O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008, 22

22.04.08

AS CAMISAS DO BOCA JUNIORS

 

 

Pois é, aquela história do barco de bandeira sueca.

Mas o Boca nem sempre foi azul e amarelo.

Foi quase.

O primeiro uniforme era celeste.

Durou apenas três partidas.

               

Depois veio uma branca com listras azuis.

Foi quando o jovem Juan Brichetto observou da Ponte de la Boca um barco sueco.

Pronto? Quase.

A camisa ficou azul, mas a faixa amarela era diagonal.

Como a do rival River Plate.

Suprema heresia.

                    

 

Conversa daqui, conversa dali.

Bota a listra horizontal!

Estava criado o uniforme que conquistou o mundo.

Uniforme que a Nike tentou mudar em 1996.

Uniforme que voltou ao seu formato original em 2000.

Para alegria de la hinchada!

                                 

 

Hoje, o Boca precisa vencer o Union Maracaibo por cinco gols de diferença.

La Bombonera vai tremer!

 

PS: O Boca venceu por 3 x 0. Passou sufoco. Classificou-se pelo resultado do Atlas. Mas, cuidado! O Boca é o Boca...

 

FORMANDO EQUIPES VENCEDORAS

 

 

Por ROBERTO VIEIRA



A imagem que todos carregam de Carlos Alberto Parreira é a imagem do técnico pragmático e retranqueiro.

O técnico que traiu os princípios brasileiros do futebol-arte.

Um técnico que visa tão somente o resultado.

Tanto, que abandona a Africa do Sul dois anos antes da Copa do Mundo. Por receio de um fiasco.

Nada mais longe da verdade.

A imagem que eu trago de Carlos Alberto Parreira é a de um idealista.

Um homem muito a frente do seu tempo. Um impressionista, pra ficar nas aquarelas que ele tanto ama.

Pois Parreira, no seu silêncio secular, foi capaz de um gesto raro no mundo do futebol.

Formar com sua paixão uma equipe vencedora.

1999. O Fluminense mergulhava na sua maior crise. Relegado na terceira divisão do Brasileirão.

Muitos dos seus torcedores despiam o grená e abraçavam o rubro negro, a cruz de malta, a estrela solitária.

Parreira era o técnico tetracampeão do mundo em 1994.

Mas Parreira também era tricolor roxo. Como Chico Buarque, como Nelson Rodrigues...

E lá foi Carlos Alberto Parreira treinar seu amado tricolor pelas estradas desta vida sem fim. Num autêntico Bye Bye Brasil.

Antevéspera de Natal, 1999. Estádio dos Aflitos. Mil e poucos pagantes.

Eu fiquei observando aquele homem calmo, incapaz de um grito. Enquanto o Fluminense vencia o Náutico por 2 x 0. Dois gols de Roger no segundo tempo.

O Fluminense se sagrava campeão brasileiro da Série C.

Parreira estava tão feliz quanto em 1994.

O nosso mundo atual é um mundo repleto de números, gráficos, 2+2. Luvas, salários, multas contratuais.

Mas a imagem que eu trago de Carlos Alberto Parreira é a de um idealista.

Um homem que segue os caminhos da sua paixão.

Um impressionista.

PIMENTA NOS OLHOS DOS OUTROS...

 

POR ROBERTO VIEIRA

 

Agora, imaginem os meus nobres senhores. Apenas imaginem por um só instante. O São Paulo disputa uma vaga na final no Estádio Eládio de Barros Carvalho. Depois de uma guerra nos tribunais. Joga, não joga, joga.

A torcida do São Paulo chega nas catracas dos Aflitos e encontra os dizeres, em letras garrafais: "Entrada das Meninas"

Quando termina o primeiro tempo, com o placar de 1 x 0 para o Timbu, os jogadores do tricolor paulista sentam no gramado. Os vestiários estão com um forte cheiro de gás pimenta. Um cheiro que impede qualquer mortal de descer as escadarias e descansar no intervalo.

O Náutico faz o segundo gol no segundo tempo, e logo depois apagam-se as luzes do antigo estádio como por encanto. Durante dez minutos ninguém vê nada.

Quando o jogo se encerra, o Náutico está classificado para a final. Do lado de fora do campo, a torcida do São Paulo é agredida pela Polícia Militar de Pernambuco.

