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Futebol e História.

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Terra Blog

Arquivo de: Março 2008, 26

26.03.08

TALENTO 1 X 0 SUÉCIA

 

                            

 

Hoje pela manhã eu dirigia na estrada.

Quando alguém no programa de esportes da CBN local falou:

"Sou mais Luís Fabiano que o Pato!"

Quando o Pato marcou contra a Suécia lembrei da frase.

Pato que tornou-se ao lado de Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Zico e Pelé.

O único brasileiro a estrear na seleção marcando gol.

Cuidado gente.

Diz um velho ditado do futebol.

Que Deus castiga quem o craque fustiga...

A COPA DO MUNDO ERA NOSSA

 

                                  

                              RASUNDA, 1958:  BRASIL 5 X 2 SUÉCIA

 

Agora, quando tudo é festa pela conquista do hexacampeonato, poucos recordam o golpe de mestre do presidente da CBF.

2008. A CBF amargava um prejuízo de 9 milhões de reais.

Os direitos dos amistosos e das eliminatórias para a Copa de 2010 já estavam negociados.

Festa e rapapés custam os olhos da cara.

Então, enquanto assistia o amistoso entre Brasil e Suécia no Emirates Stadium em Londres, amistoso que comemorava os 50 anos da campanha vitoriosa na Suécia, o presidente teve um estalo.

"Eureka!"

Era tudo tão claro, tão óbvio. A tribuna se surpreendeu com o homem que ria sozinho.

"Eureka!"

Meio século depois da final de 1958, Brasil e Suécia estavam jogando em Londres.

Maracanã ou Rasunda nem pensar.

Brasil só em caso de eliminatória.

A CBF possuía uma carta na manga. A Copa de 2014.

Os europeus não gostavam da idéia de um rodízio entre os continentes.

Construir estádios de primeiro mundo, renovar a rede hoteleira e de transportes, mudar a cara do Brasil era muito complicado.

E além disso, o povo brasileiro ia ficar mal acostumado.

"Eureka!"

A solução era terceirizar a Copa do Mundo de 2014.

E assim se fez.

O Brasil ficou com a sede em Portugal que não se classificou para a Copa.

A Inglaterra ficou na Inglaterra. A Itália na Itália. A Argentina na Suiça.

A FIFA aplaudiu a iniciativa. Mas solicitou 20% da cota.

Os jogadores aprovaram a idéia. Iam jogar perto de casa e da família. Muitos já nem sabiam falar português.

Só quem ameaçou chiar foram os políticos. Mas nada que ingressos pra final e uma boa contribuição de campanha não pudessem resolver.

A torcida já estava acostumada. Vibrou pela telinha. Tomou todas quando o Brasil foi campeão. Depois voltou pra realidade.

A Copa do Mundo era nossa!

Só restou um problema.

Mesmo com todo o dinheiro que entrou nos cofres da CBF, os cofres da CBF continuaram vazios.

Como em 2008.

Festa e rapapés continuam custando os olhos da cara.

O NÁUTICO, UMA GRANDE FAMÍLIA (8)

 

Continua a saga.

Um dos mais belos textos de um dos maiores escritores de nossa terra.

E ainda por cima, alvirrubro!

 

                        

 

POR LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA


Desde os anos 60 – e já fazia bom tempo! –, dois irmãos não se juntavam para jogarem juntos uma mesma partida com a camisa do Náutico. Isso ocorrera com os Carvalheira e os Salsa nos anos 30. Com os Periquito e os Viana em 1943, e com Edvaldo e Evaldo Lima em 45. Voltaria a acontecer com Nado e Bita na primeira metade da jornada vitoriosa que vai de 1963 a 68. Conquistas de títulos continuaram a acontecer, premiando dois irmãos – caso de Gilberto e Givaldo, Zeca e China – mas não em um mesmo ano. Duas outras duplas voltariam a fazer história nos Aflitos, mas com apenas um dos irmãos sendo aquinhoado com o título de campeão. Aconteceu com Jorge Mendonça, campeão em 74, e seu irmão Jairo, duas temporadas nos Aflitos e nenhuma conquista. O mesmo a seguir, com Douglas e Rogério. Apenas Rogério seria laureado campeão, em 84.

