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Claro que eu não poderia batizar os textos como 'A Anatomia de uma derrota'!
Paulo Perdigão já escreveu um livro brilhante com esse título.
Mas fisiologia também é uma cadeira fundamental na medicina.
E eu creio que o termo fisiologia se aplica melhor às derrotas.
Estudo das funções.
Como a derrota se manifesta?
Qual a função de cada elemento na origem da derrota e da vitória?
Porque a vitória tem muitos pais.
E a derrota cresce em orfanato.
1991 foi um campeonato marcante.
Diria que foi o campeonato que ditou o ritmo da década.
O Sport venceu e o Náutico perdeu. Palavras difíceis de escrever.
Porém, reais.
Não adianta só analisar o triunfo. Triunfo não leva a nada.
Só a outro triunfo.
Mas analisar a derrota é fundamental se queremos aprender a vencer.
O time do Sport era levemente superior ao Timbu.
O Náutico era primeira divisão do Brasileiro.
Não havia uma imensa disparidade financeira como a atual.
Nivaldo estava em campo.
O Náutico venceu o segundo turno no apagar das luzes.
Jogando nos Aflitos.
Então alguém decidiu ganhar dinheiro.
80% da renda se o primeiro jogo fosse nos Aflitos.
E o Timbu perdeu a grande vantagem que tinha de fazer o primeiro resultado em casa.
Alguns dirão que mesmo em casa o Náutico poderia perder.
Poderia, claro. É do jogo.
Mas poderia vencer.
No Arruda a torcida do Sport se sentiu em casa.
E se não fosse uma reação assombrosa no final da partida, tudo já iria se acabar uma semana antes.
A crise foi detonada nos Aflitos.
O dinheiro da renda não serviu pra nada.
A sala de troféus passou mais dez anos sem título.
E o belo texto de Lucídio José de Oliveira escrito antes da grande final quase foi o último em decisões.
Porque depois dessa final.
O Náutico rolou ladeira abaixo.
Muito parecido com o América depois da decisão do estadual de 1950.
Leiam os posts abaixo.
Pensem. Reflitam.
Analisem a fisiologia desta derrota.
E que os alvirrubros nunca mais abandonem seu estádio.
Pois dinheiro na mão é vendaval.

criado por Roberto Vieira
20:50:53
Semana quente nos Aflitos.
A torcida esperançosa.
Pois a torcida sempre espera.
Mas Sebastião Orlando escreve uma carta-renúncia.
Solidário a vários alvirrubros que foram expurgados do Conselho do clube.

Nos jornais, uma voz toca na ferida.
No cerne da questão.
Os oitenta dinheiros que levaram o jogo para o Arruda.
Longe dos Aflitos.
A voz do cronista Lula Carlos.
Um apaixonado pelo Timbu.

criado por Roberto Vieira
20:33:59

O jogo do dia 8 de dezembro foi terrível.
O Sport marcou 3x1. Com direito a olé.
O Arruda parecia o Gólgota.
A defesa do Náutico negando três vezes antes do galo cantar.
Quando no final o Náutico reagiu e empatou com um gol de Freitas.
O Homem de Vidro.
Parecia um milagre.
Mas a semana seria terrível para todos os apóstolos timbus.
Semana de Babel...
Bolsos cheios. Troféu distante.

criado por Roberto Vieira
20:27:54

O Sport joga a isca.
Caso o Náutico aceitasse jogar a primeira no Arruda.
80% da renda seria alvirrubra.
O Náutico aceita o trato.
E vai feliz da vida jogar fora de casa o primeiro jogo.
Timbu de salto alto.

criado por Roberto Vieira
20:16:55

LÚCIO SURUBIM
Primeiro de dezembro de 1991.
O Náutico vence o Santa Cruz por 1x0.
Nos Aflitos.
Defendendo-se antes. Atacando depois.
0x0 no tempo normal.
E Nivaldo marca aos 4' da prorrogação.
A final seria em dois jogos.
O primeiro nos Aflitos.
Contra o Sport.
Que jogava por dois empates.

criado por Roberto Vieira
20:00:18