O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Arquivo de: Abril 2008, 01

01.04.08

1936, NÁUTICO 5 X 0 ESPORTE

 

 Como homenagear Arthur?

Blog não faz minuto de silêncio.

Aliás, no jogo contra o Juventus deveria ser feito uns quinze minutos de silêncio.

Blog só pode homenagear com palavras.

Abaixo, uma partida das muitas que fizeram a história do Náutico.

Histórias dos heróis da década de 30.

Histórias que os tempos não trazem mais...

                            

 

"Arthur, Zezé e Fernando.

Bastava o Esporte ouvir esses nomes pra pensar em goleada.

Em 1936 não foi diferente.

O Náutico entrou em campo às 20:52 no dia 23 de julho.

Com Epaminondas; Clélio e Salsinha; Haroldo, Edson e Raphael; Zezé, Arthur, Fernando Carvalheira, Fernando e Celso.

O Esporte alinha Muniz; Estácio e Fernando;  Mamão, Gersomino e Amarino;  Allemão, Rodolpho, Marcílio, Oiticica e Pedro.

O Timbu ganha o toss.

E logo foi pra cima do Leão.

Arthur domina, livra-se da marcação e toca para Fernando.

Fernando olha pra Muniz e fuzila: 1 x 0.

Assim, sem mais nem menos.

Zezé cruza na cabeça de Fernando. A bola raspa o travessão de Muniz.

Fernando encontra Arthur livre que atira vertiginosamente no ângulo.

Mas a bola, caprichosamente não entra.

Dois minutos depois a pelota chega nos pés de Celso. Ele cruza.

A bola procura Arthur que dribla Estácio e encontra Fernando livre: 2 x 0!

O Esporte quer reagir.  Allemão acerta um tirombaço defendido milagrosamente por Epaminondas.

O Náutico marca. O gol é anulado.

Mamão é molleza, segundo o jornal da época. Amarino é impotente para as avançadas de Zezé e Arthur.

Para os que imaginam um futebol sem marcação, um dado.

Marcílio não anda sob a marcação implacável de Edson.

Quando ia terminar o primeiro tempo,  Zezé recebe de Arthur e decreta o terceiro gol.

Intervalo.

Na volta, bombardeio.

Muniz faz milagres em duas bombas de Célio. Fernando perde um gol feito.

Pênalti de Estácio que a arbitragem não marca.

Mas não houve tempo para reclamação.

Arthur rouba a bola e enfia pra Zezé. Zezé cruza em diagonal.

A jogada mortal da família, treinada desde a infância.

Fernando entra como um azougue: 4 x 0.

O Timbu coloca o adversário na roda.

Faltando dois minutos, a bola tocada de pé em pé alcança Celso.

E Celso decreta a goleada: 5 x 0.

23:00.

O time alvirrubro se reune no centro do gramado da Jaqueira.

E o fotografo registra o momento histórico.

Hoje, 72 anos depois.

Só resta dizer, obrigado!"

 

O ADEUS DO REI ARTHUR

 

                                           ARTHUR, 1936

 

 POR ROBERTO VIEIRA

 

Faleceu, aos 92 anos, Arthur Carvalheira.

Um dos maiores meias da história do futebol pernambucano.

Campeão pernambucano em 1934 e 1939.

Arthur que era um remanescente da época romântica do futebol.

Um tempo em que jogador era sinônimo de torcedor.

Nenhum de nós o viu jogar. E nem precisamos.

Folhear um jornal da década de 30 é encontrar Arthur onipresente.

O cérebro que movia o esquadrão do Clube Náutico Capibaribe rumo às vitórias.

O gênio que preparava as jogadas que culminavam nos gols de Fernando Carvalheira.

Embora Arthur também soubesse fazer gols. E como fazia!

O Náutico ainda desafiava o profissionalismo criança.

Ousava ser campeão do estado com um time de apaixonados.

Uma equipe com quatro membros da mesma família em campo: Arthur, Fernando, Zezé e Emygdio.

E outros tantos na platéia.

Talvez seja difícil nesse mundo de metais e de tostões compreender tal paixão.

Pena.

Porque paixão a gente sente, não explica.

Hoje, a bola vai adormecer mais triste. A Távola Redonda está desfeita.

