O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Arquivo de: Fevereiro 2008, 10

10.02.08

O FLA-FLU DA LAGOA

 

        

POR ROBERTO VIEIRA

 

Paraíba.

Em Mogeiro de Baixo tem um campo de futebol. Terra batida. Mato pelos cantos. Trave quadrada de madeira, pintada de preto nas raízes. Sem redes. Tem gol que não é gol. É decidido no grito.

Mogeiro tem linha de trem. Mas o trem demora a passar por lá. Pensa que é longe.

Mogeiro também tem casa de farinha. As mulheres e os meninos ficam conversando enquanto descascam mandioca.

Sol a pino. Em Mogeiro, o que mais tem é Sol.

Hoje, tem posto de saúde. Antigamente tinha rezadeira. E toda gente ficava rezando pro Sol ir embora.

Uma vez, ele foi. Durante um eclipse na década de 40. As galinhas se recolheram com medo. A gente também. E deram de rezar pro Sol voltar. A igreja pequena ficou lotada. Coisa sem sentido. Mas o Sol voltou.

Ele sempre volta.

Mogeiro também tinha uma lagoa. Grande, perigosa. Uma vez ela sangrou. E quase que o mundo acaba.

De tanto cortarem madeira das matas que cercavam a lagoa, a lagoa secou. Como de resto, todos os rios, açudes e lagoas deste sertão. Como parece que vai acontecer com o Velho Chico qualquer dia desses.

Mas, voltando ao que interessa. Voltando pr'aquele campinho de terra batida na entrada da cidade de quem vem de Itabaiana.

Foi lá que ocorreu um célebre Fla-Flu.

O Fluminense vestido de verde e vermelho. O time dos remediado da cidade.

O Flamengo sem camisa. Flamengo no nome. No verbo.

Os jogadores do Fluminense tinham certeza da vitória. Faziam três refeições por dia. Dormiam em colchão de mola.

Os jogadores do Flamengo chegaram correndo do eito. Seu colchão era de capim.

Foi quando o Zé da Venda, vixe como tem Zé lá na Paraíba, fez um desafio!

Já estava cheio das aguardente. Por isso sua venda não ia pra frente.

"É mais fácil voltar a existir lagoa que o Fluminense perder desse Flamengo!".

Lagoa que hoje era um grande deserto.

O Fluminense meteu dois a zero. E poderia ter feito o terceiro.

Zé tinha ares de profeta.

Mas no meio daquele Flamengo abandonado pelo destino, surge um menino.

Um tal de Silva. Como quase todos os jogadores dos dois times.

Mas era um Silva diferente. Corisco. Os pés descalços e pedregosos, companheiros dos espinhos e do nada.

Driblavam. Enfileiravam zagueiros.

E balançaram não sei quantas vezes as redes imaginárias daquele campo de terra batida. Mato pelos cantos. Trave quadrada de madeira, pintada de preto nas raízes.

Sem redes.

O Flamengo venceu este Fla-Flu da Lagoa.

Zé saiu rogando pragas e dormiu na calçada da escola.

Ninguém é profeta em sua própria casa.

Todos foram pra casa tomar banho. Sonhar que por um momento, o campinho de terra batida era o seu Maracanã particular.

A vida por vezes permite o sonho aos mortais.

E por um desses sonhos do destino, tempos depois, Mogeiro encontra estampado no caderno de esportes de um jornal alemão, Ailton Gonçalves da Silva.

O mesmo Silva de Mogeiro.

Ailton, agora artilheiro e campeão alemão pelo Werder Bremen.

O improvável herói do modesto Fla-Flu da lagoa.

1967: BOXE NOS AFLITOS

 

O que é o inconsciente.

Um leitor atento, alvirrubro e médico em Bonito me corrige.

O jogo foi na Ilha do Retiro.

No dia 13 de dezembro de 1967.

O médico de Bonito pede para permanecer incógnito. 

Deixo a mensagem com os erros no original.

Pra me penitenciar...

 

 

                        

 

1966. Náutico despacha o Cruzeiro.

Pra quem acha que o time de Tostão e Dirceu Lopes era só toque de bola.

Uma imagem.

O jogo termina em batalha campal.

O goleiro reserva do Cruzeiro acerta um cruzado em Manuelzinho.

O célebre Manuelzinho que trabalhava no Timbu.

O goleiro do Cruzeiro tinha vinte e poucos anos.

Manuelzinho, uns cinquenta.

Manuelzinho não foi a nocaute.

Quem foi a nocaute foi o time do Cruzeiro.

09.02.08

O DIREITO DE ERRAR

 

 

No passado a novela 'O Direito de Nascer' imperava.

Todo mundo assistia. Todo mundo copiava.

Hoje, no campeonato pernambucano tivemos outra novela, desta vez protagonizada pelos técnicos Zé do Carmo e Roberto Fernandes.

Zé do Carmo deu azar.

No finaldo jogo a bola insistiu em não entrar e ele empatou em 2x2 com o Porto.

Nos Aflitos, um frango de Eduardo.

Um jogo dramático.

O Náutico sem laterais.

E no final um gol salvador.

Confesso que nem eu acreditava mais.

Na novela do estadual, todo mundo já teve o direito de errar.

O Sport várias vezes.

Mas a sorte do Sport nesse campeonato nem se comenta.

Um pouco dessa sorte esteve hoje em Rosa e Silva.

Porque justiça mesmo era o empate contra o Sete de Setembro.

Mas eu quero saber de três pontos.

Dos fogos que estão espocando no Eládio de Barros Carvalho.

Justiça fica pra segunda-feira.

E amanhã, amanhã eu sou Salgueiro desde pequenininho!