| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | |||||
| 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 |
| 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 |
| 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 |
| 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 |
| 31 |
POR ROBERTO VIEIRA
Um campinho de terra batida nas estradas da imaginação. Duas traves de vírgulas.
Não precisa editor. Revisão nem pensar.
Um jogo sem replay. A história escrita nos livros e revistas esportivas. Mil e uma vezes.
Nelson Rodrigues bate o centro, deixa de lado com José Lins do Rego.
Eduardo Galeano grita pedindo bola. Recebe. Dribla a estrela solitária Rui Castro e vira o jogo.
Armando Nogueira mata a bola no peito. Com o peito do pé lança na ponta esquerda para Luis Fernando Verissimo.
João Saldanha chegou na cobertura. E ficam se encarando. Gaúchos.
Verissimo querendo fazer Saldanha de João.
De repente, Verissimo partiu com a bola dominada rumo a linha de passo fundo. João deu um carrinho mas era tarde demais.
A bola viajava pelo alto encontrando a cabeçada imortal de Mario Filho.
Gol.
João do Rio bota as mãos na cabeça.
No placar 1 x 0. Milton Pedrosa chama Adonias de Moura e Lenivaldo Aragão.
Do pescoço pra baixo é pauta. Escreveu não leu, o pau comeu.
O juiz Thomas Mazzoni segura o jogo. Apita com o cartão vermelho na mão direita. O livro de regras na estante.
Aparicio Torelli é derrubado quando se prepara pra marcar o gol de empate.
Sergio Porto vendo o adversário no chão, é pragmático:
"Quando dói do umbigo pra baixo. Elixir palegórico. Do umbigo pra cima, aspirina."
Max Valentim ajeita a bola na várzea de Afonso e bate forte o pênalti. No ângulo.
Sem redes, a bola se perde nas reticências do tempo.
Os dois times trocam idéias e ideais, se juntando numa carraspana no Bar Amarelinho.
Enquanto Edgar Ferreira e Jackson do Pandeiro insistiam: Esse jogo não pode ser 1 x 1!.

criado por Roberto Vieira
20:50:26
O magistral Lucídio prossegue a saga alvirrubra.
No caso dos irmãos Mendonça, uma lição:
Quem vê cara, não vê craque não!
POR LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA
Anos 70. Os tempos de vitória da década anterior tinham ficado para trás. No correr da década, Jorge e Jairo Mendonça. Um pouco mais adiante, entrando pelos 80, a vez dos irmãos Douglas e Rogério. Jorge Mendonça à parte, o tempo já não era mais o do Hexa...
Desde os Carvalheira, nos anos 30, até chegar a Nado e Bita, quando se consolidara a tradição alvirrubra de contar em seus times, simultaneamente ou não, com atletas com o mesmo sobrenome, feitos memoráveis ficaram registrados por jogadores de uma mesma linhagem na história do clube.
Começou com Zezé, Artur, Fernando e Emídio, os Carvalheira. Não eram todos irmãos entre si. Zezé era irmão de Fernando, os dois primos carnais de Artur e Emídio. Para a imprensa porém, e para os torcedores também, eram como se fossem todos eles irmãos. Campeões em 34 e 39. Emídio chegaria ao time principal somente em 37; Artur já não participaria da jornada de 39. Carlos Celso registra duas partidas em que os quatro se encontravam juntos no gramado. Contra o Íris, campo da Jaqueira, dia 25 de abril de 1937. O Náutico perdeu de goleada para o suburbano time alviceleste de Santo Amaro: 6x2! Um ano depois, em outubro, no mesmo campo da Jaqueira, jogo contra o América. Placar bem mais honroso: empate em 2x2. O América era um dos grandes da cidade.
Prosseguiu com Edson e seus irmãos. História de campeões. Edson, campeão em 34-39; Edvaldo e Evaldo, campeões na década seguinte, em 1945. E com os irmãos Periquito, unindo com laços de família os títulos de 39 e 45.
Com os irmãos Viana, nos anos 40, a roda da fortuna já não seria tão generosa. É que Isaac, Tará e Orlando estiveram poucas vezes juntos em uma mesma partida de futebol. Não por culpa deles ou do Náutico. O ano era o de 1943, tempo de ditadura. Tolerância zero. Líder invicto, vencedor do 1º turno, tudo para ser campeão. Mas o Náutico foi levado a abandonar o campeonato. Em nome da tradição e do respeito de que sempre foi merecedor. Não aceitou uma punição severa e injusta imposta pela Federação. Não prosseguiu na disputa. Deixava de ganhar um título praticamente ganho. E os irmãos Vianas, de conquistarem juntos um título memorável. Uma pena. Um ao lado do outro, com a camisa do Náutico, apenas seis jogos naquele ano. E somente Tará seria campeão nos Aflitos. Teria que esperar dois anos. Assim que brilhasse o sol da redemocratização no país, em 45..
Nos anos a seguir, outros irmãos voltariam a ganhar títulos em Rosa e Silva sob a proteção do pavilhão alvirrubro. Aconteceu com Gilberto e Givaldo. Na mesma época, com Zeca e China.
Chegava então o tempo dos irmãos Lasalvia. Nado e Bita, juntos, tricampeões na primeira metade da jornada do Hexa. Sem contar mais com Nado, restaria Bita para ser seis vezes campeão.
Depois de Nado e Bita, os deuses do futebol tinham mesmo que descansar... O chamado merecido descanso dos deuses, após seguidos anos de ventura.
Finalmente os anos 70. Na sucessão do mitológico Jorge Mendonça, o ídolo imortal, campeão e artilheiro em 74, o irmão Jairo. Uma distância enorme separava o jovem e acanhado Jairo Mendonça do irmão famoso. Jairo jogou apenas umas poucas partidas em 1979. E são poucos os que dele hoje ainda se lembram. Somente uma glória lhe restou. A de ter participado de uma excursão internacional com o Náutico. Uma excursão na qual o Náutico se exibiu em três continentes. Na América Central, quando teve a honra de enfrentar o famoso New York Cosmos na ilha de Barbados no Caribe; na Ásia, jogando quatro partidas na cidade de Hail, em pleno coração da Arábia Saudita; e, por fim, na Europa, em jogo histórico contra o Malmoe da Suécia. Perdia o Náutico na ocasião a invencibilidade da temporada. Derrota por 1x0. O Malmoe participaria logo a seguir, um mês depois, da final da Copa dos Campeões, contra o Nottingham Forest da Inglaterra.
Jairo Mendonça esteve presente em todos os seis jogos da excursão. Marcou três gols, um a menos que Campos, o artilheiro com quatro. Ficou nisso Jairo Mendonça. Pensando bem: até que não é tão pouco assim. Muito distante porém do grande Jorge Mendonça.
Depois dos Mendonça, entrando pelos anos 80, os irmãos Douglas e Rogério.
Mas isso é história para o próximo capítulo da série.
PS: A foto: 1979 O Náutico de Pinheiro.
O time tem, agachado na meia-direita, Jairo Mendonça (a cara de Jorge Mendonça, o jeito de Jorge Mendonça; o futebol, nem tanto...).
Em pé: Clésio, Ademar, Dimas, Paulinho, Pinheirense e Jair; embaixo: Evaristo, Jairo Mendonça, Armando, C. A. Rocha e Valtinho