Seus cavaleiros partiram para nunca mais voltar.

Mas quem sabe, sua memória sobreviva em cada chute, cada gol, cada vitória.

Enquanto o Clube Náutico Capibaribe souber honrar tanta paixão e tanta história.

31.03.08

A ILÍADA DE CALVET

 

                         SANTOS, 1963

 

Por ROBERTO VIEIRA



Aírton e Calvet.

Ou, se preferirem, Gilmar, Mauro Ramos e Calvet.

Raul Donazar Calvet disse adeus aos gramados visíveis na noite de sábado passado.

Calvet que colecionava títulos pela vida.

Campeão gaúcho de 1955 a 1959. Campeão paulista em 1960, 61, 62, 64 e 65.

Um leitor mais solene indagaria. E 1963?

Calvet estava ocupado vencendo a Taça Brasil, a Libertadores e o Mundial Interclubes.

Ou melhor, sendo bicampeão da Taça Brasil, da Libertadores e do Mundial Interclubes.

O Santos dos anos 50 fazia um monte de gols. Mas tomava outros tantos.

A diretoria, preocupada com a saúde dos torcedores, foi contratando craques para a retaguarda.

Gilmar.

Mauro.

Não satisfeita, foi lá no Rio Grande trazer o parceiro do Pavilhão em 1960.

O Internacional deu graças a Deus. Como castigo, o Grêmio perdeu o título de 1961.

Desde então, muitos repetem aos quatro ventos: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Enquanto o sábio minuano murmura: Gilmar, Mauro e Calvet.

O heróico craque Calvet, que só deixou de colecionar títulos em 1965.

Ferido no calcanhar.

Como Aquiles.

ROBERTO FERNANDES: 49 JOGOS E 54 MINUTOS

 

 

                                                             

POR ADETHSON LEITE (BLOG DOS NÚMEROS)

             blogdosnumerospe.blogspot.com/ 

Faltando 36 minutos para completar 50 jogos no Náutico, Roberto Fernandes já aparece no topo da lista dos treinadores que mais treinaram o Náutico na década atual, marcada pela "volta por cima" que o clube deu em 2001, quando quebrou jejum de títulos que durava desde 1989.

De lá pra cá, 18 treinadores assumiram efetivamente o comando técnico da equipe, onde poucos conseguiram sequer alcançar a marca de 30 jogos.

Muricy Ramalho, que deixou boas lembranças para a torcida Timbu com a conquista dos estaduais de 2001 e 2002, chegou a comandar a equipe por 71 jogos (38 vitórias, 19 empates e 14 derrotas - aproveitamento de 62,44%).

Em seguida, aparece o polêmico Roberto Cavalo, que esteve no comando Timbu por 54 jogos (24 vitórias, 12 empates e 18 derrotas - aproveitameno de 51,85%). Estão computadas as passagens de 2005 e posteriormente 2006.

O terceiro posto cabe a Zé Teodoro, com apenas um jogo a mais que Fernandes. Nos 51 jogos de Teodoro, foram 30 vitórias, 8 empates e 13 derrotas, com o bom aproveitamento de 64,05%.

Roberto Fernandes, nos 49 jogos concluídos tem 26 vitórias, 6 empates e 17 derrotas, com aproveitamento de 57,14%, ainda abaixo de Muricy e Zé Teodoro, mas superior ao de Cavalo. Um detalhe específico do atual treinador continua sendo o baixo número de empates, onde seu percentual é de apenas 12,2%, contra 15,7% de Zé Teodoro, 22,2% de Cavalo e 26,8% de Muricy.

Na Lista dos treinadores que passaram dos 30 jogos (não considerando passagens anteriores a 2001), ainda aparecem Heriberto da Cunha (35 jogos e aproveitamento de 50,48%), Júlio Espinosa (34 jogos e 69,61%, o melhor aproveitamento do grupo)e Paulo Campos (30 jogos e 57,78%).

Ao final do estadual, caso não ocorram mudanças repentinas, Fernandes estará como o segundo da lista no comando timbu dos últimos anos. Ao que parece, grande parte da torcida (80%, segundo levantamento da comunidade do Náutico) está aprovando...