O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Arquivo de: Fevereiro 2008, 08

08.02.08

O PARTIDO DO CONTRA

 

                        

 

No dia 11 de dezembro de 1945 o escritor Viana Moog visitou Recife.

Tinha sido eleito recentemente para a Academia Brasileira de Letras.

Nestes tempos de concordância verbal, Viana Moog trazia uma mensagem diferente para os escritores pernambucanos.

Viana Moog que lutou contra a ditadura getulista.

A mensagem deve estar presente em todo aquele que escreve. Que vive.

Pois, muitas vezes, encontra-se dividido entre a razão e a paixão.

A razão pede que modere o vernáculo.

A paixão manda que escreva a sua verdade.

A razão aspira pela aceitação, pelo aplauso, pelo aconchego dos amigos.

A paixão chuta o balde.

A frase de Viana Moog celebra a paixão.

Paixão tantas vezes ignorada no teclado da vida.

Vale a pena refletir.

Pois a unanimidade é uma faca de mil gumes...

                  

                    "O escritor é quase sempre do partido do contra!"

                                                     VIANA MOOG

 

QUEM É ELE?

 

                       

 

O Náutico vence o Fortaleza por 2x1.

Na foto, ele sobe para uma cabeçada mortal.

O goleiro Gilberto do Fortaleza fica mais perdido que cego em tiroteio.

Pergunta valendo mais um chopp no Vagão.

Quem é o nosso personagem de hoje?

 

PS: Já estou devendo um chopp pra Osvaldo, Durval e Lucídio por causa de Raul Marcel.

Resposta: Nino

O TÊNIS DO NÁUTICO EM 1958: REINALDO OLIVEIRA

 

                   

 

Pois é meus amigos.

O Náutico tinha uma equipe de tênis em 1958.

Aliás, o Náutico tinha mais que isso.

Rosemiro Rodrigues abandonava a presidência da Federação Pernambucana de Tênis.

Assumia em seu lugar o célebre médico e ator Reinaldo Oliveira.

Reinaldo Oliveira que aparece no centro da foto acima.

Capitaneando a equipe do Clube Náutico Capibaribe.

 

CARTA AO TÉCNICO NIKITA

 

                  

POR ROBERTO VIEIRA

Nadei pelo Náutico na década de 70. Nunca fui um grande nadador, mas gostava das piscinas, amava o clube, admirava as extraordinárias Adriana Salazar e Maria de Fátima, recordistas sul americanas e tinha orgulho de fazer parte de um grupo comandado por Nikita.

Nikita que chegou a dividir a mesma piscina com o fenomenal Mark Spitz.

O depoimento da nadadora Joana Maranhão referindo ter sido abusada sexualmente por um treinador do Clube Náutico Capibaribe aos nove anos de idade é estarrecedor. Provoca indignação e desejo de justiça. A confirmação do fato pelos seus pais e pelo seu treinador atual, Nikita, nos leva a um outro ponto: Quem foi o responsável por tal barbárie? Quantas outras crianças foram vítimas deste monstro?

Entendo perfeitamente o silêncio das vítimas. Apenas uma pequena parte dos casos de abuso infantil é denunciada. Chaga que permeia todas as camadas da sociedade, indiscriminadamente atingindo ricos e pobres, o terror se dissemina pela vergonha que o cerca. Pelo silêncio das crianças. Pela sensação de solidão e abandono.

Durante anos convivi com as crianças, vítimas de espancamentos e abusos sexuais, que davam entrada no Hospital da Restauração. Queimaduras de cigarros, fraturas orbitárias, medo e angústia. A última vítima foi uma menininha de seis meses. Surrada impiedosamente pelos pais. Quase morta. Todos eram denunciados às autoridades competentes.

Portanto, e exatamente por admirar o técnico Nikita, venho aqui solicitar um favor.

Seria muito importante para a sociedade conhecer o nome do técnico que cometeu tais atos infames com Joana Maranhão. Não para resgatar o passado, embora ele deva ser punido exemplarmente no presente. Porém, para impedir que o mal se propague no futuro. 

Para evitar que a sombra da dúvida se espalhe sobre os outros treinadores do clube na época. Treinadores honestos que neste momento estão sob suspeita.

Nesse exato instante, uma outra criança pode estar enfrentando indefesa a sua própria noite de terror. É nosso dever protege-la.

Quem foi o culpado?

O DRAMA DE JOANA MARANHÃO NO NÁUTICO

Transcrevo a matéria abaixo do Blog do Paulinho e do Jornal do Commercio.

Para que o fato não se repita em Pernambuco.

Para que se diga quem é o culpado!

Para que meu clube, o Náutico, se pronuncie sobre esse treinador!

 

DO BLOG DO PAULINHO

Acabo de ler, no site Gazeta Esportiva, uma entrevista de Joana Maranhão.

Ela é um de nossos maiores talentos na natação.

Disputou os Jogos Olímpicos de Atenas com apenas 16 anos.

Hoje está na luta pelo índice para as Olimpíadas de Pequim.

Na entrevista concedida Joana abriu o seu coração e contou uma passagem de sua vida estarrecedora.

Foi molestada por seu treinador quando tinha apenas nove anos de idade.

Confesso ter me emocionado ao ler.

Não sei quem foi o autor da barbaridade, mas tenho certeza, não me controlaria se o encontrasse.

