| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | |||||
| 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 |
| 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 |
| 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 |
| 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 |
| 31 |

1916, NÁUTICO 4 X 1 SPORT
POR ROBERTO VIEIRA
21 de maio de 1916. Três da tarde.
Uma pequena multidão toma conta do campo do British Club na Ponte d'Uchoa. O primeiro Clássico dos Clássicos da história do Campeonato Pernambucano. Na verdade, o primeiro clássico em nossos estaduais.
Mas cadê o juiz?
Mr. Foster era um cavalheiro extremamente pontual, mas naquele domingo ele não deu as caras.
Procura daqui, procura dali. Finalmente um consenso. Bota o Rômulo de Souza pra apitar.
O Náutico estréia nos estaduais com Agostinho Prado; Sitonho e Zémaia; Petribu, Arruda e Bibi; Edu Lemos, Adhemar, Manoel Lopes, Máximo Pontual e Amaro Cavalcanti. O Sport alinha Lula; Borges e Smith; Brandão, Robinson e Town; Smethurst, Spencer, Briant, Reynolds e Hawkey. Também é o batismo do rubro negro na história dos pernambucanos.
O Sport na época era formado em sua maioria por estrangeiros. O elenco alvirrubro era totalmente nacional.
Até aquele momento, Náutico e Sport haviam jogado quinze vezes desde o primeiro amistoso em 25 de julho de 1909. Equilíbrio absoluto. Quatro vitórias do Timbu. Quatro vitórias do Leão. Três empates.
O Sport bate o centro com o veloz Briant. Os relógios marcam pontualmente três horas e cinquenta e cinco minutos. O primeiro escanteio é rubro negro. Mas de repente Arruda, o capitão alvirrubro, domina a pelota e lança Amaro. 1 x 0!
O primeiro gol do Timbu em campeonatos pernambucanos.
Num sinal dos tempos, uma salva de palmas irrompe na multidão. O Sport era o favorito. Porém numa escapada o 'mignon outsider' Adhemar manda uma bomba contra a meta defendida por Lula. 2 x 0.
Ninguém acredita no marcador. Principalmente porque Adhemar também havia atuado na preliminar. Alma de maratonista. Adhemar seria o herói da peleja.
Clássico dos Clássicos sem polêmica é coisa rara. Não ia ser diferente daquela vez. As regras eram diferentes. O Náutico tem um goal-kick a seu favor. Uma espécie de tiro de meta. Sitonho levanta a bola para o arqueiro Agostinho. Numa fração de segundos, Briant aompanhando o lance de perto, rouba a bola no ar e marca o tento do Leão.
O juiz Rômulo de Souza corre pro meio de campo apesar dos protestos alvirrubros. 2 x 1.
Cabe lembrar que, segundo os jornais da época, pela regra número 7 era proibido a qualquer jogador adversário permanecer a menos de dez jardas do tal goal-kick. Como os tempos eram outros, a bola voltou a rolar civilizadamente.
Pouco antes do final do primeiro tempo Adhemar recebe a bola e arranca em um belissimo rush anotando mais um tento. 3 x 1! A torcida aplaude delirantemente o conjunto de Rosa e Silva.
Na volta do intervalo, Lopes perde um gol feito. A vitória parece garantida. Mas Amaro sente cãimbras e faz número em campo. Petribu já não corre como antes sentindo uma contusão. O Sport pressiona, o Náutico resiste. Quando o jogo parece se encaminhar para o seu final, Máximo bate um corner e Adhemar completa com categoria. 4 x 1!
Em 1916 o mundo estava em guerra. Mas nos campos de futebol a rivalidade se encerrava com o apito final. Alvirrubros e rubro negros se saudaram com gritos de hurrah, apertaram-se as mãos e caminharam tranquilos para casa.
O Náutico perdeu a final do grupo B para o Sport por 3 x 1 no dia 17 de dezembro de 1916. E o Sport sagrou-se campeão pernambucano vencendo o Santa Cruz, campeão do grupo A, por 4 x 1 sete dias depois.
Como se vê, o regulamento da época também não gostava de clássicos. O Náutico só iria jogar oficialmente contra o Santa Cruz no dia 26 de maio de 1918. Um empate em 1 x 1.
Mas aí já é uma outra história.

criado por Roberto Vieira
09:59:56
Ontem de noite eu tinha um encontro marcado pra falar de futebol.
Na verdade, aprender um pouco mais.
Dividi a mesa com Carlos Celso Cordeiro, Lucídio José de Oliveira e Adethson Leite.
Na pauta. Futebol, futebol, futebol.
Alfabeticamente.

