O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Terra Blog

Arquivo de: Fevereiro 2008, 01

01.02.08

CLUBE ANÁRQUICO DOS NÃO-ALCÓOLATRAS ANÔNIMOS

    

                  

             

Amanhã será um dia muito especial para mim.

Ano passado, Marcos Bulhões, presidente do Bloco Canaan me solicitou um frevo.

E eu compus um frevo.

Logo eu, muito mais afeito no passado aos acordes do rock e do blues.

Mas o frevo dorme na alma da gente.

E o frevo acordou na minha alma.

Amanhã, o Bloco Canaan sairá a partir do meio-dia pelas ladeiras de Olinda com meu frevo na voz e nas camisas.

Como descrever a minha emoção?

Frevando, meus amigos!

Frevando e tomando todas...

Ah, antes que eu me esqueça.

Canaan significa:

               Clube Anárquico dos Não-Alcóolatras Anônimos.

                         

SEM PERDÃO

 

                                                                              

POR ROBERTO VIEIRA

                

Não sei se o senhor concorda comigo, mas o perdão é sempre belo. Sempre bem vindo. Menos no futebol.

No dia em que os jogadores começarem a pedir perdão, acabou o futebol.

Imagine o senhor, um clássico. Um Fla-Flu. Um Grenal.

Ou mesmo um desses jogos que não valem nada. Sete de Setembro x Primeiro de Maio. Solteiros x Casados.

Imagine o senhor.

Um zagueiro entra de sola na canela do atacante e logo se desculpa pelo estrago. De quebra, ainda tasca um beijo no adversário.

Ou um centroavante moleque que mete a mão na bola aos 45' do segundo tempo. Gol. Imediatamente vai nas redes, pega a bola e entrega pro juiz:

Foi mão!

A torcida ia arrancar os cabelos e a cabeça do infeliz.

Alguém sonha com Pelé enviando uma carta de desculpas aos inúmeros zagueiros que enfrentou, pelos milhares de pênaltis que ele cavou na vida? Ou quem sabe, Figueroa de joelhos pedindo perdão ao nariz de Palhinha pelas cotoveladas desferidas no Beira-Rio?

Nada mais patético.

Falo isso, pois Diego Maradona decidiu pedir perdão aos ingleses pela mão de Deus na Copa de 86. Logo aos ingleses.

Alguém já viu algum inglês pedindo desculpa pelas arbitragens da Copa de 66?

Eu não.

Maradona se arrependeu. Bom pra ele. Péssimo para o futebol.

Porque o futebol meu senhor, é o único lugar no mundo onde o perdão não tem perdão.

PARREIRA E O PÁSSARO PRETO

 

 

Por ROBERTO VIEIRA

Ninguém deseja treinar o Íbis. Todo mundo quer treinar o São Paulo, o Manchester United, o Real Madrid. Mas ninguém se arrisca na direção do pássaro preto.

Uma lástima.

Porque a gente só tem condições de avaliar o trabalho de um técnico quando ele dirige um time que é saco de pancada. Cachorro vira-lata. Um Íbis.


Ser campeão com o Milan qualquer um consegue. É só sentar no banco, ser chapinha dos jogadores e não complicar:


“Kaká, vai lá e arrebenta! Seedorf, faz teu feijão com arroz! Inzaghi, vê se te orienta! Ronaldo, nada de balada hoje!”


E só. Até Davi, garçom do Vagão dá conta do recado.


Claro que tem mais algumas coisas, como dar entrevista coletiva, explicar como foi aquela tática genial que decidiu a partida. E, quando tudo dá errado, é pegar o boné e passar no banco pra pegar a multa contratual. Coisa de alguns milhares de dólares.


Só existem os bons e os maus técnicos porque a maioria dos técnicos estraga sua própria vida. Vestem Armani, falam complicado, abusam do craque, viram prima-donas. Não reconhecem o óbvio. Quem decide jogo é o craque.


Poucos têm a sabedoria do Mestre Didi, que sentava no banco de reservas e observava os craques peruanos jogando. Embevecido.


Esta semana, o futebol foi cruel outra vez. Como sempre faz desde que o homem aprendeu a chutar uma bola.


O técnico tetracampeão do mundo, Parreira, segurou a lanterna na Copa da África.


Parreira é um técnico que não complica, não veste Armani, nem fala complicado. Vive pintando belas aquarelas. Algumas vezes implica com os craques, mas logo volta atrás quando vê a loucura que cometeu.


Quando a África do Sul começou a jogar, Parreira já sabia que o desfecho seria inevitável.


Cadê Bebeto, cadê Romário?


É por essas e outras que todo treinador deveria treinar o Íbis, o Santo Amaro, o Expressinho de Casa Amarela.


Porque treinar a seleção brasileira é fácil. É só sentar no banco, ser chapinha dos jogadores e não complicar:


“Robinho pedala! Kaká, cai pela esquerda! Acorda, Ronaldinho! Belo gol, Pato!”


Difícil meu amigo, é treinar o pássaro preto.

NÁUTICO, MAMÃO E AÇÚCAR ATÉ QUARTA-FEIRA CHEGAR

 

Obrigado Federação!

O grupo do Náutico é mamão com açúcar.

Igual a tirar picolé de criancinha.

Empurrar bêbado de ladeira abaixo em dia de chuva.

Marcar 18 pontos e correr pro abraço.

Confeccionar a faixa de campeão do turno.

Pelo menos, até quarta-feira chegar...

 

Grupo D: Náutico, Petrolina, Centro Limoeirense e Sete de Setembro

Grupo E: Santa Cruz, Ypiranga, Central e Porto.

Grupo F: Sport, Salgueiro, Vera Cruz e Serrano.

1968, RAMOS O HOMEM DO HEXA

 

                  

 

Falar no Hexa é falar em Ramos.

Mas em fevereiro de 1968, Ramos estava longe.

No Deportivo da Venezuela. Ajudando o inimigo.

Mas o Náutico já estava de olho em Ramos como comprovam os documentos da época.

Na foto, Fernando Carvalho Leite conversa com o jogador nos Guararapes.

E Rubens Moreira segue atrás.

De olho nas conversações. De pasta na mão...