O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.
<  Fevereiro 2008  >
S T Q Q S S D
        1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29    
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: Fevereiro 2008, 12

12.02.08

A VIDA COMO ELA É...

 

                           

                             NELSON EM 1958 NO DIÁRIO DE PERNAMBUCO 

 

POR ROBERTO VIEIRA

 


Nunca houve um cronista como Nelson Rodrigues. Nunca.


Ele brincava nas onze. Metáforas hiperbólicas. Tricólon. Narrador incluso. Em cada palavra um gol de placa. Quem lia se sentia o próprio búfalo do Marajó.


O mundo é cheio de idiotas da objetividade. Pescácios. Bovinos. Mas, time ungido. Bomba santa. Saúde de vaca premiada. Só Ele!


Nelson poderia passar a vida falando de vestidos de noiva, viúvas honestas. Escrevendo na página policial. Mas Nelson tinha o mesmo sangue de Mario Filho. Amava as chuteiras imortais. Se o goleiro tomava um frango. Nelson imaginava o goleiro dialogando com a bola: Perdoa-me por me traíres!


Um juiz se vendia. Venal. Corrupto. Lá vinha ele dizendo que o destino do juiz era pecar. Para ele, a pátria sem chuteiras era um mito.O brasileiro, um Narciso às avessas. O homem ansiava pelo gol como ansiava pela mulher do próximo.


Quem não gosta, espinafra. Porém, se não tiver sorte corre o risco de engolir o palito do chica-bon. Ou ser atropelado pela carrocinha.

Quem gosta renega o reacionário. Leve com uma sílfide.


Porque Nelson é trágico e lírico. Ópera e marchinha de carnaval. Tuberculose de mortos que tremeram no túmulo e ressuscitaram como Manoel Bandeira. Saudáveis como o remador de Ben-Hur.


Poderia completar, afirmando que o grande Nelson é pernambucano.


Mas, basta!


Seria apenas o óbvio ululante... 
 

 

VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?

 

                        

                             RIO DE JANEIRO 1961: VIADUTO DA FOME

 

Muitos são os que falam em preconceito.

Outros em conceitos.

Como se o nordestino tivesse outra saída senão o pau-de-arara.

Dizem que o nordestino é preguiçoso.

Dizem que o nordestino é vítima de suas próprias oligarquias.

Claro.

Oligarquia não é regional.

Dizem muita coisa.

E muitas vezes não dizem nada.

Nordestino é todo mundo que sente fome nas grandes cidades.

Todos os analfabetos.

Todos os periféricos deste mundo.

Existem nordestinos na África.

Na Índia.

Na Palestina.

No Coque e nos Coelhos.

Dizem que a fome é coisa do presente.

Mas a fome é antiga como a fome.

Fome dos nordestinos no Viaduto da Fome no Rio de Janeiro. 1961.

Viaduto que atendia pelo nome de Negrão de Lima em Madureira.

Nordestinos na Cidade Maravilhosa.

Não me perguntem por quem os sinos dobram.

Os sinos sempre dobram pelos nordestinos...

 

NILTON SANTOS EM PERNAMBUCO

 

                         

 

19 de setembro de 1975.

Recife recebe uma partida de Jetbol.

Uma mistura de futsal e futebol.

Um jogo entre a Seleção Carioca e a Pernambucana. 

Seria um jogo como outro qualquer.

Os cariocas traziam Orlando, Belini e Dida.

Os pernambucanos iam de Bita, Ivan, Nino e Lala.

O que já seria um grande jogo.

Mas, entre os craques.

Estava o divino Nilton Santos.

Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol.

Não precisa dizer mais nada.

Na foto, no Aeroporto dos Guararapes, Nilton Santos controla a bola.

Sua eterna companheira de cátedra.

 

O BERÇO DO FUTEBOL

 

                                                                   

POR ROBERTO VIEIRA

Imagine se o carioca ia trocar um dia na praia pra ir ver um clássico no Maracanã?

Nunca.

Só foram aqueles fanáticos que nunca perdem um jogo. Um treino. Uma entrevista coletiva.

Carioca gosta de praia. Ainda mais que tava um baita sol.

Sentar ali no bar Veloso na esquina da Rua Prudente de Morais com Rua Montenegro. Observando as meninas passando de biquíni. Tomando um choppinho. Curtindo o barulho do mar.

Cantarolando ‘Garota de Ipanema’.

Já não basta a semana inteira de carnaval? O mundo inteiro de olho nas escolas de samba do Rio.

Afinal de contas, o samba nasceu pelo telefone com o Donga.

Em São Paulo choveu. Praia só descendo a serra. Restava o jogo no Morumbi. É só o que tem pra fazer em São Paulo.

Os paulistas vivem sonhando com Zico, Romário. Mas Zico e Romário são patrimônios do Rio de Janeiro.

Deixa eles com as lembranças de Ademir da Guia e Pelé.

Outro dia, aquele compositor paulista, o Chico Buarque, quis se mudar pra cá. Nós desaconselhamos. Já temos a poesia do Oswald de Andrade e Arnaldo Antunes. Ele pode vir a passeio, mas morar não vai dar certo. Lembra do que aconteceu com Adoniran Barbosa?

Pois é. Chorava quando lembrava de Vila Isabel.

São Paulo e Rio de Janeiro são assim. Desde que Dom João VI aportou em Salvador.

O Rio é o berço do samba.

São Paulo, o berço do futebol.



PS: Francisco Buarque de Hollanda, o maior compositor do Brasil depois de Tom Jobim, é a síntese das duas cidades. Nascido no Rio de Janeiro em 19 de junho de 1944 é filho do gênio paulista Sérgio Buarque de Hollanda e da encantadora carioca Maria Adélia. Que é pianista. Aos dois anos de idade, Chico foi morar em Sampa. Apaixona-se pelo futebol e por Pagão. Anos depois, apaixona-se pelo Fluminense. O último disco de Chico Buarque, 'Carioca', reflete exatamente essa dualidade. Afinal de contas, o apelido de Chico Buarque na adolescência em São Paulo era exatamente 'Carioca'. Nenhum país do mundo pode se dar ao luxo de ter duas cidades tão diferentes e tão irmãs. Apenas o Brasil. Mas quem sabe, elas não sejam assim tão diferentes? Nem precisam ser. Como Chico. Que é do Rio, de São Paulo e de Hollanda.

A VÉSPERA DO SORRISO

 

                      

 

Parece coisa fácil. 

Mas o futebol pentacampeão do mundo não gosta de Jogos Olímpicos.

O torcedor pensa que é fácil.

O jogador pensa que é mole.

E sempre aparece um Japão, uma Nigéria, um Irã...

Na foto do dia 25 de janeiro de 2004.

Robinho chora a desclassificação ante o Paraguai.

O Brasil precisava do empate.

Foi derrotado.

Este ano tem Pequim.

Tem novo desafio...

A lágrima muitas vezes é a véspera do sorriso.