Adethson nos mostrou a evolução estatística que está realizando em um assunto pouco lembrado na matemática.
A atuação dos árbitros.
Assunto que deve leva-lo a Porto Alegre para uma palestra com aqueles que dirigem os homens de preto do futebol brasileiro.

Carlos Celso como sempre passeou pelo passado dos números e detalhes do desporto pernambucano.
Aviso aos tricolores.
Seu livro sobre o Santa Cruz está pronto.
Quem sabe, lendo sobre as glórias do passado os que mandam no Arruda não aprendam a viver sem guerra.

Lucídio contou o pitoresco episódio de um jogo do Náutico no Ceará na década de 60 quando o pau comeu.
E Lucídio acabou no banco de reservas do Timbu em pleno Presidente Vargas prestando socorro a Bita como médico.
Bita que foi caçado em campo.
O Náutico escapou com vida, Deus sabe como!
Mas uma coisa todos tinham em comum ontem de noite.
O Clássico dos Clássicos.
E lembramos as grandes vitórias alvirrubras.
O 8 x 1 de 1935.
O 5 x 1 de 1951.
O 5 x 0 de 1974.
Amanhã é dia de Clássico.
Dia em que os 22 jogadores em campo estarão escrevendo a história.
Ou talvez, Wilson Souza também escreva nas entrelinhas.
Para que no futuro alguém possa lembrar.
Assim caminha a humanidade.
De encontro marcado com o tempo.

criado por Roberto Vieira
09:42:20

MANCHETE DE 1909
Quem diria?
O primeiro clássico do certame pernambucano é uma final.
Mas como? Ainda faltam não sei quantas rodadas!
Pois é meu amigo. O destino e o regulamento do campeonato pernambucano de 2008 tornam o primeiro clássico do atual certame uma final antecipada. Caso o Sport vença, os rubro negros já podem ir preparando as faixas para a última rodada do turno na Ilha do Retiro contra o mesmo Náutico. Apenas uma vitória timbu pode impedir o tricampeonato rival.
Portanto na ilógica do futebol, nada mais lógico que o único clássico do ano ser justamente o Clássico dos Clássicos.
Nenhuma novidade. Assim é o quase secular encontro entre as duas agremiações. Quando alguém decide contar a história das grandes rivalidades do futebol brasileiro, lá está o Clássico dos Clássicos do futebol pernambucano. Clássico que irá completar noventa anos em 2009.
Tudo começou no dia 25 de julho de 1909. Quem gostava de futebol esperava uma vitória fácil do Sport no antigo campo do British Club. Afinal de contas, era a primeira partida do Clube Náutico Capibaribe. Mas o que era um simples amistoso eternizou-se. O batismo alvirrubro ignorou os prognósticos dos sábios de plantão. O Náutico venceu por 3 x 1. E o resultado inesperado fez nascer uma rivalidade que chegou até os nossos dias.
Aliás, um detalhe importante. Mais antigo que Náutico e Sport, apenas o Botafogo e Fluminense no Rio de Janeiro que começou a ser disputado no dia 22 de outubro de 1905 e o Grenal que ocorreu pela primeira vez sete dias antes do encontro pernambucano.
Qual foi o melhor Clássico dos Clássicos de todos os tempos?
Nada mais difícil de responder. Um alvirrubro das antigas garante que o 5 x 1 de 1951 é imbatível. Já um rubro negro da mesma época não esquece os 3 x 2 da safra de 1961. Os torcedores mais jovens do Náutico idolatram o 2 x 1 em 2001 na Ilha com um golaço de Adilson. Já os torcedores do Sport lembram o 4 x 1 do ano passado pelo Brasileirão.
Domingo no Estádio dos Aflitos mais um capítulo de uma longa história. Os sábios de plantão fazem seus cálculos, checam as bolas de cristal, consultam os horóscopos, conferem as estatísticas.
Nada mais inútil.
Pois todo Clássico dos Clássicos é um imprevisível encontro com o destino.

criado por Roberto Vieira
09:21:34