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O Sr. Fred Oliveira foi presidente do Náutico.
Pena.
É um cargo que honra e dignifica qualquer torcedor.
Ser o sucessor de Eládio. De Sebastião Orlando.
Hoje, ele informou a imprensa que o regulamento do campeonato foi bolado para nivelar o estadual.
Senão, o Sport seria sempre campeão.
Ninguém ia se interessar pelo torneio.
Lembro bem da gestão Fred Oliveira.
Da festa com Mauro Fernandes.
Dos fogos de artifício.
Das promessas de grandeza.
Das derrotas.
Embora perder faça parte do jogo.
Mas não eram derrotas comuns.
Eram derrotas tristes e vazias.
Com jogadores perdendo pênaltis de propósito.
Derrotas da megalomania.
Custou muito ao Náutico o retorno aos títulos em 2001.
Porque fazer futebol em Pernambuco é difícil. Muito difícil.
Venho então solicitar um favor ao ex-presidente alvirrubro.
Se não for para o bem do Clube Náutico Capibaribe.
Não diga nada.
O Náutico não depende de regulamentos para ser campeão pernambucano.
Nunca precisou.
Nunca trocou o amarelo pelo verde.
Sua percepção de cores é nítida e cristalina.
É alvirrubra!
O Sport concordou com o regulamento. Assinou.
Se for o melhor, vence.
Se não for, perde.
É do jogo.
Está na regra.
O futebol vai muito além das palavras vazias de quem não reconhece a grandeza do seu passado.
O futebol se revela na luta para enfrentar as adversidades.
O poder financeiro.
A máquina que insiste em não reconhecer a força de uma torcida.
O Náutico poderia exigir respeito.
Mas, em respeito ao passado de um ex-presidente.
O Náutico solicita apenas o silêncio.
Pois nada fere mais que um gol contra de um antigo comandante!

criado por Roberto Vieira
18:49:40
Fiquei pensando na semana de lágrimas que tivemos. Semana das lágrimas de Guga.
Semana das lágrimas de Ronaldo.
Semana das lágrimas de Romário ao ser absolvido.
Os dois primeiros casos trágicos pela dor física. Pelo adeus de dois jovens de trinta e um anos, precocemente aposentados das suas paixões.
Embora a gente torça pra que Ronaldo volte a contrariar as leis da física.
Ele que sempre será um fenômeno do esporte.
O caso de Romário é trágico por ser um filme triste e de enredo conhecido.
O craque que chega ao fim da estrada e não percebe que é bem maior que os dirigentes que o rodeiam.
Pensando nas lágrimas de uma semana triste foi que vi no para choque de um caminhão uma frase bela.
Inesperadamente bela na paisagem uniforme da estrada que nos cerca:
‘“Muitas vezes, as lágrimas são o último sorriso do amor.”

criado por Roberto Vieira
17:46:06
POR LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA
O Náutico perdeu do Serrano na estréia com um gol aos 44 minutos.
Perdeu depois para o Centro Limoeirense, na quinta rodada, com um golzinho aos 48, já nos acréscimos.
O ano passado, na estréia do Brasileiro, um ponto foi embora, e por pouco não faz falta, por causa de um gol que os timbus tomaram nos sete minutos (um absurdo!) que o homem de preto deu de presente ao Galo de Minas. Lembram-se?
O Sport não teria os quatro pontos de frente, se não fossem os dois gols salvadores, o tempo por conta dos juízes, em cima do Central. No jogo de ida e no de volta, três dias depois.
E o que se diz por ai?
Que o Sport é sublime.
Que o Náutico não tem time.
Nada disso. O futebol tem sua própria gramática.
E a falta que faz um ponto na gramática do futebol só as reticências de um clássico podem resolver.

criado por Roberto Vieira
17:28:07
EL SEÑOR VASCONCELOS
O Náutico vai pisar o gramado remendado do Vivaldão.
Contra o Atlético de Roraima.
Mas o Vivaldão tem muita história.
E o gramado também. Gramado que era de luxo em 1969 quando foi inaugurado.
Aliás, inaugurado antes mesmo do estádio Vivaldo Lima.
Porque o Vivaldo Lima só foi inaugurado em 5 de abril de 1970 quando o Brasil venceu a Seleção do Amazonas por 4x1.
A primeira vez que o Timbu jogou em Manaus foi no feriado de 21 de abril de 1950. Vitória de 3x2 sobre o América local.
Em seguida goleou o Fast por 9x4 e venceu por duas vezes o Nacional por 3x2 e 4x2.
Tudo fazendo parte da memorável excursão ao norte do país no início da década de 50.
Oficialmente o primeiro jogo do Timbu no Amazonas só viria a ocorrer vinte e dois anos depois pelo Brasileirão 72.
Exatamente no Vivaldão contra o Nacional.
Nacional que trazia como surpresa o centroavante Campos.
Campos que seria suspenso por doping. Campos que viria para o Náutico em 1976.
Neste primeiro jogo oficial em Manaus, Campos marcou um gol. Ismael fez outro.
Mas o Náutico venceu por 3x2 com gols de Paulinho (2) e Vasconcelos.
Era o dia 19 de novembro de 1972.
Outro feriado nacional.
Depois, os jogadores deram uma passada na Zona Franca e fizeram a festa!

criado por Roberto Vieira
17:14:55
Faleceu em Belo Horizonte o genial Pedro Paulo.
Que jogou no Náutico em 1974 no Brasileirão.
Pedro Paulo que ocupou o lugar que seria de Borges e Baiano no estadual.
Pedro Paulo que estava internado desde o dia de Natal no Hospital João XXIII após um AVC.
Eu fiquei pensando o que escrever sobre o herdeiro de Gena.
O homem que punha qualquer ponta no bolso.
Achei melhor escrever uma velha história contada pelo meu compadre Jorge.
Jorge, exilado no Rio de Janeiro.
Uns dirão que é lenda.
Pra mim é a mais pura verdade.
Era um dia de Náutico e Santos nos Aflitos.
Uma bola vem rolando rente a lateral do campo.
De repente, surgem do nada, Pelé e Pedro Paulo disputando a pelota.
Pedro Paulo que derrotara o Rei nas finais da Taça Brasil de 1966.
Pedro Paulo que havia sido derrotado pelo Náutico na Taça Brasil de 1967.
O Rei dá o bote.
Mas antes que chegue a tocar na bola, Pedro Paulo dá um toque sutil e coloca a bola nas canetas do Rei.
E sai com a redonda colada nos seus pés.
Pelé fica parado na beira do gramado. Humilhado.
O estádio explode em palmas. E depois ri do Rei.
Pedro Paulo não perde tempo.
Toca a bola de lado e volta correndo pra falar alguma coisa com Pelé.
No final da partida, um repórter pergunta a Pedro Paulo que diabos ele tinha ido falar com o camisa 10 da Vila.
E Pedro Paulo falou com toda sabedoria do mundo:
"Fui pedir desculpas. Se tranquilo ele já faz do que faz, imagina o Homem com raiva!"
Hoje, Pedro Paulo estará fazendo tabelinhas com Jorge Mendonça e Paraguaio.
Colocando a bola nas canetas do tempo.
PS: Na foto, Pedro Paulo no dia 13 de dezembro de 1967 na Ilha do Retiro. Ele observa atônito o foguete que sai dos pés de Lala e explode nas redes de Raul Plassman. Pedro Paulo disputou 405 partidas pelo Cruzeiro e foi oito vezes campeão mineiro.
Grato Lucídio pelos detalhes da lateral direita do Timbu em 1974/75!

criado por Roberto Vieira
14:12:17