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Arquivo de: Março 2008, 06

06.03.08

6 DE MARÇO, DIA MUNDIAL DO GLAUCOMA

 

POR ROBERTO VIEIRA

ARTIGO PUBLICADO HOJE NO GLOBO ONLINE

                                                                                                         

 

O dia 6 de março de 2008 foi escolhido como o Dia Mundial do Glaucoma.

Glaucoma que até o ano de 2010 afetará mais de 60 milhões de pessoas em todo o mundo.

Ricos e pobres. Homens e mulheres. Crianças e idosos. Democraticamente.

A iniciativa ocorre pela primeira vez na história, um projeto global da World Glaucoma Association e da World Glaucoma Patient Association. No Brasil, a iniciativa conta com o respaldo da Sociedade Brasileira de Glaucoma.

E muita gente deve se perguntar: Por quê o glaucoma?

Porque o glaucoma é uma doença progressiva que causa perda irreversível da visão. Porque é uma doença silenciosa. Porque em todo o mundo desenvolvido calcula-se que 50% dos portadores ignoram a doença.

No Brasil, o glaucoma atinge 4 milhões de pessoas. E o número de pessoas que ignoram o perigo é bem maior que os 50% do primeiro mundo.

E o que é o glaucoma?

O glaucoma não é apenas uma doença, porém um grupo de doenças que causam lesão progressiva do nervo óptico. Existem glaucomas secundários a outras patologias. Os glaucomas traumáticos, por exemplo. Mas a grande maioria dos glaucomas é primária. Durante muito tempo imaginava-se que o glaucoma era simplesmente o aumento da pressão intraocular. Hoje, observa-se que pessoas com pressão intraocular dentro dos limites normais também podem ser portadores da doença.

A pressão intraocular hoje é apenas o principal fator de risco. Mas não explica tudo.

O glaucoma é uma doença descoberta recentemente?

O glaucoma não é uma doença moderna. Fala-se de glaucoma desde os tempos de Hipócrates. Claro que não era o glaucoma como os médicos reconhecem hoje em dia. Glaucoma era toda forma de cegueira, excetuando-se a catarata. Entretanto, até o século XIX, o diagnóstico de glaucoma era uma sentença de morte para a visão. Foi quando, em 1857, o genial Von Graefe idealizou a iridectomia para os casos de glaucoma agudo.

E o que mudou nos últimos 150 anos?

A cura do glaucoma não foi encontrada. Existe um longo caminho a percorrer. Mas o diagnóstico precoce e o controle adequado do principal fator de risco da doença, a pressão intraocular, estão ao alcance de todos os brasileiros.

Estão?

Sim, estão. A oftalmologia brasileira dispõe dos meios para detectar o glaucoma precocemente e tratar os pacientes de modo a reduzir drasticamente a cegueira, antes inevitável.

E isso está sendo feito?

Não. Porque a saúde depende de uma série de fatores.

Fatores?

Depende de exames realizados em toda a população. Quanto mais cedo é detectado o glaucoma, menor a perda visual do paciente. O exame oftalmológico deveria ser obrigatório para todas as crianças, por exemplo. É importante lembrar que o glaucoma tem um forte componente hereditário. Descoberto alguém com glaucoma, seus familiares devem ser examinados. No entanto, sem a conscientização da população todo esforço é nulo.

E os médicos?

A oftalmologia está preparada para detectar a doença e trata-la adequadamente. Glaucoma bem tratado permite uma boa qualidade de visão ao paciente.

E o governo?

O governo já disponibiliza centros de referencia em glaucoma, distribui medicamentos, custeia cirurgias. Porém, de uma forma muito tímida. O governo precisa entender que o custo de não tratar um paciente glaucomatoso é muito maior que o custo do tratamento. O tratamento de um paciente glaucomatoso não se resolve em um dia. É um tratamento para toda a vida.

Somente a cooperação dos pacientes, o trabalho dos médicos e a conscientização dos orgãos da saúde pública brasileira podem trazer uma luz no fim do túnel.

E devemos lembrar que uma luz no fim do túnel é tudo o que resta para milhares de portadores de glaucoma.

Portanto, a partir do dia 6 de março, procure o seu oftalmologista e pergunte sobre o glaucoma. Avise a família, converse com os amigos. Alerte quem desconhece a doença.

A visão agradece!

O DÉCIMO-SEGUNDO JOGADOR

 

                                LADISLAV PETRAS

                                            

POR ROBERTO VIEIRA

 
Kaká não é o primeiro.


Nem será o último.


Jogador ateu não existe. Cronista, talvez.


A fé está presente no futebol brasileiro, desde que o primeiro jogador calçou a primeira chuteira em nosso país, e entrou no gramado de pé direito fazendo o sinal da cruz.


Kaká é o reflexo do processo evolutivo da fé dentro das quatro linhas.


Mas a fé tem várias faces. Muitos rostos.


