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Terra Blog

Arquivo de: Fevereiro 2008, 26

26.02.08

1991 FISIOLOGIA DE UMA DERROTA: A DERROTA

 

                      

 

Claro que eu não poderia batizar os textos como 'A Anatomia de uma derrota'!

Paulo Perdigão já escreveu um livro brilhante com esse título.

Mas fisiologia também é uma cadeira fundamental na medicina.

E eu creio que o termo fisiologia se aplica melhor às derrotas.

Estudo das funções.

Como a derrota se manifesta?

Qual a função de cada elemento na origem da derrota e da vitória?

Porque a vitória tem muitos pais.

E a derrota cresce em orfanato.

1991 foi um campeonato marcante.

Diria que foi o campeonato que ditou o ritmo da década.

O Sport venceu e o Náutico perdeu. Palavras difíceis de escrever.

Porém, reais.

Não adianta só analisar o triunfo. Triunfo não leva a nada.

Só a outro triunfo.

Mas analisar a derrota é fundamental se queremos aprender a vencer.

O time do Sport era levemente superior ao Timbu.

O Náutico era primeira divisão do Brasileiro.

Não havia uma imensa disparidade financeira como a atual.

Nivaldo estava em campo.

O Náutico venceu o segundo turno no apagar das luzes.

Jogando nos Aflitos.

Então alguém decidiu ganhar dinheiro.

80% da renda se o primeiro jogo fosse nos Aflitos.

E o Timbu perdeu a grande vantagem que tinha de fazer o primeiro resultado em casa.

Alguns dirão que mesmo em casa o Náutico poderia perder.

Poderia, claro. É do jogo.

Mas poderia vencer.

No Arruda a torcida do Sport se sentiu em casa.

E se não fosse uma reação assombrosa no final da partida, tudo já iria se acabar uma semana antes.

A crise foi detonada nos Aflitos.

O dinheiro da renda não serviu pra nada.

A sala de troféus passou mais dez anos sem título.

E o belo texto de Lucídio José de Oliveira escrito antes da grande final quase foi o último em decisões.

Porque depois dessa final.

O Náutico rolou ladeira abaixo.

Muito parecido com o América depois da decisão do estadual de 1950.

Leiam os posts abaixo.

Pensem. Reflitam.

Analisem a fisiologia desta derrota.

E que os alvirrubros nunca mais abandonem seu estádio.

Pois dinheiro na mão é vendaval.

 

1991 FISIOLOGIA DE UMA DERROTA: OS 80 DINHEIROS

 

Semana quente nos Aflitos.

A torcida esperançosa.

Pois a torcida sempre espera.

Mas Sebastião Orlando escreve uma carta-renúncia.

Solidário a vários alvirrubros que foram expurgados do Conselho do clube.

                            

 

Nos jornais, uma voz toca na ferida.

No cerne da questão.

Os oitenta dinheiros que levaram o jogo para o Arruda.

Longe dos Aflitos.

A voz do cronista Lula Carlos.

Um apaixonado pelo Timbu.

 

                                  

1991 FISIOLOGIA DE UMA DERROTA: O MILAGRE

 

                 

 

O jogo do dia 8 de dezembro foi terrível.

O Sport marcou 3x1. Com direito a olé.

O Arruda parecia o Gólgota.

A defesa do Náutico negando três vezes antes do galo cantar.

Quando no final o Náutico reagiu e empatou com um gol de Freitas.

O Homem de Vidro.

Parecia um milagre.

Mas a semana seria terrível para todos os apóstolos timbus.

Semana de Babel...

Bolsos cheios. Troféu distante.

1991 FISIOLOGIA DE UMA DERROTA: A ISCA

 

                       

 

O Sport joga a isca.

Caso o Náutico aceitasse jogar a primeira no Arruda.

80% da renda seria alvirrubra.

O Náutico aceita o trato.

E vai feliz da vida jogar fora de casa o primeiro jogo.

Timbu de salto alto.

1991, FISIOLOGIA DE UMA DERROTA: NÁUTICO VENCE

 

                             

                                         LÚCIO SURUBIM

 

Primeiro de dezembro de 1991.

O Náutico vence o Santa Cruz por 1x0.

Nos Aflitos.

Defendendo-se antes. Atacando depois.

0x0 no tempo normal.

E Nivaldo marca aos 4' da prorrogação.

A final seria em dois jogos.

O primeiro nos Aflitos.

Contra o Sport.

Que jogava por dois empates.