O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Terra Blog

Arquivo de: Março 2008, 01

01.03.08

NOS TEMPOS DE JORGE MENDONÇA...

 

                

 

27 de outubro de 1974.

Um dia pra ficar guardado na memória.

Do tempo em que os estaduais tinham clássicos.

O Náutico lutava contra o tempo.

Contra o Santa Cruz que ameaçava o Hexa.

E no meio do caminho tinha um leão. Tinha um leão no meio do caminho.

Aflitos.

O Náutico de Fantoni entra com força máxima.

Neneca; Borges, Beliato,Sidclei e Drailton; Juca Show e Vasconcelos; Dedeu, Jorge Mendonça, Paraguaio e Chico.

O Sport entra com Adeildo; Marcos, Lula, Alberto e Luisinho; Wilson e Rubens Salim; Luis Fumanchu, Helinho, Odilon e Feitosa.

O técnico é o conhecido Adelson Vanderlei.

Arbitragem do Sr. Helio Ferreira.

O Timbu havia derrotado o Central por 4x0 em Caruaru. Mas queria mais.

8' e Paraguaio lança Jorge Mendonça. Jorge se livra de Marcos e encontra Dedeu livre. Dedeu chega na corrida e fuzila de primeira, de pé esquerdo.

A bola beija as redes. 8' e 1x0.

Jorge Mendonça está com o diabo no corpo. Dribla três e rola pra Vasconcelos. O meia dispara um foguete que Adeildo espalma pra escanteio.

18' e Dedeu bate o escanteio. Na cabeça de Don Vasconcelos: 2x0!

A torcida tremula as bandeiras alvirrubras. Mas o show deve continuar.

34' Paraguaio vislumbra Dedeu. Dedeu recebe faz que vai não vai e acabou fondo para a linha de fundo. Levanta a cabeça e toca para Jorge Mendonça. Jorge dá um toque sutil para o menino Chico que acha pouco e dribla Adeildo, ameaça entrar com bola e tudo mas teve humildade em gol: 3x0.

3x0 em 34 minutos de jogo. A torcida rubro negra já foi pra casa. O arqueiro Neneca ainda não tocou na bola. Pede uma cadeira pro gandula e senta pra assistir o resto do espetáculo.

E tem mais.

32' do segundo tempo. Neneca lança Dedeu.

Dedeu que nesse jogo foi Garrincha e Julinho Botelho.

Dedeu rola pra Paraguaio.

O gaúcho enche o pé: 4x0.

A torcida sorri satisfeita. Só tem alvirrubro agora em campo.

Mas restava um gol.

O gol que guardaria este jogo na memória.

Uma bola que chega aos pés Dele.

Jorge.

Jorge Mendonça atira com efeito e precisão.

Com veneno.

O placar do balança mas não cai anuncia: 5x0!

Os jornais do dia seguinte proclamam.

O HEXA acordou!

Cuidado com o HEXA!

27 de outubro de 1974.

 

 

O ANJO NEGRO DOS AFLITOS

 

                         

 

Jorge Mendonça.

Jorge Mendonça.

Jorge Mendonça.

O Estádio dos Aflitos procura na memória seus pés.

E não encontra.

Quando chega um novo jogador, o estádio se enche de esperança.

Mas ninguém será igual a Jorge Mendonça.

Anjos são figuras raras no século XXI.

Jorge Mendonça que concebeu sua arte na grama silenciosa dos Aflitos.

Marcando gols.

Fazendo tabelas.

Contrariando as leis da física.

Quântico.

O que Jorge Mendonça fez com seus pés, poucos fazem com as mãos.

Pena que as imagens do futebol sejam virtuais.

Como conceber um museu das tuas obras-primas?

Um Louvre?

Como contar aos mais jovens que você existiu?

Matéria viva. Matéria prima. Matéria pura.

O time de 74 era mágico.

Mas você brilhava mais que a mágica dos seus colegas.

Um anjo.

Um craque.

Jorge.

8.

SEM PERDÃO

 

                           

 

O jogo se encaminhava para o final.

Qualquer outro diria.

Quatro ta bom! Não precisa humilhar.

Mas Ele não pensava assim.

Dominou a bola.

Vislumbrou o impossível.

Raciocinou o lógico.

Atirou no invisível.

E a bola descreveu uma curva improvável.

Ganhando o coração das redes sagradas de Rosa e Silva.

No ângulo.

Na gaveta.

Onde o grito de gol se encontra.

Jorge Mendonça estabelece a goleada: 5x0!

Sem perdão.

Mas com açúcar e com afeto para a torcida Timbu.

A GUERRA DO PARAGUAI(O)

 

                          

 

Um jogo de luta, de garra.

Uma verdadeira guerra.

Travada em cada palmo do terreno.

Um dia D.

O Náutico precisando vencer.

Mais do que isso.

Precisando mostrar que não estava pra brincadeira.

No meio da luta, um guerreiro.

Um símbolo.

Paraguaio e Alberto no alto.

Jorge Mendonça e Lula no chão.

Paraguaio que marcaria um golaço.

Paraguaio inesquecível herói alvirrubro.

 

 

DE QUATRO, DIGO, DE CINCO!

 

                    

 

A defesa do Sport está atônita.

Perdida.

Derrotada.

O que foi que passou por aqui?

Um ciclone?

Um furacão?

Os cavaleiros do Apocalipse?

E os Aflitos respondem:

"Não! Foi Jorge Mendonça!"