O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Terra Blog

Arquivo de: Fevereiro 2008, 28

28.02.08

CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO

 

                       

 

No final de semana haverá imagens sensacionais.

Imagens apagadas da memória.

Por enquanto, cenas dos próximos capítulos.

Nenca salva.

Sidclei protege.

Luciano lamenta!

A VOLTA DO URUBU DO HENFIL...

 

Por Roberto Vieira



Quem esteve hoje na Gávea pôde presenciar um urubu injuriado.

Dando entrevista.

Com a faixa de campeão da Taça Guanabara no peito.

Aqui, um trecho do desabafo:

“É tiro e queda.

O Flamengo vence e alguém bota a boca no trombone.

Domingo quando o Botafogo perdeu foi a vez de Bebeto de Freitas.

Logo o Bebeto!

Mas essa conversa vem de longe.

Daqueles anos em que a gente não vencia o Botafogo nem no cara ou coroa.

Até aparecer um primo meu no Maracanã.

O Henfil viu aquilo e desenhou o papai aqui. Não é pra qualquer um, não.

Quase virei música do João Bosco e do Aldir Blanc.

Ninguém assume, mas a letra original tinha '... a volta do urubu do Henfil.'

Mas não aceitei. E botaram o Betinho. Ficou classudo, politizado.

Mermão, derrota a gente sofre calado. Agüentando firme as gozações.

O bom malandro não berra.

Quando ta calor voa com uma asa só.

Agora chegou a vez dos peruanos do jornal ‘Líbero’.

O jornal afirma que o Cienciano foi tungado pelo juiz argentino.

Aliás, essa história entre peruanos e argentinos nós já vimos antes.

Eles é que curtem esse negócio de comprar resultado.

Coisa de peru, um parente meu que morre de véspera.

Chega!

O Flamengo nunca precisou de ajuda alienígena para vencer.

Foi até prejudicado na final de 66 contra o Bangu.

Final muito estranha, diga-se de passagem.

E aquele gol de Maurício empurrando Leonardo? Esqueceram?

Podem checar nos vídeos da época.

Isso é coisa de atleticano que vive chorando o carrinho de Reinaldo em Zico em 1981.

Ou queriam que Wright não expulsasse ninguém?

Só falta agora aparecer um torcedor do Sport dizendo que é campeão brasileiro de 1987.

Ora, tenham a santa paciência!”

VITOR JÚNIOR NO TIMBU?

 

Seria uma perua?

Ou não?

Vitor Júnior é o tipo do jogador que se encaixaria como uma luva no nosso meio de campo.

Lado a lado com Geraldo.

Municiando o ataque e marcando gols.

Estou esperando a confirmação das fontes.

Ou não...

FELIX NA RUA DA AMARGURA

 

                

                                         FELIX

 

A vida tem dessas coisas.

A língua alheia também.

No dia 17 de novembro de 1974, Central e América entraram em campo.

Para disputar a preliminar do Clássico das Multidões.

O goleiro titular Edmilton do Central parou pra estudar.

Isso mesmo. Se preparar para o vestibular de Educação Física.

E mandaram chamar às pressas Felix.

Felix que havia sido pai apenas 24 horas antes.

Tudo bem?

Não.

Felix havia sido destituído do posto de titular por uma suspeita.

Na derrota por 2x0 para o Santa Cruz em outubro, Felix tomou dois gols em bolas defensáveis.

Depois de operar vários milagres.

Santa Cruz que não precisava comprar goleiro pra ganhar do Central.

Com todo respeito.

Mas Felix havia jogado no tricolor.

Pronto!

Alguém gritou: 'Está vendido!'

Orlando Fantoni esbravejou: 'Culpado!'

E Felix se deu por vendido.

Chutado de lado.

Conduzido a rua da Amargura.

No dia 17 de novembro Felix vestiu a camisa número 1.

E agarrou até pensamento.

Foi aplaudido pelo público no Arruda.

Aplaudido por quem sabia e quem não sabia do seu drama.

Quando terminou o jogo Felix voltou sereno para a casa humilde.

Para a sua mulher e seus três filhos.

Coisas da vida.

Boatos.

 

O PREFEITO GRACILIANO RAMOS

 

Abaixo um texto genial.

O auto-retrato do ex-prefeito de Palmeira dos Índios.

Graciliano Ramos. Falecido aos 61 anos.

 

"Nasceu em 1892, em Quebrangulo [paroxítono], Alagoas. Casado duas vezes, tem sete filhos. Altura, 1,75. Sapato n.º 41. Colarinho n.º 39. Prefere não andar. Não gosta de vizinhos. Detesta rádio, telefone e campainhas. Tem horror às pessoas que falam alto. Usa óculos. Meio calvo. Não tem preferência por nenhuma comida. Indiferente à música. Não gosta de frutas nem de doces. Sua leitura predileta: a Bíblia. Escreve Caetés com 34 anos de idade. Não dá preferência a nenhum dos seus livros publicados. Gosta de beber aguardente. É ateu. Indiferente à Academia. Odeia a burguesia. Adora crianças. Romancistas brasileiros que mais lhe agradam: Manoel António de Almeida, Machado de Assis, Jorge Amado, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz. Gosta de palavrões escritos e falados. Deseja a morte do capitalismo. Escreve seus livros pela manhã. Fuma cigarros Selma (três maços por dia). É inspetor de ensino, trabalha no Correio da Manhã. Apesar de o acharem pessimista, discorda de tudo. Só tem cinco ternos de roupa, estragados. Refaz seus romances várias vezes. Esteve preso duas vezes. É-lhe indiferente estar preso ou solto. Escreve à mão. Seus maiores amigos: Capitão Lobo, Cubano, José Lins do Rego e José Olympio. Tem poucas dívidas. Quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas. Espera morrer com 57 anos . Capitão Lobo comandava o quartel em que esteve preso no Recife, 1936; Cubano foi um ladrão que ele conheceu na cadeia. Ver Memórias do Cárcere, título idêntico ao de Camillo Castello Branco.