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CLARÍN, 82 JB, 82
Toca o telefone na concentração brasileira. Telê atende.
Um general deseja boa sorte.
Telê desliga contrariado. 'Futebol e política não se misturam'.
Sarriá. Barcelona não é um bom lugar para ditadores.
Franco baniu o catalão, mas a cidade permaneceu com sua alma independente.
Telê imagina a festa no Brasil. Mas aquele telefonema...
'Boa sorte! Estamos preparando a festa!'
O futebol é um mundo estranho. Em 1934 a Espanha enfrentou os fascistas italianos.
Em 1982, os italianos enfrentavam a ditadura brasileira.
'Futebol e política não se misturam'.
Mas nós ainda estamos no século XX. Futebol e política caminham lado a lado.
Depois da derrota argentina nas Malvinas, a ditadura portenha balança no poder.
O canarinho voa nas bombas do Riocentro. Começa o jogo.
'Todos juntos vamos, pra frente Bras...Paolo Rossi surge do nada e cabeceia para as redes de Valdir Peres: Itália 1 x 0!
O Brasil empata com Sócrates. Zico sofre um pênalti não marcado. Serginho perde gol feito.
Cerezo toca para quem mesmo? Itália 2 x 1 no primeiro tempo.
Os generais verde-amarelos permanecem no seu scotch. 'Não há de ser nada! O time é imbatível! O plano é perfeito!'
No gol de Falcão a explosão é imediata. HMS Sheffield. 'Ganhamos a guerra!'
No banco Telê não tem a mesma certeza. Alguns dias são de derrota. 'Ei, presta atenção...'
Paolo Rossi completa livre na pequena área. Um silêncio deserto pousa sobre a vila militar. As festas são canceladas.
Quis o sábio destino que o amarelo canarinho fosse o amarelo das Diretas-Já.
E não, o amarelo dos desfiles militares com os craques de uma seleção vitoriosa na Copa do Mundo de 1982.
Ditadura campeã mundial basta a de 70.
Imaginar Mestre Telê Santana marcado eternamente como o campeão de uma época de censura e violência é imaginar um paradoxo.
Benditas Malvinas!
Bendito Sarriá!
Certas derrotas, não têm preço!

criado por Roberto Vieira
16:01:19
POR ROBERTO VIEIRA
1982 foi um ano difícil para as ditaduras militares latino americanas.
A linha dura argentina sonhou se eternizar no poder. E para tanto, invadiu as gélidas Ilhas Malvinas, ou Falklands, como queiram.
Os argentinos não imaginavam que algum inglês fosse se interessar por uma pequena terra de ovelhas e vento.
Mas Margaret Thatcher estava indo mal nas pesquisas. Percebeu que nada melhor que uma guerra para inflamar os súditos desempregados da Rainha.
No fundo, no fundo, ela teve o mesmo pensamento de Galtieri.
Mas não houve Maradona que resistisse aos ataques militares saxões.
As Malvinas se renderam. Os militares se perderam. E a Argentina disputou a Copa do Mundo em frangalhos.
No Brasil, voltava a corrente pra frente. Agora voando como canarinho.
O time excepcional treinado por Telê Santana iria com certeza trazer a Copa de volta para Pindorama.
A gente tinha umas bombas explodindo no Riocentro, mas nada que um gol não pudesse compensar.
E lá foi o Brasil de Figueiredo disputar mais uma taça.
As ruas cheias de gente. O sentimento de nacionalidade estampado no rosto.
Éramos o país do futebol.
Ganhamos quatro jogos. Botando os gringos na roda. Ganhamos da Argentina.
A gente também deu uma ajuda pra aviação inglesa na disputa daquelas ilhas de ovelhas e vento.
Pois nossos militares eram mais pragmáticos que Pinochet.
E foi então que chegou o 5 de julho. Sarriá. Barcelona que tanto sofreu sob os coturnos de Franco.
Barcelona não era o melhor lugar para aquele jogo. Sarriá muito menos.
Um campo apertado, suarento. Como um campo de várzea.
Mestre Telê Santana no banco de reservas. Ironia do destino, Mestre Telê. Aquela seleção de tanta beleza e imaginação defendia um país imerso na censura.
Paradoxos tropicais.
Quis o destino e o futebol que Paolo Rossi estivesse num dia inspirado. Paolo Rossi que frequentara o Inferno de Dante.
Paolo Rossi que não marcara um mísero gol na Copa.
Foi Paolo Rossi quem foi marcando gol atrás de gol, gol atrás de gol. Paolo Rossi foi a nossa derrota nas Malvinas.
Nossa rendição.
As lágrimas brasileiras não foram menores que as lágrimas argentinas.
O povo sonhava com uma pátria redentora, com líderes invencíveis, com cidadelas inexpugnáveis.
Mas ambos os países tiveram que acordar no dia seguinte com a realidade de chumbo nas suas ruas.
Tiveram que perceber que um país não se contrói com gols e bazucas.
Telê Santana faleceu há dois anos com a tristeza desta derrota.
Caro Mestre Telê. Telê, que fez uma geração inteira de brasileiros voltar a sonhar.
Pode ter certeza que não valia a pena ser campeão em 1982.
Você iria descer em cada capital cercado de fardas. Desfilaria em carros do corpo de bombeiros em traje de gala.
Cumprimentaria um a um os mesmos homens que desdenhavam da liberdade e da beleza que você, Mestre Telê, tanto defendia.
Quem sabe quanto tempo mais resistiria a ditadura militar brasileira com o título de campeã do mundo?
Esteja onde estiver, Mestre Telê. Pode ter certeza.
Benditas Malvinas! Bendito Sarriá!

