O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Terra Blog

Arquivo de: Fevereiro 2008, 16

16.02.08

DESESPERAR JAMAIS!

 

 

Para os alvirrubros que vislumbram uma semana difícil.

Uma lembrança.

12 de maio de 2001. Ilha do Retiro.

O Náutico troca de técnico.

Muricy Ramalho chega para uma missão impossível.

Resgatar o Náutico das profundezas de uma década sem títulos.

Náutico com um jogador a menos.

O resto da história está nessa crônica escrita ano passado...

 

                            GOL DE ADILSON

A ÚLTIMA FOLHA SECA

POR ROBERTO VIEIRA

12.05.2001. Didi, o melhor jogador da Copa de 58, falece no Rio com falência múltipla dos órgãos secundária a um câncer de fígado. Armando Nogueira, emocionado, escreve uma das mais belas páginas do futebol brasileiro ao homem que desafiou com seus chutes as leis da física.

Em Recife desembarca o técnico Muricy Ramalho proveniente da Portuguesa Santista. Vem tentar salvar o alvirrubro pernambucano que ocupa a terceira posição no primeiro turno. Seu maior rival caminha para conquistar o hexacampeonato. Milhares de torcedores jamais assistiram o Náutico ser campeão.

Logo depois que Just Fontaine abriu o placar para a França na semifinal de 58, Didi viu o medo estampado nos seus companheiros. O Brasil ainda não havia sofrido nenhum gol naquele campeonato. Ele colocou a bola no chão e pediu para baterem o centro nos seus pés.

Muricy declara na primeira entrevista: ‘Eu vim para ser campeão!’. Já Adilson era um menino alto e magro. Nascido da pobreza nordestina. Brincava de fazer gols de falta no CRB quando um olheiro do Náutico perguntou se ele queria treinar a pontaria por estas bandas. Foi escalado na reserva do clássico contra o Sport na Ilha no dia 16.

Didi domina a bola no meio de campo. O Príncipe Etíope observa o goleiro Abbes adiantado...

Se perdesse o clássico o Náutico perderia qualquer chance de vencer o primeiro turno que trazia o Santa Cruz e o Sport na liderança. Foi a última partida antes do apagão que impediu partidas noturnas por um bom tempo no país.

A bola branca assiste aquele homem de pés assimétricos bailar. Didi calçava chuteira 41 no pé direito e 40 no pé esquerdo.

16 de maio de 2001. Qualquer alvirrubro sabe isso de cor: Gilberto; Rafael, Silvio, Lima e Vital; Marcelo Fernandes, Sangaletti e Wallace; Thiago, Kuki e Alberto. Foi o primeiro time escalado por Muricy no comando do Timbu.

4’ e Leonardo chuta contra a trave de Gilberto.

Didi atinge a bola de três dedos. A bola ganha impulso sob o frio escandinavo.

12’ e Kuki serve Alberto que descobre Thiago livre. A defesa nada pode fazer: 1x0!

Abbes observa a bola indo para fora.

17’ quando Eduardo Marques entra pela ponta, dribla Silvio e cruza para Rodrigo Gral decretar o empate. Parece que tudo voltava a ser como antes. Os torcedores rubro-negros entoam seus gritos de guerra. Os alvirrubros imaginam o pior. Principalmente quando Marcelo Fernandes é expulso. Se com 11 era difícil, imagine com 10. E o que parece ser a derradeira esperança explode na trave de Neneca. Thiago desviou a bola do arqueiro do Sport, mas ela teimou em se chocar com o poste. Termina o primeiro tempo.

O estádio se cala. Abbes observa que a bola descreve uma curva e vai decaindo no ângulo. Como uma folha no inverno europeu.

Alberto cedeu seu lugar para Adilson. Alguém gritou da arquibancada que ele se parecia o velho mestre Didi com aquele bigode de um tempo que o vento levou. Kuki domina a bola e sofre falta. Quarenta e três metros de distancia. Quarenta e três anos depois. O menino de Sergipe calmamente ajeita a pelota. Neneca observa com os mesmos olhos de Abbes.

A bola beija a rede depois de percorrer um trajeto tortuoso como o vento. Didi comemora nos braços do futuro rei Pelé. O mundo conhece os futuros campeões mundiais.

