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O mestre Lucídio Oliveira me envia um arquivo.
Um arquivo histórico. Pelo erro.
Um erro nada santo.
Se errar uma vez é perdoável. Repetir o erro infinitas vezes é pecado.
Nem sei por onde começar. Então, comecemos pelo começo.
Folha de S. Paulo, edição de 9 de fevereiro de 1984.
Pois bem.
Um enlouquecido, ou entorpecido, repórter da Folha de S. Paulo sapeca a notícia sobre o jogo Santo André e Coritiba.
Santo André que enfrentaria o Náutico três dias depois.
Inicia afirmando que o jogo foi 1 x 0 para o Santo André.
Prossegue relatando um empate em 0 x 0.
Vibra com uma vitória heróica do Coritiba por 1 x 0 no reduto adversário.
E por fim, arremata com o resultado correto de 1 x 0 para o Santo André.
Tudo em sete parágrafos.
Acho que tal fato é inédito no jornalismo nacional. Talvez mundial.
Ah, em tempo.
Segundo consulta de Lucídio a Carlos Celso, o Timbu venceu no domingo, dia 12 de fevereiro nos Aflitos.
Náutico 2x1 Santo André, gols de Baiano e Arnaldo (contra).
O repórter da Folha deve ser político hoje em dia.

criado por Roberto Vieira
20:16:42
ERNESTO GUEDES
POR ROBERTO VIEIRA
Ouvir as declarações do técnico Emerson Leão sempre é didático.
Como era didático ouvir suas declarações como jogador.
Quando não pelo que ele fala. Quando sim, para não repetir o que ele faz.
Leão afirma hoje em alto e bom som que um complô dos jogadores do Santos para derruba-lo pode estar em curso.
Que tal complô seria impensável há 20, 30, 40 anos.
Mas que hoje, tal complô seria bem possível.
Leão parece esquecer sua própria biografia. Cabe então recorda-la.
Em 1987, Leão tornou-se técnico do Sport. Um técnico vitorioso logo no início da carreira. Um técnico que marcou época na direção do rubro negro pernambucano. Tanto pelo talento, quanto pela coincidência entre seu nome e o símbolo do clube da Ilha do Retiro.
Mas como foi que Leão assumiu este cargo? Leão que era o goleiro da equipe?
Simples.
Leão assumiu o cargo de técnico do Sport na esteira da demissão do treinador Ernesto Guedes nas finais do Campeonato Pernambucano.
Ernesto Guedes que era seu desafeto e saiu bradando aos quatro ventos que tinha sido boicotado por Leão.
Portanto, quando Emerson Leão fala sobre complôs e boicotes.
Ele sabe muito bem do que está falando.

criado por Roberto Vieira
19:43:36
Anos 60.
Sebastião Rufino passa um pito em Valter Serafim
Ivan Brondi calmamente se aproxima.
O Santa Cruz observa.

criado por Roberto Vieira
19:32:21

1973. Aflitos.
Luciano Veloso do Santa Cruz chuta.
Cordeiro e Vitor do Náutico defendem.
Tempos difíceis para o alvirrubro.
Na foto, as árvores que margeavam o velho estádio...

criado por Roberto Vieira
19:28:23
Uma homenagem ao Mineirinho de Ouro.
Tostão.
Tostão, meu ídolo de infância.
Tostão que hoje completa outro giro na Terra...

OS PAIS DE TOSTÃO NA COPA DO MÉXICO EM 70
NO MEIO DO CAMINHO TINHA UM TOSTÃO
POR ROBERTO VIEIRA
O estado de Minas Gerais nunca me trouxe boas recordações. Embora fossemos tratados como reis, havia alguma coisa de errado com aquela terra de silêncios e montanhas. De ferro. Sei que Wright e Finney pensavam como eu. Matthews, não. Mas Matthews sempre foi um sujeito diferente. Driblava como um sul americano, sonhando em viajar pelo mundo ensinando futebol. Se fosse vivo ainda estaria por aí, fintando em nome da Rainha.
O 1x0 no Estádio Independência foi cruel. Nunca entendi direito aquele resultado. Tive um gol anulado, ainda não sei por quê. As bolas rondavam a meta americana e nada. De repente eles chegam e gol! Poderia até rir se não lembrasse o Times ironizando nosso enterro simbólico. Sempre é mais fácil atrás de uma máquina de escrever.
A bola não entrou.
Vinte anos depois, lá estou eu novamente diante dos mineiros. Depois que fui saber. Agora, eu não estava jogando. Eu era o treinador. O técnico campeão do mundo, insultado pelo povo mexicano. Como se eu me importasse com isso. Se um inglês se importar com o que pensa o terceiro mundo, fica em casa. E como vão ficar os países subdesenvolvidos sem a colonização inglesa?
Estava tudo tranqüilo. Apesar daquela cabeçada de Pelé. Mas nós tínhamos Banks. E quem tem Banks não tem medo de Pelé. Confesso que naquele calor o 0x0 já estava de bom tamanho, embora o saldo de gols do Brasil nos empurrasse para uma quarta-de-final contra a Alemanha. Mas o escore estava indefinido, um jogo de xadrez. E eu sentia que o gol era uma questão de quem aproveitasse primeiro uma chance, uma falha.
Até que tudo aconteceu. Do nada.
Aquele centroavante improvável pegou a bola na esquerda. Cercado por nossa armada invencível. Dois anos antes ele fez um gol absurdo no Maracanã contra nós. Deitado, fingindo-se de morto.
Pois no México, driblou o primeiro que chegou e ainda deixou o cotovelo na cara dele. Quando vi o grande Bobby Moore partindo pra cima eu sorri. De pena. No instante seguinte, calei. De medo. A bola fora tocada entre as pernas de Moore, meu capitão. Tocada sem a menor cerimônia. Um ato pouco cavalheiresco devo dizer. Na cobertura veio mais um zagueiro no carrinho. Nada. Ficou caído no chão, sem fala.
Mas lá estava Bobby Moore de novo, cercando o pé esquerdo daquele centroavante. Ele só tinha o pé esquerdo. Não era como o genial Bobby Charlton. Ambidestro. Foi só pensar nisso e ele gira sobre o corpo e cruza de direita nos pés de Pelé. Mineiro.
O resto é história.
Pouco depois, o improvável centroavante brasileiro foi substituído. Parece que antes mesmo da jogada ele já ia sair. Também me disseram que ele havia sido operado da retina um ano antes. Disseram que ele mal enxergava a bola.
Disseram que ele nasceu naquela terra de ferro e montanhas. De silêncio e poetas.
No mês de janeiro. Como eu.
Disseram pra mim que o nome dele era Tostão.
Mas já era tarde.
Eu aprendera por mim mesmo que no meio do caminho tinha um Tostão.
Tinha um Tostão no meio do caminho!
Sir Alf Ramsey
Alf Ramsey jogou no desastre da Inglaterra frente aos EUA na Copa de 50. Jogo disputado no Estádio Independência em Minas Gerais.
Em 1970 era o técnico da Inglaterra, derrotada pelos dribles de Tostão e pela genialidade de Pelé.
Nunca simpatizou com Minas Gerais...
Detestava Milton Nascimento.

criado por Roberto Vieira
10:18:32