O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Terra Blog

Arquivo de: Março 2008, 03

03.03.08

ADRIANO E O PAI DA NOIVA

 

POR ROBERTO VIEIRA

O namoro de Adriano com o São Paulo pode estar chegando ao fim.

Nunca foi casamento, nem noivado. Talvez nem namoro. Adriano ficou com o São Paulo.

Foi um flerte repleto de traições, noitadas e cacos de vidro.

Embora a separação de fato ainda não tenha ocorrido, vale a pena lembrar outros tempos.

Nos anos 30, os italianos compravam jogador por quilo.

Monti e Orsi na Argentina.

Filó, Niginho e Orlando Fantoni no Brasil. Oriundi. Guaita.

E ganhavam Copas do Mundo com seleções multinacionais.

Seguiram fazendo tais investidas no pós-guerra. Suecos, Schiaffinos, Gighhias, Sívoris, Botelhos.

Só quebraram a cara uma vez. Quando tentaram levar Pelé e Mané para a Velha Bota.

O pai da moça de então, João Saldanha, disse não! Mané faz parte do Velho Bota!

O Santos se fez de surdo.

Hoje, quem faz o galanteio é Silvio Berlusconi. O homem mais rico da Itália.

O homem que montou o Milan de Van Basten e Gullit. Berlusconi que nasceu na Milão fascista dos anos 30.

Herói para metade da Itália. Vilão para o restante.

Setenta anos depois, as coisas continuam as mesmas do tempo de Mussolini.

A Itália, sétima economia do mundo, é organizada o suficiente para dar cantada em quem quiser.

O Brasil, décima-primeira, fica assistindo calado. Assumido.

Mas quem sabe Adriano continue ficando no São Paulo.

Não pelo charme do São Paulo.

É que o pai da noiva também é milanês.

Só que torce pela Inter!

O CAMINHO DO TÍTULO

 

Tabela do segundo turno.

Até agora.

Continuo achando que o campeonato se decide nos dois jogos contra o Sport.

É ver pra crer.

 

09/03 16h - Náutico x Central

12/03 20h30m - Ypiranga-PE x Náutico

16/03 16h - Salgueiro x Náutico

23/03 16h - Náutico x Serrano

26/03 20h30m - Náutico x Sport

30/03 16h - Central x Náutico

06/04 16h - Náutico x Ypiranga-PE

13/04 16h - Náutico x Salgueiro

16/04 20h30m - Serrano x Náutico

20/04 16h - Sport x Náutico

MANCHETES DO PINOCHIO

 

                            

 

Dá vontade de rir. Ou chorar.

Pior que o livro 1984 de Orwell.

3 de maio de 1968.

O Esporte vendo o Náutico arrancar para o hexa.

Chega alguém e publica na capa do Diario.

"Náutico e Esporte no Roberto Gomes Pedrosa!"

Ou seja, no Robertão. Antigo campeonato nacional.

Um absurdo!

O Náutico era vice-campeão brasileiro.

O Esporte estava longe do cenário nacional.

Um momento!

Uma leitura mais apurada esclarece o mal entendido(sic).

O Náutico e o Esporte Clube Bahia!

Desleixo ou mensagem subliminar?

Ou gozação de um alvirrubro?

Deixo a resposta com vocês...

 

A ARGENTINA CONHECE ZICO

 

                    

 

1976. Taça Atlântico.

O Brasil entra em campo no Monumental de Nuñes (FOTO).

A Argentina será a anfitriã da Copa de 78.

Zico já ganhara o jogo contra os uruguaios.

E agora, de falta, mostra aos argentinos quem é Zico.

Os platinos não hesitam:

'Zico é o Pelé Branco!'

Maradona assiste o jogo na arquibancada.

O REI ARTHUR**

 

POR ROBERTO VIEIRA

 

“O futebol é a vida de chuteiras, mon ami!”


O cavalheiro francês pronuncia as sílabas com cuidado, entremeando pausas e gestos. Mãos estendidas no ar.


“Era um pênalti. Eu não tinha nada a perder. Quem ia bater era um daqueles brasileiros do outro mundo. O Rei Arthur.”


Seus olhos se perdem na distancia do inverno europeu. O corpo se move para a direita.


“Ele tinha acabado de entrar e deixou Branco cara a cara comigo. Hoje eu seria expulso. Mas naquele tempo eu ganhei tempo. Salvei o gol. Mas quem ia bater era ele, o Rei Arthur.”


Por um instante o cavalheiro parece que vai se jogar num gramado imaginário.


“Platini me olhava desconsolado. O calor tornava tudo uma miragem. Eu enxergava as camisas amarelas e azuis. O gramado verde. Zapata.”


Ele sorri.


“A bola foi batida fraca. Eu esperei até o último instante pra me jogar. Quando senti que minhas luvas encontravam a bola, sonhei. No outro instante a bola estava na arquibancada. O Rei Arthur olhava para o chão. Careca chegou pra consolá-lo. O jogo prosseguiu.“


O riso se desfaz.


“O jogo acabou. Mas ainda havia a tortura dos pênaltis. Mas naquele dia estava escrito que nós iríamos vencer. As bolas batiam nas traves, nas minhas mãos, nas costas do goleiro do Brasil e entravam. Nunca tive tanta sorte na vida!”


De repente um cigarro. A fumaça se elevando no ar do bistrô. O cigarro proibido é aceito por todos em sua volta. Um tributo ao sofrimento do goleiro.


“Quando a gente saiu de campo, eu vi um velho senhor brasileiro chorando nas arquibancadas. Olhos marejados. Ele me olhou com as lágrimas nos olhos e pronunciou alguma coisa que eu não pude entender. Baixei meus olhos e quando os ergui novamente o lugar estava vazio. Onde estava o feiticeiro? Onde estava Merlin?”


O vinho é servido. Uma última taça. Todos conhecem o final da história.


“No jogo seguinte minhas mãos tremiam. Eu só lembrava o feiticeiro brasileiro. Das palavras que eu não conhecia. As minhas mãos tão frias e precisas deixaram flutuar para dentro do gol a bola despretensiosa de Brehme. Os companheiros me olhavam desconsolados. Eles não sabiam daquele estranho feiticeiro. Sabiam apenas que o encanto fora quebrado.”

Bats se levanta na noite parisiense. Aperta as mãos dos amigos. Se vai repetindo pelas ruas:


“O futebol é a vida de chuteiras, mon ami!”

 

** Feliz aniversário, Zico!