criado por Roberto Vieira
13:54:08

POR ROBERTO VIEIRA
Nicolás Dominguez dominou a bola.
Como todo guri louco por futebol não deu o passe.
Tentou o drible para delírio do estádio.
O jogador do Flamengo veio com tudo e empurrou Nicolás nas gerais.
Cartão vermelho. Tudo bem?
Não.
Porque Nicolás era o gandula da partida Nacional x Flamengo em Montevidéu.
E gandula não pode prender a bola. Tem que receber e devolver de primeira.
Drible nem pensar.
Como fazia o saudoso argentino Bernardo Gandula no Vasco da Gama.
O jogador Toró do Flamengo lamenta ter perdido a cabeça.
Explica que quando viu o menino vestido de azul na sua frente ele viu tudo vermelho. Discromatopsia.
Nicolás jura que não tentou o drible.
E no intervalo ficou fazendo embaixadinha pra delírio da torcida.
Nicolás que atua nas divisões de base do Nacional, promete.
Aos 13 anos, prende a bola como ninguém e já catimba como gente grande.
Já está na hora de profissionalizar os gandulas.
Pois, quem disse que gandula não ganha jogo?

criado por Roberto Vieira
09:34:09
Deveria servir de exemplo aos nossos times!
POR ROBERTO VIEIRA

O CRAQUE UÇÁ
Não existe bobo no futebol atual. Bobeou, dançou.
Como não existem supertimes. Nem maquinas, nem furacões.
No máximo uma rajada de vento. Craque que é bom está em extinção.
Posto isso, a vitória do Corinthians de Alagoas sobre o Atlético-PR na Arena da Baixada é um resultado normal.
Porque, ao contrário do que se possa imaginar, o Corinthians de Alagoas é um clube organizado. Como o Atlético-PR.
A equipe alagoana mantém o domínio das divisões de base no futebol local há oito anos.
Seu centro de treinamento e estádio são modelos. Muito a frente da maioria dos clubes do Brasil.
Podemos inclusive formar uma boa equipe com atletas revelados no Corinthians alagoano.
Pepe e Narciso na zaga. Deco e Marcelinho Paraíba no meio de campo.
Claro que a primeira vista o resultado choca. O poderoso Atlético perde para o desconhecido clone corintiano da antiga Terra dos Marechais!
Mas quem quiser assistir os melhores lances da partida verá que não foi uma luta de gato com rato. O Corinthians mesmo com um homem a menos mereceu a vitória, embora ela só tenha vindo nos pênaltis.
Porque não existe bobo no futebol atual. Bobeou, dançou.
Como não existem supertimes. Nem maquinas, nem furacões.
Não teve nada de zebra.
Apenas uma pata de uçá cruzando o caminho do furacão.

criado por Roberto Vieira
07:30:23