O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Arquivo de: Fevereiro 2008

29.02.08

O FINAL SEM FINAL

                     

                                               A DERROTA DE 50

Por ROBERTO VIEIRA



O campeonato pernambucano aproxima-se do final do primeiro turno. Um final sem final.

Paradoxalmente, emocionante.

Digo paradoxalmente, pois é um campeonato até agora sem clássicos. Um campeonato sem final. Um torneio em que os rivais se combateram de longe. Sem o privilégio do encontro. Encontro que tira as dúvidas. Ou que gera controvérsias. Nada disso vai ocorrer na segunda-feira após os jogos.

Os organizadores e os clubes aplaudirão. É um sucesso! Mas isso não é novidade. O futebol já teve um exemplo inesquecível de um final sem final. Curiosamente o final mais eletrizante da história do futebol.

16 de julho de 1950. Todo brasileiro já ouviu falar. A final da Copa de 50 entre Brasil e Uruguai.

Final que nada!

Pela primeira vez na história das copas, o torneio foi decidido num turno final. Todos contra todos. O Brasil venceu duas partidas. o Uruguai venceu uma e empatou a outra. Na tabela, a rodada final reunia exatamente os dois líderes. Sul americanos. Na outra partida da rodada jogaram os dois europeus, Espanha e Suécia.

Aconteceu assim, por acaso. Como poderia ter acontecido diferente. Se o Uruguai não marca um gol no último minuto contra a Espanha no Pacaembu, o Brasil teria perdido o jogo contra os platinos e seria campeão no saldo de gols. Ou pelo menos teríamos uma partida extra. E a Espanha ainda teria chance na última rodada caso vencesse a Suécia.

Senhores! Havia até a chance de um tríplice empate. Brasil, Uruguai e Espanha.

Emocionante. Imprevisto. Coisas do futebol.

Como a rodada deste final de semana em Pernambuco.

Caso o Sport vença no domingo, tudo como manda o figurino. Como se o Brasil vencesse em 50.

Caso o Sport não vença e o título siga para Rosa e Silva, lembranças de Gigghia.

Emocionante. Imprevisto. Coisas do futebol.

Só uma lembrança a mais. A FIFA nunca mais utilizou tal formato em Copas do Mundo.

Foi a primeira vez, e a última.

O MILAN DE KAKÁ

Kaká renovou seu contrato com o Milan até 2013. Véspera da Copa no Brasil.



Um jogador de futebol identificado com um clube é coisa rara hoje em dia.



Principalmente com um Real Madrid batendo em sua porta.



Mas nem sempre foi assim.



Antigamente todos diziam. O Santos de Pelé.



O Flamengo de Zico.



O Botafogo de Garrincha. O Palmeiras de Ademir.



Time de botão vinha com a escalação.



Claro. Numa carreira curta como a de jogador de futebol a fidelidade é um luxo de poucos.



A maioria precisa do adultério para fazer um pé de meia. Para o instante em que as pernas não obedeçam mais ao comando do coração. Para o momento da vaia.



Mas os grandes ídolos do esporte não foram ciganos. Salvo raras exceções.



Eles sempre se identificaram com um clube, uma época.



Bobby Charlton e o Manchester United. Eusébio e o Benfica. Di Stefano e Real Madrid. Puskas e o Honved. Labruna e o River Plate.



Em 1997 visitei Barcelona.



Fiquei atônito com o carinho dedicado a Ronaldo pela torcida catalã.



Ele era amado, reverenciado. Endeusado como a Igreja da Sagrada Família de Gaudí.



Um segundo Ladislao Kubala.



Pouco depois, Ronaldo trocou as pesetas pelas liras. Deixou Barcelona órfã.



E sua vida tomou novos e inesperados rumos.



O dinheiro é importante. A carreira é curta. Mas, algumas coisas não têm preço.



No futuro, quando alguém lembrar do Milan deste início de século.

 

Não dirá, Kaká do Milan. 



Sempre irá lembrar do rossonero como: O Milan de Kaká.


O CHORO DOS VENCEDORES

 

O futebol sofre o risco de se tornar um jogo pragmático.



Muitos criticam a atitude do jogador Souza que imitou o choro de uma criança ao marcar um gol contra o Cienciano.