Uma camisa com os dizeres ’I belong to Jesus’ seria impensável na antiguidade do nosso futebol.


Pois no princípio era o amuleto. A reza, a mandinga. O despacho nas encruzilhadas. Galinha preta, vela e farofa em proporções colossais na véspera das decisões. Búzios e cartomantes. Matava-se um bode e bebia-se o sangue em rituais nos vestiários.


Duvida? Mas é verdade.


Mais de um título brasileiro foi comemorado nos terreiros de umbanda com muita cachaça e tambor enquanto se acendia incenso nas catedrais.

A igreja era pra mídia. O terreiro pra garantia.


Foi assim durante décadas. Figas amarradas nos calções, ervas nos meiões, promessas nas concentrações. O jogador brasileiro exercia seu sincretismo religioso a cada jogo. E a arquibancada e os dirigentes também.


Até que veio o jogo contra a Tchecoslováquia na Copa de 70. Ladislav Petras, atacante eslovaco penetra na retaguarda brasileira e chuta. Gol. Para espanto da pátria de chuteiras, o jovem atacante comunista de 23 anos se ajoelha e faz o sinal da cruz.


Como se fosse o menino Jesus de Praga. Ou Prievidza, como queiram os puristas.


Silêncio no banco e quartéis brasileiros. Comunista fazendo o sinal da cruz foi um choque. Para a esquerda e para a direita.


O time brasileiro jogou fora as ervas, os charutos e a farofa nos vestiários. E Jairzinho saiu fazendo sinal da cruz pela copa adentro. Virou moda. Embora Zagalo não largasse o número 13.


Tudo graças a Petras, que foi campeão europeu em 1976. Sempre fazendo o sinal da cruz. Cruz que para os tchecos e eslovacos não era apenas religião. Era também política e sonho de liberdade. Que o diga Milan Kundera.


Mas, voltando ao exemplo de Petras. Depois daquilo uma luz acendeu na alma dos jogadores brasileiros. Deus também habitava os campos de futebol.


Biriba era apenas uma fantasia de Carlito Rocha. Não adiantava enterrar sapo atrás do gol.


Anos depois da Copa de 70, João Leite e Baltasar apareceram. João Leite passou dez anos sem perder um jogo no Atlético-MG. Baltasar era o artilheiro de Deus. Que o diga o São Paulo e os espanhóis.


Foi o começo dos atletas de Cristo. Mãos erguidas aos céus. Camisetas proclamando a Boa Nova. O jogador Silas contrabandeando bíblias para a URSS no Campeonato Mundial de Juniores de 1985, propagando o evangelho em Portugal.


São Tiago.


Pois de jogador e de pastor, todo brasileiro tem um pouco.


Fé não se discute.


Cada ser humano necessita ter a sua própria explicação dos mistérios da vida. Do porque uma bola vai no ângulo e outra se choca contra a trave. Porque uns vencem com um gol nos acréscimos e outros perdem um gol feito em cima da linha.


De onde viemos. Para onde vamos.

Por que os lanterninhas serão campeões?


Kaká não é o primeiro.


Nem será o último.


A fé é o décimo - segundo jogador de cada brasileiro.

QUEM É ELE?

 

                           

 

Clássico de 1976. Arruda.

Pois é, naquele tempo a gente reclamava do excesso de clássisos.

Lá está nosso centroavante.

Cercado por Givanildo, Betinho, Alfredo Santos e Levi Culpi.

Quem é o rapaz?

Alguém se lembra dele?

Resposta: Mario. Que veio do Palmeiras com Fedato e Toninho Vanusa. Pra me dar muita raiva e poucas alegrias.

AVISO AOS NAVEGANTES!

 

                      

                            CENTRAL: CUIDADO COM A PATATIVA! 

 

Quem avisa amigo é, diz um ditado.

Domingo, respeito com o Central.

Eles sempre aprontam com a gente.

Ganharam do Remo no Mangueirão.

Cláudio e Leonardo estão jogando o fino.

Davi agarrando tudo!

Nada de menosprezar o adversário.

Achar que o jogo está ganho.

Entrar de salto alto.

E todos esses dizeres do mundo da bola...

Domingo, eles estão com a cabeça no Palmeiras.

Hora de largar bem no segundo turno.

Aviso aos navegantes.

Ao Roberto Fernandes.

Depois não digam que ninguém falou antes!

JOÃO HAVELANGE E O PARQUE AQUÁTICO, 1968

 

                          

 

Muitos alvirrubros imaginam que já nasceu pronto.

Não é verdade.

O Parque Aquático Bento Magalhães é fruto de muito trabalho.

E contribuiu com inúmeros títulos estaduais e nacionais na natação.

Em 1968 era nosso orgulho.

João Havelange foi visitar a obra gigantesca.

Havelange que começou nos esportes aquáticos.

Lembrem sempre de um detalhe importante!

O Náutico é igual a 'vida' no planeta Terra.

Sua origem foi na água.