criado por Roberto Vieira
15:35:04

A edição de domingo do Estadão trouxe Pelé.
Na entrevista com Daniel Piza 'Meio século de um mito'.
Uma frase de Pelé diz tudo sobre o craque:
'Meu negócio nunca foi ficar equilibrando bola na nuca. Eu queria era fazer gols".
Antes que acusem Pelé de ataques pessoais, uma constatação.
Di Stefano, Cruijff, Eusébio e Puskas rezavam na mesma cartilha.
O que não impedia o show de acontecer!

criado por Roberto Vieira
09:01:41
O Atlético-MG completou 100 anos no mês passado.
É um clube de tradição e sorte. Muita sorte.
Pelo menos no jogo deste final de semana contra o Tupi.
Semifinal do estadual mineiro.
Ademilson, Gedeon e Silas cansaram de perder gols para o Tupi.
Como quem não faz, leva, Renan do Atlético foi lá aos 46' do segundo tempo e pimba!
De letra. Galo 1 x 0.
Hoje, o time-base do Atlético-MG é
Juninho
Gérson
Leandro Almeida
Marcos
Thiago Feltri
Rafael Miranda
Márcio Araújo
Renan
Danilinho
Eduardo (Renan Oliveira)
Marinho (Xaves)
O técnico é o nosso conhecido Geninho.
No último duelo Roberto Fernandes x Geninho, deu o alvirrubro: 2 x 0.
Porém, no Recife, três novidades.
O meia Petkovic, o atacante Castillo e Almir estão confirmados.
Do mesmo modo que o Timbu deve escalar Ruy.
Na história do confronto, desvantagem:
Em 27 jogos disputados, vencemos apenas 6 vezes.
Perdemos 17.
Duas das quais foram os jogos do ano passado.
Hora de mudar o jogo.
Hora de lembrar Lula Monstrinho.
Lula que aparece na foto silenciando o Mineirão em 1967.
.

criado por Roberto Vieira
06:59:37

FINAL DE 1948, DO BLOG SAUDADES DO RIO
POR ROBERTO VIEIRA
12 de dezembro de 1948.
O Vasco da Gama tinha um timaço. Base da seleção.
O Botafogo tinha um gênio: Nilton Santos.
Mas era um Nilton Santos noviço. No mais era Pirilo, Paraguaio e Geninho.
Quando o Vasco da Gama chegou nos seus vestiários em General Severiano, cal virgem.
Os jogadores tiveram que trocar de roupa no carro de um dirigente.
Um por um.
Quando o time ia entrar em campo sacudiram pó de mico nos vascaínos.
Barbosa passou o jogo se coçando.
No segundo gol estava coçando as costas quando a bola passou perto da sua cabeça.
Saiu do campo para uma emergência da antiga capital federal.
Eli e Danilo não se entendiam. Sonolentos. Culpa do café e da água servidos no intervalo?
As bolas foram entrando. Uma, duas, três vezes.
Quando o Vasco tentava atacar, o viralata Biriba entrava em campo para delírio de Carlito Rocha.
O Botafogo venceu o Expresso da Vitória por 3 x 1. Sagrou-se campeão carioca de 1948.
Sessenta anos depois, o jogo faz parte do folclore do futebol brasileiro. Folclore de um tempo em que o extra-campo existia de fato.
Embora, mais importante que o pó de mico, tenha sido o esquema tático revolucionário do técnico Zezé Moreira.
Um detalhe esquecido por quem prefere a lenda ao fato.
Hoje, a cal virgem voltou a fazer parte do futebol brasileiro.
De forma mais sofisticada. Na forma de gás pimenta.
Lamentável.
Pois quem paga o mico é o torcedor que ama o futebol bem jogado.

2008, GÁS MOSTARDA NO PALESTRA ITÁLIA

criado por Roberto Vieira
21:27:00