Leia abaixo o trecho que retirei do site que conta o ocorrido.



GE.Net - Houve um tempo que você chegou a dizer que estava com medo de pular na piscina e dar seu melhor e que tinha pensado em parar. Isso passou... como você lida com a natação hoje?


JM - Passou! Eu passei por maus bocados nos últimos três anos. A verdadeira historia é que na infância fui molestada pelo meu técnico. Para ser mais exata, quando tinha nove anos. Mas a mente tem um poder incrível e durante todos esses anos eu tentei convencer a mim mesma que nada daquilo tinha acontecido, que tinha sido fruto da minha imaginação. Mas como uma onda muito forte, dez anos depois eu fui tomando consciência de tudo que eu tinha sofrido. Foi muito doloroso, foi um processo lento. Freqüentei psiquiatra e psicólogo, porque eu precisava colocar aquilo tudo pra fora. Durante esse processo, tudo na minha vida sofreu as conseqüências e com a natação não poderia ter sido diferente. Mas hoje que eu estou bem, consigo falar sobre isso. Parece que saiu um peso. Eu até pretendo, no futuro, fazer algo em relação a outras crianças que sofrem isso e têm medo, vergonha de contar pros pais como aconteceu comigo. Minha mãe só soube no ano passado. O "medo" de cair na piscina vinha daí. Os abusos aconteciam no clube, dentro da piscina. Foi muito traumatizante, não foi fácil, mas eu superei.

GE.Net - Vocês procuraram a polícia, a Justiça, pretendem fazer algo desse tipo?


JM - Eu não tive coragem, afinal, já tinham se passado dez anos. Que provas eu tinha? E isso tudo aconteceu dentro de um clube, que também viria contra mim. Eu já estava tão abalada. Quanto a ele, a vida e Deus vão dar o que ele merece. Eu não quero de forma alguma saber da existência dele. O processo que eu estava passando já era tão sofrido que não vi sentido entrar na Justiça. Só seria mais sofrimento. Onze anos se passaram e eu tô viva, tendo a oportunidade de começar de novo, o que posso reclamar?

GE.Net - Sua mãe só soube no ano passado, foi mais difícil admitir o que aconteceu ou contar para ela?


JM - Tinha dias que me encolhia na cama, e só fazia chorar. Não conseguia que ninguém encostasse o dedo em mim. Eu estava tão vulnerável que praticamente implorei que minha mãe me ajudasse. Eu contei tudo. Foi saindo de uma vez, sabe? Ela ficou parada, chocada, ‘tadinha’, me pediu desculpas! Como se ela tivesse tido alguma culpa. Mas enfim, o mais difícil foi "reviver" tudo isso, e depois me "reconstruir".

GE.Net - Como você disse, a partir disso muita coisa fica compreensível...


JM - Pois é, depois do tratamento comecei a pesquisar as conseqüências e via que muito da minha personalidade, muito da minha "agressividade" vinha daí. Durante o tratamento, melhorei bastante. As pessoas mais próximas sentem essa diferença, e nas outras áreas da minha vida, tudo vem melhorando, vem clareando. A tempestade passou. Eu tinha duas opções: ou vivia presa a esse triste episódio ou dava a cara à tapa e me tratava. A segunda opção foi muito melhor pra mim.

GE.Net - Com todas estas mudanças, como você se descreve hoje em relação ao que era? O que mudou em você?


JM - Foi tanta coisa!!! Eu hoje não deixo de viver, de sentir nada na minha vida porque retrair as coisas pode ser muito pior no futuro. Dou muito mais valor às pessoas que estiveram comigo durante toda essa caminhada, minha mãe, meus irmãos, meu namorado, minha sogra, todos eles foram primordiais. Acho que se isso que passei é amadurecer, estou amadurecendo aos poucos.

* Por indicação do leitor Fernando Noruega

Para complementar, da edição de hoje do Jornal do Commercio

Nikita confirma versão da pupila
Publicado em 08.02.2008


Técnico de Joanna Maranhão há quase dez anos, João Reynaldo, Nikita, confirmou a versão de sua pupila e diz que a nadadora sempre apresentou problemas por conta do suposto abuso do ex-treinador, que ele preferiu não revelar o nome. Ele afirmou que por muitas vezes ela não conseguia dormir devido às lembranças.


“Ela tinha mesmo este trauma. Quando viajava, não dormia. Tinha até psicólogo para cuidar disso”, afirmou. “Mas ela falou isso? Não era para tocar neste assunto agora. Se aconteceu, e acredito que sim, porque ela me fala disso desde que tinha 14, 15 anos. Se na época não houve nenhuma providência, agora é bem mais difícil”, acrescentou.

Nikita disse que no começo não acreditou. Mas sempre Joanna voltava ao assunto. Especialmente quando competia longe de casa. “A gente estava indo para um Sul-Americano em João Pessoa quando ela me falou. Depois o pai dela me disse também.

E isso foi o motivo pelo qual ela odeia tanto o Náutico. Foi lá”, ressaltou o técnico do Nikita-Sesi.

O treinador repetiu a história de Joanna, afirmando que o ex-professor a molestava dentro do próprio clube. “A mãe dela trabalhava muito e confiava nele. Deixava Joanna na casa dele e depois a pegava”, apontou, completando que não sabe se o antigo técnico ainda dá aulas de natação.