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POR ROBERTO VIEIRA
Isabella não é uma, são milhares.
Milhares de Isabellas que sofrem torturas em seu próprio lar.
Milhares de Isabellas que ocultam a sede de carinho com o sorriso de perdão.
Milhares de Isabellas que procuram seus pais e não encontram.
Milhares de Isabellas nas ruas pedindo esmolas.
Milhares de Isabellas comendo as migalhas no chão.
Milhares de Isabellas se prostituindo nas estradas.
Milhares de Isabellas que choram, baixinho, nas noites infinitas.
Milhares de Isabellas que esperam, tão somente um beijo, um abraço.
A justiça!

criado por Roberto Vieira
17:05:01
POR ROBERTO VIEIRA
Ontem e hoje, muitos jornalistas, muitos torcedores queriam respostas de Roberto Fernandes e dos jogadores sobre a derrota no estadual.
Foi então que lembrei de uma antiga história que li há muito tempo atrás.
Num daqueles livros dos quais nunca soube o nome.
Era mais ou menos assim...
Se alguém encontrar Roberto Fernandes repasse a ele.
O SILÊNCIO DOS AFLITOS
Perguntaram certa vez a um homem sábio:
'Mestre, qual a maior riqueza de um homem?'
O homem sábio sorriu, e continuou seu caminho pela longa estrada da vida.
Não satisfeitos com a ausência de qualquer resposta, as pessoas continuaram a caminhar junto ao homem sábio, até que apareceu um pequeno regato de águas limpas e profundas.
Calmamente, o sábio homem molhou o seu rosto e o enxugou com a frágil roupa de algodão que trazia sobre o corpo.
Seus bolsos tinham nada. Mas seu sorriso era mais tranquilo que o sorriso de todos os monarcas deste mundo.
Voltando-se então para a pequena multidão que o acompanhava, o sábio homem convidou a todos a sentar sob o entardecer.
Quando a última pessoa sentou, o sábio começou a conversar.
'Agora é de vocês o silêncio. O infinito vazio dos que procuram respostas e só ouvem o vazio. Vosso é o silêncio dos aflitos. E eu me pergunto, por que estão aflitos todos vocês meus irmãos? Procuro e não encontro eu mesmo respostas. Pois hoje pela manhã, e ontem, e antes de ontem, eu vi a todos vocês jogarem as sementes no campo. Como vi em todas as outras manhãs seus braços revolvendo a terra cansada e preparando esta mesma terra, agora plena de vida pelo trabalho de vocês, para a colheita. Ora, meus queridos amigos aflitos, todos vocês compreendem a profunda verdade da vida: É necessário plantar para colher. É necessário a noite para que chegue o dia. É necessária a tristeza para que exista a alegria. É necessária a dor para que exista a paz. Portanto, meus queridos e aflitos amigos, descansai quando lhes é dado descansar. Trabalhai quando lhes é solicitado trabalhar. Amem o que vocês fazem de todo o coração. Aceitem o que lhes é negado modificar. Sejam honestos com o coração de vocês, como é honesto o tempo com as sementes que vocês jogaram no campo. Algumas vezes, destas sementes não brotará nenhum grão. Assim é a vida. Mas, na maioria das vezes, seus olhos poderão observar o campo se enchendo de verde onde já foi chão pedregoso e árido. Tudo pelo trabalho de vocês, meus aflitos amigos!'
Olhando para o chão, ele prosseguiu:
'E muitas vezes, não esperem compreensão do irmão que caminha ao seu lado. Muitas vezes seu caminho será solitário como o meu. Mas, também a solidão e a incompreensão fazem parte da colheita'.
Levantando-se e dizendo adeus com os olhos, o sábio homem olhou para o jovem que lhe havia perguntado sobre a maior riqueza de um homem.
'A maior riqueza de um homem não é a palavra. Não é o ouro. A maior riqueza do homem é este silêncio tranquilo de quem plantou. Como o silêncio deste regato de águas limpas e profundas. Sempre correndo pro mar...'