Somente agora, no correr dos anos 80, vinte anos depois da grande conquista, dois irmãos de sangue, Pimenta e Pimentinha, voltariam a ter a glória de se sagrarem campeões pelo Náutico a um só tempo, num mesmo dia de festa. Mas, caprichos do destino, eles jamais teriam a oportunidade de jogarem juntos uma mesma partida. É que ambos se dedicaram ao ofício de pegar a bola com as mãos debaixo das traves, eram goleiros. Um titular, o outro reserva. E a regra não permite dois goleiros de um só time num mesmo instante do jogo.

Desde cedo os irmãos Pimenta – Marcos Antônio e José Antônio – decidiram que iriam ser goleiros. Decidiram também jogar num mesmo time, o Náutico. E juntos foram campeões. Aconteceu em dezembro de 1985. Um caso raro no futebol brasileiro. Pimenta, titular absoluto, jogou trinta e três das 35 partidas do campeonato. Pimentinha, apenas uma. Coube a País, outro reserva, disputar a partida restante.

Não era um fato inédito. É possível até que no tempo do amadorismo, ou nos distantes e pouco freqüentados campos deste Brasil imenso, em campeonatos de várzea ou em perdidos jogos espalhados pelo vasto interior do país, o fato tenha ocorrido até mais de uma vez. No futebol profissional porém, dois irmãos goleiros de um mesmo time, titular e reserva, é coisa realmente pouco comum. O único registro que se conhece digno de nota, além do de Pimenta e Pimentinha, é o de Solito e Solitinho, campeões pelo Corinthians em 1982.

Algumas curiosidades e coincidências a aproximar esses dois raros acontecimentos, ocorridos com um intervalo de três anos, aqui e na capital paulista.

A primeira: em ambos os casos, tanto nos Aflitos como no Parque São Jorge, os personagens em questão eram pratas da casa, todos eles com iniciação e passagem pelos times das divisões de base.

No caso de Solito, convém o registro: campeão pelo Corinthians em 1979, na condição de reserva de Jairo, foi contratado pelo Náutico na metade de 1980, assumindo de imediato o posto. Manteve-se como titular durante todo o estadual, disputado naquele ano no segundo semestre. Campeonato encerrado, voltou para o Corinthians. E lá ficou até sagrar-se campeão em 82. E quem assumiria a partir do seu retorno a São Paulo, a condição de titular no Náutico? Ninguém menos que Jairo! Jairo permaneceria no Náutico dois anos, até o final de 82, quando cederia por sua vez o posto a Pimenta, outro personagem dessa história.

Outra coincidência curiosa: o modo como eram conhecidos. Tanto lá como cá, na Fazendinha ou em Rosa e Silva, os titulares atendiam pelo nome de família (assim como ocorreu no passado com os Periquito, Pimenta não era apelido), enquanto aos reservas eram atribuídos os mesmos nomes, acrescidos do sufixo diminutivo: Pimenta e Pimentinha, Solito e Solitinho.

Tem mais curiosidade: tanto Pimentinha como Solitinho participaria cada um deles de apenas um único jogo para serem considerados campeões. Ambos esquentaram o banco de reserva em vários jogos, mas estar lá dentro, no quadrilátero verde onde corre a bola e tudo se decide, apenas uma vez. Com uma sutil diferença a favor do alvirrubro. É que Pimentinha jogou uma partida inteira. Contra o Íbis, nos Aflitos; vitória alvirrubra por 1x0. Entrou e saiu invicto no campeonato. Ninguém também notou que era Pimentinha, e não Pimenta, quem estava no gol. Solitinho, de sua parte, participou apenas de um pedaço de jogo. Entrou no lugar do irmão no segundo tempo na folgada vitória do Corinthians sobre o Juventus por 5x1. Nenhum demérito para o reserva: foi ele quem tomou o gol único do Juventus, segundo dados do Almanaque do Timão, de Celso Unzelte.

