O BLOG DO ROBERTO

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Arquivo de: Fevereiro 2008, 13

13.02.08

O SILÊNCIO DOS INOCENTES

 

POR ROBERTO VIEIRA

 

Todos são inocentes até que se prove o contrário. Elementar.


Caça as bruxas só na Inquisição. Em Salem. Na Espanha de Torquemada. Vivemos no reino da justiça. Lenta, falível, porém é tudo o que temos.


Hoje surgiu o nome do técnico de natação que teria abusado sexualmente de Joanna Maranhão.


O fato foi revelado pela mãe da nadadora.


O nome é importante. É fundamental. Com ele livramos a suspeita que pairava sobre inúmeros técnicos da região.


Porém, um fato me preocupa.


Todos são inocentes até que se prove o contrário.


A escola onde o treinador Eugênio Miranda trabalha já o demitiu.

Sumariamente.

O diretor alega bons antecedentes. Mas demitiu. Eugênio Miranda que treinava a filha de oito anos do diretor.


Nada mais justo se Eugênio for culpado.

Nada mais injusto se for inocente.


Eugênio Miranda que treinou o Náutico, o Sport e a AABB em Recife.


O nome do treinador está na mídia. Como o de Joanna Maranhão.


Aguarda-se, pois, a justiça. Lenta e falível. Porém, justiça é tudo o que temos.


Mesmo sendo doloroso, o processo agora é irreversível. A verdade virá à tona. O silêncio dos inocentes terá um fim.


Até que se prove o contrário.

NUNES E O GOL DO FANTÁSTICO

 

Escrevi este texto ano passado para o Nauticonet. Com outra foto.

Hoje, encontrei outro ângulo.

Do mesmo gol.

Um gol sobrenatural...

                            

 

1985, NÁUTICO 3 X 2 GRÊMIO

 

'Março de 1985. O Náutico bicampeão pernambucano enfrenta o Grêmio campeão mundial em 1983, vice-campeão da Libertadores em 1984, invicto em confrontos contra os alvirrubros.

Arruda. 10 de março. 25.348 pagantes e alguns milhares de penetras se acotovelam para a vingança da derrota nas quartas de final do Brasileirão 84. O fim de um tabu. Perto dali era inaugurado o Parque da Jaqueira com seus 7,35 hectares. Um antigo projeto de Roberto Burle Marx. No dia seguinte era inaugurado o Metrô do Recife.

A prefeitura de Olinda oferece ao vencedor da partida um troféu em homenagem aos 450 anos da cidade. Os jornais anunciam o fechamento do Bar Savoy de Carlos Penna Filho. Mas hoje o azul de Carlos Penna Filho é o inimigo. Hoje o Recife é vermelho.

A esquadra alvirrubra entra em campo com Edson Cimento; Heitor, Alfredo Santos, Edson Gaucho e Luisinho; Lourival, Manguinha (Neto Surubim) e Baiano; Porto (Jarbas), Nunes e Ademir Lobo. Técnico Givanildo. O Grêmio forma Mazaroppi; Ronaldo, Baideck, Luís Eduardo e Cassimiro; China (Sergio Peres), Osvaldo e Sabella; Tarciso, Roberto Cesar (Luís Fernando) e Valdo. O técnico era Minelli. Como curiosidade, o melhor preparo físico em campo era do gremista Valdo, que só tinha um pulmão.

O Náutico vai ao ataque. 12’ Heitor tabela com Porto e cruza para a cabeçada de Nunes. São Mazaroppi salva. Mas aos 16’ uma bela cobrança de falta de Heitor encontra as redes do Grêmio: 1x0.

Baiano cabeceia na trave aos 35’. Dois minutos depois Heitor bate escanteio para Porto, recebe de volta e lança na cabeça de Baiano: 2x0. Tudo parecia liquidado. Mas restava o segundo tempo, a reação gaucha e o gol do Fantástico.

Sergio Peres substituiu China e lança Osvaldo que dribla Edson Cimento aos 2’: 2x1. Aos 14’ Osvaldo chuta duas vezes à queima roupa e Edson faz dois milagres. No rebote Luís Fernando empata.

O estádio silencia. Na distância quase se pode ouvir os primeiros acordes da Orquestra Sinfônica do Recife na inauguração da Jaqueira. Sob o comando de Baiano o Náutico vai imprensando o Grêmio no seu campo, como nos acordes hipnóticos do Bolero de Ravel, primeiro Heitor, depois Nunes, depois Ademir Lobo vão martelando o gol de Mazaroppi.

Aos 40’ o Grêmio acredita que tem a situação sob controle. Mas a orquestra alvirrubra está decidida a assinar o réquiem tricolor. Neto invade a área, desfere um petardo, o arqueiro espalma, Nunes observa a bola saindo da grande área, a pelota se encontra a alguns centímetros do chão, sem raciocinar o ‘Cabelo de Fogo’ se atira rente ao gramado como um jogador de vôlei. Ninguém entende o que ele pretende.

Mas Nunes alcança a bola antes que ela beije o gramado (foto) e a golpeia por baixo encobrindo toda a defesa gaucha que observa estática. A bola sobe, sobe e desce mansamente nas redes inimigas. A orquestra e o seu solista observam a obra prima. 3x2!

Algumas horas depois, o gol é repetido inúmeras vezes no Fantástico.

O capitão Edson Gaucho recebe a taça do prefeito de Olinda. A Orquestra alvirrubra agradece. 
 

LULA DOS MILAGRES

 

                           

 

1967. Ilha do Retiro.

Um santo no gol do Náutico.

Dudu cabeceia na pequena área.

Mauro observa perplexo.

Lula opera um milagre.

O Vaticano se recusa a canonizar.

Mas na Capela dos Aflitos tem uma imagem dele.

São Lula.

O goleiro das defesas impossíveis!

BOM HUMOR NAS VÉSPERAS DO AI-5

 

                            

 

1968 não foi um ano para risos.

A não ser para a torcida do Náutico, Hexacampeã.

Foi um ano de briga. Direita e esquerda.

Guerra civil.

Aqui, na França e nos States.

No meio de tanta guerra havia espaço para o humor.

No caso, o humor de Miguel nesta charge inesquecível.

Claro que  um humor negro...

Mas querer humor colorido era um pouco demais.

O NOME DO TÉCNICO

 



Finalmente se conheceu o nome do técnico acusado por Joanna Maranhão.

Seu nome é Eugênio Miranda.

Mas o antigo técnico não poderá ser processado porque o prazo para denúncia expirou.

Segundo o criminalista Bráulio Lacerda em entrevista para o Jornal do Commercio "O prazo não prescreveu. Prescrição é em 16 anos, mas há o aspecto da decadência. Agora, ela é maior de idade, decaiu o direito de queixa”.

Mesmo sem provas, crimes sexuais podem ser denunciados. Vale em grande parte a palavra da vítima. Quando completou a maioridade, Joanna teria seis meses para prestar queixa. Como não o fez, após seis meses ela perdeu o direito de queixa.

É compreensível o silêncio de Joanna e da família. Ela já foi muito forte ao reviver a tragédia pessoal.

Vamos torcer para que ela reencontre o caminho das vitórias.

A revelação do nome do técnico devolve a paz aos demais treinadores da região.

Resta agora ouvir a defesa do técnico Eugênio Miranda.

Resta ficar de olhos abertos. A pedofilia não é uma obra de ficção.

Mas sim, uma terrível noite de terror.