criado por Roberto Vieira
15:25:59
O ÚLTIMO GOL DE RINALDO
Para os mais jovens é difícil lembrar.
Mas Rinaldo foi um cometa alvirrubro.
Nascido em Jurema, agreste pernambucano, Rinaldo chegou ao Náutico e brilhou intensamente no início da década de 60.
Tão intensamente que logo após se sagrar campeãopernambucano de 1963, já no ano de 1964, foi contratado pelo Palmeiras.
De cara foi convocado para a seleção brasileira.
Rinaldo massacrou o Sport na final de 63.
E ao lado de Nado e Bita, modificou o futebol pernambucano.
Na foto acima, o último gol de Rinaldo com a camisa alvirrubra.
No empate de 2 x 2 com o Fortaleza em Campina Grande em março de 1964.
Além desse gol com a bola rolando, Rinaldo bateria os pênaltis que tornariam o Náutico, campeão do Centenário de Campina Grande.
Com Rinaldo era assim!
Bola no pé. Bola na rede.
PS: Para os que desejam detalhes daquela final, leiam o post seguinte...

criado por Roberto Vieira
14:42:12

NADO E BITA INCENDEIAM CAMPINA GRANDE
Em terra de 'Galo', Timbu é rei.
Março de 1964.
Recife em greve e caos.
O Náutico vai disputar um torneio em Campina Grande.
Terra do Galo da Borborema.
O Torneio Centenário de Campina Grande.
Timbu não pode ver data redonda. Vira logo campeão!
O Náutico chegou a final contra o Fortaleza, vice campeão cearense.
Na partida disputada no campo do Treze, jogo duro.
O Náutico alinhou Lula; Gena, Zequinha, Clóvis e Toinho; Paulinho e Rinaldo; Nado, Bita, Nino e Lala.
O Fortaleza atuou com Biu; Mesquita, Léo, Genival e Carneiro; Benedito e Zé Raimundo; Birunguete, João Carlos, Paraíba e Canhoto.
Fortaleza que foi vice campeão da Taça Brasil 1960.
A partida terminou empatada em 2 x 2. Gols de Rinaldo e Nado para o Náutico e Mesquita de pênalti e Canhoto para o Fortaleza.
O título foi decidido nos pênaltis.
Naquele tempo apenas um jogador batia todas as cobranças.
Pelo Fortaleza foi escalado Mesquita. Pelo Timbu, Rinaldo.
Eram apenas três pênaltis.Não cinco, como hoje em dia.
A disputa eletrizou o estádio durante vinte minutos.
A vantagem passava de pé em pé.
A primeira série de pênaltis terminou empatada: 3 x 3.
A segunda também: 2 x 2.
Na última série Lula defendeu um chute de Mesquita.
E Rinaldo deslocou Biu decretando o título alvirrubro.
Náutico campeão do centenário de Campina Grande.

criado por Roberto Vieira
13:29:25

POR ROBERTO VIEIRA
Olhem bem esta foto.
Ela é emblemática.
Mais vale uma foto que mil palavras. Então serei breve.
Hungria 3 x 1 Brasil. Copa de 1966.
Gilmar sofre um gol de pênalti.
O Brasil sai derrotado pela primeira vez em copas desde 1954.
Tive a oportunidade de assistir o jogo na íntegra anos depois.
É um jogo extraordinário.
O Brasil jogou pacas. Sem Pelé, machucado.
A Hungria foi genial, comandada por Albert.
Albert que saiu de campo em Liverpool com seu nome gritado em coro.
Pois bem.
A derrota é órfã. Não tem pai nem mãe.
Deixa a gente perplexo.
Como Gilmar.
A imprensa escreve que somos os piores do mundo.
Bom é a Hungria!
Garrincha é um deficiente físico.
Feola é burro.
A culpa foi do planejamento.
A torcida vaia impiedosamente, esquecida do passado.
O ser humano foi criado para esquecer o passado.
Por uma questão de sobrevivencia.
O amanhã foi um presente divino para a humanidade.
Ontem foi um dia de derrota alvirrubra.
Um dia de Gilmar em 66.
A gente amanhecerá perplexo.
O que é bom. Sem perplexidade não se ganha nada.
O amanhã do Timbu se chama Atlético-MG!
Esqueçam o dia de hoje.
O ser humano foi programado para esquecer.
Fiquem perplexos apenas.
Ninguém desaprendeu de jogar bola.
O ontem foi da caça.
O amanhã será do caçador.
O estadual é um tira gosto.
O prato principal está apenas começando.
Força Náutico!

criado por Roberto Vieira
02:15:48