O técnico botafoguense Cuca lembrou: “O Botafogo também é grande!”.



Esquecido dos gritos de urubu na década de 60 que a torcida alvinegra usava contra os rivais.



Pois bem. O genial Henfil pegou a deixa e criou o Urubu símbolo da torcida do Flamengo.



O que era expressão racista tornou-se símbolo.



Claro que um Henfil não anda por aí dando sopa.



Mas gozação é que nem apelido. Quanto mais reclama mais vira certidão de batismo.



Não adianta reclamar na sala do diretor da escola.



O texto não é uma defesa do Flamengo. Nem defesa da atitude do jogador Souza.



Mas tais atitudes se resolvem dentro das quatro linhas. Jogando bola. Fazendo gol.



Já proibiram as comemorações fora do gramado nos momentos de gol.



Pelé e sua trupe de 70 levariam cartão amarelo a torto e a direito.



Drible da foca não pode. Imitar um porco dá cadeia. Mensagem na camisa é contravenção.



No máximo dá pra fazer o sinal da cruz e erguer as mãos para o céu.



Tudo burocrático. Inglês.



Souza está na dele. É o choro dos vencedores.



Resta ao Botafogo ficar calado, senão o apelido pega.



Na próxima partida tentem fazer a torcida do Flamengo chorar de verdade.



A vitória vale mais do que mil palavras. Ou lágrimas.


O NÁUTICO, UMA GRANDE FAMÍLIA (5)

 

Amigos,

A vez de Nado e Bita

A foto é da final de 65: Náutico 2x0 Sport, Ilha do Retiro.

Náutico tricampeão.

A despedida de Nado em jogos de campeonato.

Em pé: Mauro, Gena, Lula, Gílson Saraiva, Didica e Clóvis.

Embaixo, o ataque das quatro letras: Nado, Bita, Nino, Ivan e Lala.

Um abraço do

Lucídio

 

      

 

POR LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA




O tempo é o do Hexa. Chegava a vez dos irmãos Nado e Bita. A mitologia nascida da presença de irmãos em um mesmo time do Náutico chegava ao seu ponto mais elevado. Embora fossem apenas dois, metade do que havia sido reunido com o nome Carvalheira nos anos 30, ou com o nome Viana nos 40, a fama dos irmãos Lasalvia tinha alcançado alturas nunca dantes imaginadas.

Juntos, Nado e Bita jogaram no time principal do Náutico de 1962 a abril de 1966. A dupla somente seria desfeita com a ida de Nado para o Vasco. Juntos foram tricampeões (63-64-65), honra que não tinha sido alcançada até então por nenhum outro grupo de irmãos, desde que o profissionalismo passou a dar as cartas no futebol pernambucano. Nado, o ponta-direita, foi convocado em abril de 1966 para servir à seleção brasileira. Ainda pertencia ao Náutico na ocasião. Bita, o meia ponta-de-lança, sagrara-se artilheiro do campeonato dois anos seguidos. E embora já não mais desfrutasse da companhia do mano, seria naquele mesmo ano de 66, mais uma vez artilheiro. Estabelecia assim um recorde em Pernambuco: artilheiro três vezes seguidas. Marca que somente seria igualada vinte anos depois. Um outro alvirrubro, o artilheiro Baiano, seria o autor da façanha. Ficava tudo em casa e em família.

Claro, os Carvalheira ocupam uma posição de destaque no templo dos deuses da bola do nosso futebol. Não cabe estabelecer comparações. São eles o marco inicial da saga que se tornaria tradicional no Náutico. A reunião de dois, três ou quatro irmãos em um mesmo time de futebol. São, e merecem ser, os primeiros a serem lembrados. Por terem jogado juntos anos e mais anos. Por terem sido os pioneiros. Por terem sido campeões em duas oportunidades. Por ser um deles, Fernando, afortunado por ter sido artilheiro-mor dois anos seguidos, o primeiro do Náutico na história do campeonato. E até pelo infausto acontecimento da morte prematura de dois deles, Emídio e Zezé, bem próximas uma da outra, quando os Carvalheira se encontravam no topo da colina. A morte de Emídio, a primeira, aconteceu em outubro de 1940, em plena disputa do campeonato. O título de campeão se encontrava nos Aflitos, conquistado precisamente um ano antes, e Emídio vinha participando regularmente da disputa do campeonato.

