O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008, 19

19.04.08

BRASIL 5 X 1 GANA

 

                    

Uma das minhas primeiras crônicas publicadas no Blog do Juca foi sobre a Seleção Feminina e a jogadora Marta.

Antes da semifinal do Mundial 2007.

Semifinal que o Brasil venceu por 4 x 0.

Guardo essa crônica com muito carinho. Pois se revelou profética.

Como homenagem a um time que joga por amor e por paixão.

Um time que é tão esquecido pelos dirigentes.

Um time que hoje carimbou o passaporte para Pequim.

Permitam que eu republique esta crônica aqui no Blog.

 

 

O começo do fim (publicada Blog Juca 26.09.2007)


Por ROBERTO VIEIRA


Os EUA estão invictos há 51 jogos no futebol feminino com sua equipe principal.

Como os húngaros na final da Copa de 1954 estavam invictos há 30 e tantos jogos.

Antes disso só haviam perdido para a Áustria. Em abril de 1950.

E depois da final de 54 só foram perder de novo em 1956. Para a Turquia.

As vitórias foram a sua derrota.

Mas que mal existe em vencer?

Nenhum.

Mas ninguém vence para sempre.

De repente bate um tédio. Uma sensação de que não adianta ser Super-Homem se não houver um Lex Luthor.

E você quer ser apenas um sujeito normal.

A vitória já não te traz nenhum prazer.

Apenas a derrota pode resgatar a velha alegria.

A dor. Como era sentir dor?

Assim é o ser humano. Contraditório.

Um Doutor Fausto.

Ele deseja o quintal do vizinho.

Mesmo que ele habite o jardim do Éden.

Assim terminam os impérios.

De tédio.

Quase a suplicar que os bárbaros invadam as suas terras.

Para que nos encontros com o analista exista alguma tragédia pra contar.

Amanhã talvez seja o dia.

Porque verdade seja dita.

Marta joga muito mais bola que Fritz Walter e Helmut Rahn.

Juntos. 

   

1974, OS CAMPEÕES SEM PRATA DA CASA

 

                               

 

Carlos mandou uma mensagem para o Blog comentando sobre a apatia de Marcelinho no jogo contra o Salgueiro.

Assim como o não aproveitamento do Helton no estadual.

Eu sou fã do futebol do Helton.

Acho que se Marcelinho foi embora para aproveitar o Helton, perfeito.

Mas entendo que vão contratar uns 3 ou 4 jogadores para a posição pelo mesmo valor que gastariam com o Marcelinho.

E nenhum deles vai aprovar. E Helton permanece uma promessa.

Tomara que eu esteja errado.

Mas, nos últimos quarenta anos é sempre assim.

Dezembro de 1974.

O Náutico vence o Santa Cruz umas dez vezes seguidas.

E conquista o título estadual.

Como nos dias de hoje.

Nenhuma prata da casa.

O MESTRE LUIZ CAVALCANTE

 

                      LUIZ CAVALCANTE

 

Em 2001, o baiano Luiz Cavalcante tornou-se cidadão pernambucano.

Ele, o mais pernambucano dos baianos.

Mas vamos voltar no tempo.

Agosto de 1964.

Luiz Cavalcanti é o novo comandante da equipe de ouro da PRA-8, Rádio Clube de Pernambuco.

A história de Luiz começou de brincadeira na Escola Técnica de Ilhéus.

Em 1951, ele e o amigo Fernando Costalino improvisaram a narração de um Fla-Flu.

Um ano depois Luiz iniciava sua carreira na Rádio Cultura de Ilhéus.

Seu amigo Fernandi Costalino era o diretor, e de surpresa colocou Luiz para transmitir Flamengo e Vitória, o clássico da cidade.

Depois, Luiz rumou para a Rádio Sociedade da Bahia, chegando na Rádio Olinda em 1955.

Em 1961, 62 e 63 Luiz Cavalcanti foi eleito o melhor locutor de Pernambuco.

Caso fosse um time de futebol, Luiz seria um perigo para o Náutico.

Na década de 60 ele também era imbatível!

 

O ADEUS DE MARCELINHO

 

 

Não, Marcelinho não é um craque.

Mas é um jogador muito útil ao elenco alvirrubro.

Ele se vai.

E a gente não contrata outro igual.

Está na hora de parar de insistir nos mesmos erros do passado.

Segurem o menino.

Quem tem um Marcelinho, não deixa ele ir embora.

Vamos acordar!!!!

18.04.08

O CENTAURO NEGRO

 

                 

                                    

No hipismo, homem e cavalo se tornam um só. Centauros.

Centauros de sangue azul.

Porque o hipismo é um esporte elitista. Como o golfe e o tênis.

Como o futebol já foi um dia.

Mas hoje, um jovem centauro negro conquistou o direito de representar o Brasil nos Jogos Olímpicos.

Como um Friedenreich redivivo. Como um Arthur Ashe em Wimbledom.

Rogério Clementino torna-se o primeiro cavaleiro negro brasileiro a disputar uma Olimpíada.

O primeiro cavaleiro negro no maior país negro do mundo.

Rogério nasceu no Mato Grosso do Sul. Pobre. Em cima de um cavalo.

Quando chegou em São Paulo foi limpar estábulos.

Muita gente ainda pensa no Brasil que lugar de negro é no estábulo.

Mas, a habilidade do jovem centauro não passou despercebida para Victor Oliva, o dono da coudelaria onde trabalhava Rogério.

Oliva chamou o técnico belga Johan Zagers para treinar o centauro.

E lhe entregou o puro-sangue Lusitano Nilo V.O.

Em dois anos, Rogério ganhou medalha no Pan. E barbarizou nas seletivas dos Jogos.

No hipismo, homem e cavalo se tornam um só. Centauros.

Centauros de sangue azul.

Mas o talento não tem cor. O talento rompe os muros dos guetos, os muros das prisões.

O talento permite a um garoto pobre e negro, um garoto que nunca conheceu seu pai, sonhar.

Sonhar com o dia em que Rogério Clementino não seja uma exceção à regra.

Um dia em que Casa Grande e Senzala seja apenas um livro na estante.

Um dia em que a humanidade seja uma só...