A bola sai dos pés de Adilson girando. Quem está por detrás do gol imagina que ela vai morrer longe da meta leonina. Subitamente o estádio se cala. A esfera vai girando cada vez mais rapidamente, porém muda sua trajetória descrevendo uma parábola. O goleiro do Sport salta por desencargo de consciência. A bola beija o lado interno da rede próxima ao ângulo. A multidão alvirrubra se abraça. Como se o Náutico houvesse chegado a Terra Prometida. Um senhor de cabelos brancos se ajoelha e chora. E o Náutico se fecha. As hordas inimigas atacam e são rechaçadas. As legiões alvirrubras não cederão um centímetro aos bárbaros. No banco Muricy empurra o time. Em campo os brados de Sangaletti ecoam entre os legionários.

Um final emocionante une uma torcida com a sua história. 2x1!

Quando as luzes do estádio se apagam. Quando é chegada a noite na província, alguns imaginam que aquele foi o primeiro momento de glória para Muricy Ramalho. Outros imaginam que foi o primeiro momento de glória daquele menino sergipano.

Mas os deuses dos estádios guardam um segredo: Aquela foi em verdade, a última folha seca!


O TIME DA CONSUL

 

                                  

 POR ROBERTO VIEIRA

 

Com a saída do técnico Roberto Fernandes para dirigir o Azulão, uma pergunta azucrina a vida de muito alvirrubro. O que o São Caetano tem que o Náutico não tem? E vice-versa.

A Associação Desportiva São Caetano foi fundada em 1989. Ano em que o Náutico completava 88 anos de história sendo campeão pernambucano. Doze anos depois o São Caetano se classificava para a Libertadores. E o Náutico se reerguia de uma quase extinção.

O São Caetano era um time novo sem dívidas. O Náutico, um clube centenário com a sede penhorada. O São Caetano cruzava o Brasil com o patrocínio da Consul. Dez milhões de reais em patrocínio no ano de 2007. O Náutico tinha que reaprender a ser uma Brastemp, solicitando migalhas da CBF.

No São Caetano se paga reliigosamente os salários de quinze em quinze dias. No Náutico se paga os salários sob ameaça de greve de dois em dois meses.

Mas existem algumas coincidências entre os dois clubes. O Náutico conquistou seu primeiro título neste século sob o comando de Muricy Ramalho em 2001. O São Caetano conquistou seu primeiro título de primeira divisão com o mesmo Muricy Ramalho no Paulistão 2004. Ambos usam a logomarca Wilson.

Poderia resumir a questão da seguinte maneira.

A diretoria do São Caetano administra o resultado de boas administrações em seus 19 anos de história. E joga perto do dinheiro. Força motriz do futebol.

A diretoria do Náutico administra décadas de caos. Com juros e dívidas até o pescoço. Fazendo gol longe do PIB.


ADEUS, ROBERTO FERNANDES!

 

 

Roberto Fernandes aceitou a proposta do São Caetano.

Bom pra ele.

Ruim pro Náutico.

A vida acabou?

Não.

A vida continua.

Roberto Fernandes foi o grande responsável pela recuperação do Náutico na Série A.

Nem tem o que discutir.

Pegou um amontoado de jogadores e fez um time.

O Náutico será sempre grato a ele.

Mas é preciso raciocinar da seguinte forma.

E digo isso ao Náutico e a Roberto Fernandes.

Na vida é preciso um projeto.

É preciso saber onde vamos.

Com essa saída ele atrasou o planejamento Timbu em dois meses.

Não completou sequer o primeiro turno do campeonato.

Saiu no momento em que nos aproximamos da liderança.

Largou a rapaziada na Copa do Brasil.

Nem olhou pra trás.

Entendo a falta de dinheiro. Entendo a atração pelo Sul-Maravilha.

Mas, respeitosamente falando.

Se era pra dizer adeus, devia ter dito em dezembro!

 

 

O INESQUECÍVEL GIVANILDO ALVES

 

                      

                                               GIVANILDO ALVES

 

Givanildo Alves é sinônimo de história do futebol pernambucano.

Deveria ser lembrado sempre.

Ter uma estátua em cada estádio.

Ser nome de taça. 

Verbete de enciclopédia.

Mas, ninguém lembra.

Ninguém sabe.

Ninguém leu o autor da 'História do Futebol Pernambucano'.

Hoje.

Nem que seja por um breve instante.

Vamos render homenagem a quem botou a bola nos livros.

E fez um gol de letra.

 

 

O NÁUTICO E A FEBRE AMARELA

 

                            

 

A febre amarela é mais antiga que o Náutico centenário.

Veio com os navios negreiros e ficou pelas Américas.

Em 1999 o Timbu ia jogar em Macapá e todos os jogadores se vacinaram.

Os torcedores do Amapá ficaram indignados.

Como se não houvesse febre amarela silvestre no Amapá.

Na foto, a charge da época.

Os tempos mudam.

Mas as histórias se repetem.