Pimenta – registrado Marcos Antônio de Souza Pimenta Machado – é dono de um invejável currículo como atleta alvirrubro. Tendo chegado ao time de cima em 1982, participando naquele ano apenas de uns poucos amistosos, encoberto que estava pela presença de Jairo, um goleiro de seleção, teve a chance de ser titular em 83. Mas, prata de casa, outra vez foi levado a se contentar com a reserva. Agora, de outro goleiro de renome: Cantarelli. Não seria diferente em 1984. Titular: Mazaropi, campeão do mundo pelo Grêmio. Pimenta mais uma vez amargurando a posição de reserva. Nem todo mundo teria tanta paciência...

A conduta de Pimenta, que não deve ser confundida com resignação ou conformismo, antes revelando perseverança e auto-confiança na luta pela afirmação, lhe valeu o prêmio da titularidade absoluta na jornada do bicampeonato em 1985. O mano, mais moço que ele, que se contentasse agora em ser reserva. E assim foi, para que mantida fosse a saga que faz tradicionalmente do Náutico uma grande família.

Pimentinha também era Antônio, nome retirado do pai, um bem sucedido empresário da capital pernambucana. O goleiro reserva do Náutico assinava seu nome nas súmulas oficiais assim, deste modo: José Antônio de Souza Pimenta Machado.

E assim se conta mais um episódio dessa fantástica história de paixão e glória, a unir sob a proteção da bandeira vermelha e branca, irmãos de sangue. História que prosseguirá com a narrativa dos feitos, ainda nos anos 80, dos irmãos agrestinos nascidos Aníbal Neto e Lúcio Jorge, em Surubim.

Neto, jogador de ataque, bicampeão em 84-85; Lúcio, homem de defesa, campeão e uma das lideranças de 1989. Tema do próximo capítulo da série.

 

Na foto o time campeão de 1985, treinado por Mário Juliato: em pé: Galvão, Pimenta, Edson Gaúcho, Manguinha, Cláudio Mineiro e Zé Eduardo; agachados: Jarbas, Baiano, Lima, Lourival e Ademir Lobo. A foto é da extra que definiu o 3º turno: Náutico 2x1 Sport, Ilha do Retiro, dois gols de Baiano. Dupla vitória timbu: O Sport fora do campeonato e o caminho aberto para a conquista do título na disputa com o Santa Cruz.

25.03.08

1980, CLÁUDIO COUTINHO EM ITAMARACÁ

 

                      

                      CLÁUDIO COUTINHO EM ITAMARACÁ 

 

Poucos lembram.

Mas o futebol brasileiro pode ser dividido em dois períodos.

Antes e depois de Cláudio Coutinho.

Minelli já utilizava a marcação pressão.

A linha de impedimento.

Mas foi a substituição de Osvaldo Brandão por Cláudio Coutinho o fim de uma era.

Muitos dirão que não é bem assim.

Mas não é bem assim, mesmo!

A Idade Média não acabou assim de repente.

Foi uma obra de décadas.

Nem Osvaldo Brandão era um treinador tão antiquado.

Nem Coutinho era uma exuberancia de modernidade.

Mas o overlapping atingiu o drible da vaca em cheio.

Cronistas defendiam o drible da vaca nas revistas. Nos jornais.

Time tinha que ter ponta.

Lugar de lateral era na defesa.

Medio volante era Brasil. Líbero era alemão.

Onde escalar o Falcão?

Falcão prova maior da dualidade de Coutinho e Brandão.

Na seleção dos dois não tinha lugar pra Falcão.

Se a estrada já era longa para Brandão, Coutinho tinha uma vida inteira pra evoluir.

Quem sabe superar os conceitos militares.

Botar os civis na seleção da vida.

Em 1980, Coutinho veio passar as férias em Itamaracá.

Antiga capitania hereditária.

Ouviu violão tocado por Dewett Cardoso.

Curtiu Virgínia, Paulo César e Cláudia.

Comeu guaiamum.

Coutinho não viveu para assistir o moderno futebol brasileiro.

Não viveu pra ver o ponto futuro.

Com suas virtudes e defeitos.

Coutinho faleceu no dia 27 de novembro de 1981.

Morreu no mar. Ilha de Cagarra.

Mar de Ipanema.

Mar polivalente que também banha as praias da Ilha de Itamaracá.