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BIZU CAÇANDO PATATIVA
Náutico x Central. Aflitos.
Hexagonal.
Em algum lugar no começo dos anos 90.
Bizu foi o dono do jogo.
E o Náutico nem tomou conhecimento do Central.
3 x 0!
Como resultado, coincidência.
O Timbu assumiu a liderança do hexagonal.
O goleiro do Central se chamava Felinho.
E Felinho levou o primeiro gol marcado por Alex.
No final do primeiro tempo um bate rebate.
E Bizu empurrou pras redes: 2 x 0.
No segundo tempo cruzamento no segundo pau.
E Bizu marcou seu segundo gol. De cabeça.
O juiz foi Valdomiro Matias.
Lúcio Surubim jogava na zaga.
Gilson Nunes era o técnico.
Paulo Leme jogava no meio campo.
Nailson e Alex formavam o ataque com Bizu.
Amanhã não temos Bizu.
Mas Kuki está lá.
E o resto do time é muito, mas muito melhor!
Detalhe.
Bizu saiu fugido do Ibama.
Com Bizu, patatava era espécie em extinção!

criado por Roberto Vieira
14:12:42
1993
POR ROBERTO VIEIRA
Para muitos, mestre da grande área. Um dos heróis do Hexa!
Para outros, um poeta.
Porém, Gilson Saraiva foi muito mais do que isso.
Como as pessoas tem memória curta, vale a pena recordar.
Diplomado pela UFPE em medicina, logo seguiu para São Paulo como bolsista da CAPES, fazendo estágio no Hospital das Clínicas da USP.
Teve como professor, o notável coagulacionista Eurico Coelho.
Aprendeu tão bem as lições que rapidamente tornou-se autoridade mundial em Hemofilia.
Logo depois foi agraciado com uma bolsa de estudos do Conselho Britânico para estágio em Manchester, Inglaterra.
Apresentou dissertação de mestrado sobre o antifator VIII da coagulação.
Aprovado, foi recebido em sessão solene presidida pela Rainha Elizabeth. Como é costume entre os britânicos.
Volta pra casa.
Assume o serviço de coagulação do Hemope.
Torna-se professor da UFPE e da FESP.
Presidente da Sociedade Brasileira de Hemofilia.
Vice-presidente da Sociedade Mundial de Hemofilia.
Um humanista.
Falecendo precocemente em 1993, Gilson Saraiva foi um mestre da grande área.
Foi poeta. Poucos sabem.
E foi um apaixonado pela medicina.
Em sua homenagem, o Centro dos Hemofílicos do Recife tem seu nome.
Há 15 anos, Gilson Saraiva foi bater bola em outra dimensão.
Há 15 anos, Romildo Barros Lins, ex-presidente do Colégio Brasileiro de Hematologia, escreveu um belo texto de despedida no Diário de Pernambuco para o amigo.
Desde então, silêncio.
Como eu dizia.
Para muitos, mestre da grande área.
Para outros, um poeta.
Porém, Dr. Gilson Saraiva foi muito mais do que isso.
Como as pessoas tem memória curta, vale a pena recordar.

criado por Roberto Vieira
23:50:49
No dia 4 de março um amigo me conseguiu o e-mail de Zico.
Eu queria lhe mandar um presente, fã que sempre fui.
Um texto sobre Zico e Bats. Sobre o tempo.
Estou emocionado. Como fã.
O Galinho leu o conto e mandou uma mensagem simples pra mim.
'Roberto. Obrigado pela homenagem e grande abraco Zico'
Pra mim foi como um gol de placa!
Obrigado digo eu, Zico.
Abaixo, coloco novamente o texto que enviei para Zico.
O Rei Arthur
Por ROBERTO VIEIRA
“O futebol é a vida de chuteiras, mon ami!”
O cavalheiro francês pronuncia as sílabas com cuidado, entremeando pausas e gestos. Mãos estendidas no ar.
“Era um pênalti. Eu não tinha nada a perder. Quem ia bater era um daqueles brasileiros do outro mundo. O Rei Arthur.”
Seus olhos se perdem na distancia do inverno europeu. O corpo se move para a esquerda.
“Ele tinha acabado de entrar e deixou Branco cara a cara comigo. Hoje eu seria expulso. Mas naquela hora eu ganhei tempo. Salvei o gol. Mas quem ia bater era ele, o Rei Arthur.”
Por um instante o cavalheiro parece que vai se jogar num gramado imaginário.
“Platini me olhava desconsolado. O calor tornava tudo uma miragem. Eu enxergava as camisas amarelas e azuis. O gramado verde. Zapata.”
Ele sorri.
“A bola foi batida fraca. Eu esperei até o último instante pra me jogar. Quando senti que minhas luvas encontravam a bola, sonhei. No outro instante a bola estava na arquibancada. O Rei Arthur olhava para o chão. Careca chegou pra consolá-lo. O jogo prosseguiu.“
O riso se desfaz.
“O jogo acabou. Ainda havia a tortura dos pênaltis. Mas naquele dia estava escrito que nós iríamos vencer. As bolas batiam nas traves, nas minhas mãos e partiam. Nas costas do goleiro do Brasil e entravam. Nunca tive tanta sorte na vida!”
De repente um cigarro. A fumaça se elevando no ar do bistrô. O cigarro proibido é aceito por todos em sua volta. Um tributo ao sofrimento do goleiro.
“Quando a gente saiu de campo, eu vi um velho senhor brasileiro chorando nas arquibancadas. Olhos marejados. Ele me olhou com as lágrimas nos olhos e pronunciou alguma coisa que eu não pude entender. Baixei meus olhos e quando os ergui novamente o lugar estava vazio. Onde estava o feiticeiro? Onde estava Merlin?”
O vinho é servido. Uma última taça. Todos conhecem o final da história.
“No jogo seguinte minhas mãos tremiam. Eu só lembrava o feiticeiro brasileiro. Das palavras que eu não conhecia. As minhas mãos tão frias e precisas deixaram flutuar para dentro do gol a bola despretensiosa de Brehme. Os companheiros me olhavam desconsolados. Eles não sabiam daquele estranho feiticeiro. Sabiam apenas que o encanto fora quebrado.”
Bats se levanta na noite parisiense. Aperta as mãos dos amigos. Se vai repetindo pelas ruas:
“O futebol é a vida de chuteiras, mon ami! Um dia é de Bats, os outros dias do Rei Arthur!”

criado por Roberto Vieira
21:03:52