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Tipo da notícia que eu não queria dar.
Mas é o jeito.
O profissionalismo no futebol permanece uma utopia.
Por parte dos dirigentes.
Por parte dos jogadores.
Cada um tire a sua própria conclusão...
Atacantes Reinaldo e John somem dos Aflitos
Publicado em 18.01.2008, às 19h57
Do JC OnLine
Os atacantes Reinaldo e John desapareceram do Náutico na madrugada desta sexta-feira (18) e o superintendente do clube, Marcelo Sangaletti disse que ambos foram assediados por um homem que se diz empresário de futebol. De acordo com o dirigente timbu, o volante Eduardo Eré também chegou a ser assediado, mas desistiu. A acusação é que este empresário prometeu levar os dois atletas para o futebol holandês, tendo, inclusive, uma procuração dos jogadores. Ambos, no entanto, têm contrato com o Náutico e estão com seus direitos todos em dia.
Sangaletti explicou que a confusão começou logo após a vitória do Náutico sobre o Centro Limoeirense, por 3x2, na quinta-feira (17). "Fui ao hotel em que ele estava com os dois. Mostrei quem era aquela pessoa, que se chama Hélio. Não tenho nem o sobrenome dele. Desmascarei essa pessoa e os trouxe de volta. Só que, durante a madrugada, eles foram assediadosn novamente e voltaram para lá", contou.
O superintendente comentou que espera que esse tipo de situação sirva de lição para outros jovens jogadores não caírem na conversa de certos empresários. "Esse tipo de assédio não é novidade. A gente vê isso acontecer no futebol o tempo todo. Infelizmente, não podemos prestar nenhuma queixa", pontuou.
Além desse imbróglio com os dois prata da casa, o Náutico também corre atrás de seus direitos na contratação do meia-atacante Acosta para o Corinhtians. O próprio jogador reconheceu que tem uma dívida com o timbu e vai resolver essa situação numa reunião com o presidente Maurício Cardoso, na próxima quinta-feira (24).

criado por Roberto Vieira
20:54:03

Sempre que converso com o amigo Adethson Leite, invariavelmente falamos do América de Recife.
Como um segundo time.
Tenho cá comigo que num determinado instante em nosso estado, ocorreu um embate cruel. Definitivo.
Um embate onde os dois combatentes desconheciam a profundidade do que estava em jogo.
Como se dois duelistas imaginassem as balas de festim.
No torneio de 1950, o América possuía seis títulos estaduais. O Náutico três.
De certa forma, competiam pelo mesmo grupo de torcedores. Pelo mesmo espaço social.
O América, primeiro grande clube do estado, estava em decadência. Os títulos insistindo em não vir.
O Náutico investira no seu patrimônio.
O América começava a viver do passado.
Quando entraram em campo no dia 7 de janeiro de 1951 na disputa do título do ano de 1950, estava em jogo mais que um simples título do Ano Santo.
Estava em jogo quem ia sobreviver. Quem ia morrer.
Talvez não seja assim.
Ainda vou conversar com Adethson por muito tempo sobre o assunto.
Ele com os números. Eu com os sonhos.
Quem sabe, a gente deva chamar Lucídio, Celso e Lenivaldo pra desempatar?
Eles comentam. A gente aprende.
Vai dar pra tomar uns chopps!
Nos posts abaixo, um pouco do que foi aquela sensacional melhor-de-três de 1951.
Um tempo de sonhos, números, polícia nas ruas, comunistas nas celas e bolas nas redes.
Tudo junto.
Há 56 anos atrás.
Um detalhe torna o texto mais legal de se ler. Observem na foto. Quem escreve a reportagem é o lendário Hélio Pinto. Hélio que era torcedor doente do América!

criado por Roberto Vieira
19:05:40

Em 1951 o mundo era um tanto incerto. Se é que já foi certo algum dia.
A Segunda Grande Guerra acabara seis anos antes. Metade do mundo desejava ser americano e a outra metade sonhava com a realidade comunista.
No Brasil, o PCB foi legalizado em 1945.
Em 1947 teve seu registro cancelado e seus políticos cassados.
De vez em quando explodia um conflito com a polícia.
Como este da manchete na Praça Sergio Loreto.
Pouco antes das finais do campeonato pernambucano.
Vermelho em Pernambuco, só no futebol.

criado por Roberto Vieira
18:53:36

IVANILDO CABECEIA. BORRACHA DEFENDE.
O Náutico era chamdo de 'Os Internacionais' depois de sua excursão ao exterior.
Na segunda partida da decisão do título de 1950, os Internacionais passaram por cima do América por 3x1.
Botando uma mão na taça.
Na reedição das finais de 1944 e 1945.
O tira-teima.
Bororó marcou duas vezes. Fernandinho completou.
E Ivanildo comandou o timaço.

criado por Roberto Vieira
18:45:12

21 de janeiro de 1951.
O último jogo do Estadual de 1950.
Aos 11' Ivanildo recebe a bola desmarcado. Dribla Astrogildo, engana Cido e enfia o pé no canto. Borracha nada pode fazer.
Náutico 1x0.
Aos 41' novamente Ivanildo recebe, sempre ele. Dribla o pobre Astrogildo e toca com açúcar e com afeto para Fernandinho. O atacante alvirrubro entra na área e na saída de Borracha dá um toquinho, com a ponta da chuteira. O suficiente pra bola morrer nas redes alviverdes.
Náutico termina o primeiro tempo vencendo por 2x0.
Mas podia ter sido de 3. O juiz anula um outro gol de Fernandinho.
Quem sabe com medo de goleada?
Aos 7' do segundo tempo, a obra-prima. Macaquinho do América dribla toda a defesa do Náutico e diminui. Silêncio nos Aflitos.
Jogo lá e cá. Faltava a polêmica, o desatino.
O ataque Timbu entra tocando bola e Amorim manda um petardo para as redes de Borracha.
O árbitro Sherloque vê irregularidade no lance e anula outro gol do Náutico.
Foi chamado de tudo. Menos de Holmes.
Amorim baixa os olhos. Depois pede a bola, avança e... manda outra bala no fundo das redes.
Desta vez Sherloque nem ousou pensar em anular o gol.
Náutico 3x1.
Fim de papo? Nada disso.
Ainda teve tempo de Sherloque enxergar um pênalti de Lula.
Cido cobrou e diminuiu novamente: Náutico 3x2 América.
Os últimos minutos foram os mais longos do futebol pernambucano.
Mas Vicente, Sidinho e Lula fecharam a porta do gol. Até o apito final.
Náutico, campeão do Ano Santo!
Campeão de Terra e Mar!

criado por Roberto Vieira
18:32:03