Mas com Nado e Bita, estava acontecendo diferente. Até mesmo porque o tempo agora era outro. Tempo do futebol profissional, mais valorizado e bem mais difundido. A presença de Nado na seleção, quebrando preconceitos. Os gols de Bita contra o Santos de Pelé. Quatro gols em um só jogo, na barra adversária o legendário Gilmar dos Santos Neves. A sua ida para o Uruguai, numa transação internacional até então inédita no futebol do estado. E sobretudo, para encurtar o papo,porque a história de Nado e Bita começa, confunde-se e termina com o Hexa.

Os irmãos Lasalvia jogaram juntos apenas metade da jornada, mas é como se tivessem jogado todos os seis anos, de 63 a 68. Tanto é assim, que o que ficou na memória do torcedor, como sendo a linha atacante do hexa, é precisamente Nado, Bita, Nino, Ivan e Lala... O ataque das quatro letras do saudoso Aramís Trindade. Na hora de recitar o poema, ninguém lembra de China, de Rinaldo, de Miruca ou de Ladeira. E não se trata de gente para ser facilmente esquecida.

No primeiro ano, em 1963, o ataque das quatro letras esteve reunido apenas algumas vezes. Havia China e havia Rinaldo, titulares absolutos. Nado, Bita, Nino, Ivan e Lala, juntos, foram titulares porém, quase diria insubstituíveis, nos dois anos seguintes. A partir daí, depois do tricampeonato, desfez-se porém a ala dos irmãos Lasalvia, desfazendo-se também o ataque famoso. Dos dois irmãos, Bitá é o único que será campeão os seis anos seguidos. Com ele, os outros demais companheiros do ataque: Nino, Ivan Bondi e Lala.

Nado fez partidas memoráveis com a camisa 7 do Náutico. A cada rodada jogava melhor do que fizera na partida anterior. O clímax se deu na decisão do campeonato de 1965, nas duas partidas (2x0 e 2x0) a que ficou reduzida a melhor de três contra o Sport. Era o momento da despedida. As derradeiras partidas oficiais de Nado pelo Náutico.

Bita, por sua vez, se fez famoso pelo número de vezes que mandou a bola para as redes adversárias, recordista com a marca de 223 gols. O maior artilheiro da história do Náutico. E não só pelos números. Seus gols, além de decisivos – os quatro primeiros títulos da história do hexa, em finais contra o Sport, têm a sua marca de goleador implacável – continham o verniz e o brilho que caracteriza o gol chamado antológico.

Assim como Nado não escolhia marcador, Bita também não escolhia adversário ou goleiro. Tanto fazia ser Sport, Cruzeiro, Vasco, Palmeiras, Santos, Santa Cruz ou Central. Era tudo a mesma coisa. Dudinha, Raul Plassmann, Gainete, Valdir Moraes, Gilmar, Valter Serafim ou Detinho... Todos eles, sem exceção, têm uma história para contar aos netos e afins quando o assunto é Bita e seus gols fenomenais.

Nado e Bita eram apelidos. José Rinaldo é o nome que consta do registro de Nado: José Rinaldo Tasso Lasalvia. O irmão Bita, falecido em 1992, recebeu no momento do batismo o nome de Sílvio Tasso Lasalvia. Bita, com 78 gols, e Nado com 15, contribuírem com 93 dos 368 gols marcados pelo time do Náutico em todo o Hexa.

A presença dos irmãos Lasalvia no ataque do Hexa não representa o final da tradição que faz do Náutico uma grande família. É indiscutivelmente porém o ponto mais alto dessa história. A torcida timbu teria ainda, depois de Nado e Bita, a oportunidade de ver em campo, em mais de uma oportunidade, jogadores alvirrubros procurando honrar a camisa que um dia tinha sido vestida por um seu irmão de sangue.

É o que veremos a seguir, na continuação dessa história de tradição e amor por uma camisa.



28.02.08

CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO

 

                       

 

No final de semana haverá imagens sensacionais.

Imagens apagadas da memória.

Por enquanto, cenas dos próximos capítulos.

Nenca salva.

Sidclei protege.

Luciano lamenta!