem cerebral que executam no Nordeste não existe, é querer tapar o sol com a peneira.
Os grandes clubes do sul têm a força da grana que ergue e destrói coisas belas.
Pernambuco tem apenas o verbo. Desde 1817.
Não é o que podemos chamar de guerra justa.
O nome mais apropriado do que ocorre é massacre.
Mas a gente resiste. Ao som de Luís Bandeira. E sempre de braços abertos para os amigos. Pernambuco não quer colonizar ninguém.
Deseja apenas ser Pernambuco!

criado por Roberto Vieira
12:26:09
POR LUCÍDIO OLIVEIRA
Minha praia é outra. Falo sempre do passado, a memória minha velha e inseparável companheira de jornada. Desperto porém do sonho e caio na real. Falo do hoje. E o momento exige uma palavra sobre a fórmula do campeonato.
Dizem que é complicada. Não acho. Tão simples que permite até que eu, pouco versado em tabelas que não sejam por pontos corridos, pelo hábito de ver um futebol que dá certo sessenta anos assim, tenha muito bem entendido a fórmula da disputa, a ponto de me atrever a discutir o tema.
Nada tem de complicada a tabela. Ganha cada turno quem fizer maior número de pontos. Complicado mesmo vai ser você alcançar o rival, dois ou três pontos lá na frente, se jamais terá a merecida e justa chance de enfrentá-lo cara a cara. Esperar pelos outros, que façam o que a você não é dada a oportunidade de fazer? Isso não existe numa competição decente. Ser campeão assim é o mesmo que misturar alhos com bugalhos.
Por isso, declaro desde já, de cima de minhas convicções, desarmado porém da autoridade que nunca me foi conferida, declaro em nome do torcedor comum, que o campeão pernambucano do primeiro turno, ainda que respaldado pelo regulamento, pode ser o melhor time do mundo. Jamais poderá dizer porém que foi o melhor na competição. Nem, e isso é bem mais importante do ponto de vista histórico, que seu time foi aquele que teve o justo prêmio de ser o laureado.
É como ser, por exemplo, campeão brasileiro sem ter enfrentado o São Paulo, o Flamengo, o Palmeiras, o Santos, o Corinthians, o Fluminense, o Inter, o Cruzeiro, o Grêmio, o Botafogo, o Atlético Mineiro e o Vasco, enfim os melhores, os grandes do futebol nacional. E isso já aconteceu uma vez! Até hoje dá bode e discussão.
E a tabela por pontos corridos, de todos contra todos, evitaria ainda que nos próximos 20 ou 30 anos, você tenha que levar a vida explicando, nas rodas de papo, numa mesa de bar, quem sabe aos seus filhos e aos netos – glória vã! –, que seu time foi campeão do ano tal ou qual no passado. Campeão sem ter enfrentado os temíveis e tradicionais rivais! E que tudo aconteceu assim e assado.

criado por Roberto Vieira
07:31:37