Se tais fatos houvessem ocorrido em Recife, o Náutico seria tachado de todos os adjetivos pejorativos contidos no Aurélio. Pernambuco seria considerado uma cidade imprópria para a prática do futebol durante os próximos vinte anos.

Mas tais fatos não ocorreram nos Aflitos.

Nem no Arruda. Nem na Ilha.

Aconteceram no civilizado Palestra Itália. Em São Paulo.

Ainda bem, meus senhores. Ainda bem!

O QUE A PONTE PRETA PODE ENSINAR AO NÁUTICO

 

          'Ponte Preta: um título para beneficiar até o rival'


Por ELIAS AREDES JUNIOR*

Retirado do Blog do Juca



Carros buzinando, camisas estampadas na frente das residências, esperança e alegria no ar.

Há muito tempo o futebol de Campinas não proporcionava tal alegria aos seus habitantes.

A classificação da Ponte Preta à final do Campeonato Paulista contra o Palmeiras é a coroação de um trabalho competente, calcado na contratação de jogadores ansiosos por um espaço no mundo do futebol, auxiliados por um treinador emergente (Sérgio Guedes) e profissionais calejados no mundo da bola, como o atual coordenador de futebol, José Luís Carbone.


Todos ficaram espantados com o futebol do goleiro Aranha na última vitória contra o Guaratinguetá por 2 a 1.

Defesas arrojadas e milagres na acepção da palavra.

Lógico, ao final da partida, os abraços e a festa da torcida foram em sua direção.

Mas também deveriam ser para Carlos Roberto Gallo, ex-goleiro do clube nas décadas de 1970 e 1980 que, com discrição e dedicação abraçou a função de treinador de goleiros.

Carlos, que jogou também no Corinthians e na Seleção Brasileira, titular na Copa de 1986, não dá entrevista ou aparece nos holofotes. O seu trabalho fala por si só.

Sérgio Guedes é outro integrante da banda competente da alvinegra.

Promovido as pressas aos profissionais após o fracasso na Série B do Brasileirão teve o mérito de montar uma equipe de maneira simples, sem invenções.

Detalhe: sempre com Carbone como seu braço direito.

O resultado apareceu em curto prazo.

Hoje, todo o Brasil fala da versatilidade de Elias, da habilidade de Renato e da eficiência dos atacantes Wanderley, Danilo Neco, Marcelo Soares e Luis Ricardo.

Atletas revelados pelas categorias de base ou que atuaram por muito tempo em campeonatos de divisões inferiores.

Basta dizer que Elias atuou pelo Juventus em 2007 e Renato desfiliou por um bom tempo suas virtudes na Ferroviária.

A Ponte Preta soube se antecipar aos oponentes, apostar nos jogadores e fazer história.

A chegada da Ponte Preta à final do Campeonato Paulista mostra que o interior paulista tem condição de assustar as potências e projetar novos craques.

Por que então tal modelo não é copiado pelos concorrentes caipiras?

Afinal, não se tem notícia de que a Ponte Preta está nadando em dinheiro. Muito pelo contrário.

Uma boa lição ao principal rival, que há anos convive com sucessivos rebaixamentos e equipes que mais envergonham do que trazem orgulho à cidade.

Pode parecer loucura, mas se fosse torcedor do Guarani torceria fervorosamente para que a Ponte Preta levantasse sua primeira taça.

Quem sabe tal fato motivasse os cartolas bugrinos a acordarem de uma vez e desencadear um trabalho focado na competência e na montagem de boas equipes e na revelação de bons jogadores para a saída da eterna crise financeira.

Seria uma bela atitude.

Assim, o campineiro voltaria a anunciar sua cidade como capital nacional do futebol.

*Elias Arede Junior é jornalista.


1976. O TEMPO DO MAIS OU MENOS (2)

 

                 

 

Abertura do campeonato estadual.

O Santa com Santos. Ponta esquerda da seleção brasileira juvenil.

O Náutico com Beliato, craque.

E com Luis Fernando e Miguel. Mais ou menos.

O resultado final foi um supercampeonato.

Onde chegamos na bacia das almas.

E perdemos, como sempre.