O BLOG DO ROBERTO

Futebol e História.

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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008, 27

27.04.08

RAPOSA CINCO GALO ZERO. E O TIMBU?

 

 

A grande pergunta é:

O que deve esperar o Náutico em BH nesta quarta-feira?

Qual o tamanho da crise que toma conta do galo a partir de hoje?

Porque perder de 5 x 0 em uma final não se vê todo dia...

Proponho uma hipótese.

E se fosse o contrário.

O Atlético viesse para Recife jogar com o Timbu.

Três dias depois do Timbu perder de 5 x 0 para o Sport.

(Deixa eu bater três vezes na madeira... Toc Toc Toc)

Os Aflitos estariam em pé de guerra.

Os jogadores iam querer dar uma resposta para a torcida.

E o Atlético ia chegar calado, trancado.

Esperando para dar o bote.

Pois é.

Quarta-feira o Mineirão não estará tão cheio.

O galo vai estar mordido.

Mas também estará grogue como um campeão peso pesado.

Se ele acertar um murro primeiro, a gente cai.

Mas se a gente souber lutar, em vez de simplesmente brigar, a gente sai de Minas com a classificação.

Futebol é gol, e inteligência.

Esquiva e jab.

Quarta é dia de cozinhar o galo.

Com jabs e inteligência.

NO FOGO, NO CRY!

 

                         ... NO BONDE DE SANTA TERESA

 

POR ROBERTO VIEIRA

 

Noite de domingo em Trenchtown, barzinho de Santa Teresa famoso pelo reggae na radiola de ficha e pelo rum cubano nas prateleiras.

Um botafoguense levanta da mesa e escolhe uma música de Marley.

No céu, a lua e uma estrela solitária.

Por uma estranha coincidência, um rubro negro mais pra lá do que pra cá, cantarola em cima da melodia:

"Bem que eu me lembro da gente sentado ali,

na grama do aterro sob o sol.

Amigos rubro negros, amigos repetindo assim, Maurício nunca mais!

Nas recordações, retratos de Garrincha e Paulo Valetim,

melhor é deixar pra trás...

No Fogo, no cry,

no Fogo, no cry!"

Os garçons em seus rastafaris esperam pelo pior. Jimmy, o dono, tira o retrato autografado por Pete Tosh da parede.

Some a coleção de long-plays do Wailers do balcão.

Mas, para espanto geral em tempos de Uzzi, o botafoguense sorri para o rubro negro, vai até a radiola e coloca o disco de novo pra tocar.

E com verve digna de Noel, cantarola em cima da melodia:

"Quentar o Rio, requentar Fogão, e ganhar de você,

espere, amanhã, serei campeão,

eu sei a barra de torcer,

mas se Deus quiser, domingo tudo vai dar pé

tudo tudo tudo vai dar pé...

No Fogo, no cry,

no fogo, no cry!'

Noite de domingo em Trenchtown, barzinho de Santa Teresa.

Um botafoguense levanta da mesa e vai conversar com um novo amigo. Rubro negro.

Ao som de 'Time will tell'.

GRANDES JOGOS: 1955, NÁUTICO 2 X 1 SEL. CARIOCA

 

           



Por Lucídio Oliveira


Na verdade, na verdade, tenho que aceitar e dizer: sou um cara velho. Aceito e assumo. Mas, copiando Antônio Maria, velho com orgulho e com saudade. Nada além. Sem choro nem vela.

Pois não é que eu estava lá?! Nos degraus da arquibancada do lado do sol, bem em frente às sociais do estádio da Ilha do Retiro. As gerais, como era chamado então o setor em questão, contavam apenas com um lance de degraus que não iam além de seis ou oito, não lembro bem. Foi em março de 1955, um pouco antes da reforma que fez subir a arquibancada e permitiu a construção das cabines de rádio, por muito tempo auditório do comentarista Jota Soares. Terminado o jogo, a gente ficava em pé, uma pequena multidão de loucos por futebol acompanhava o discurso do velho e entusiasmado Jota Soares. O jogo, que acabara há pouco, era todo ele contado passo a passo. No correr do comentário, historia e cinema. Ele era mestre num e no outro terreno. E estórias que recordava ou inventava na hora. O futebol pernambucano passado a limpo com amor e sobretudo com respeito. Entrava pela madrugada. Terminava invariavelmente sendo aplaudido pela galera. Eu, comedido, ali apenas por pura curiosidade, mas aplaudindo também, quem sabe por amor ao floclore. E também ao futebol, uma das coisas boas da vida.

O jogo no qual estava lá é o célebre Náutico x Seleção Carioca, domingo 6 de março de 1955, em boa hora lembrado por Roberto Vieira aqui no blog. Com direito a fotos da época.

Vitória do Náutico por 2x1, gols de Hamiltom e de Rubinho. Proeza admirável do campeão pernambucano. A derrotada seleção carioca era na pior das hipóteses metade da Seleção Brasileira. Tinha o zagueiro Pinheiro (campeão do Sul-Americano de 52 em Santiago do Chile, titular em 54 na Suíça), e os atacantes Ademir, artilheiro da Copa de 50, também titular em 52 no Chile, Garrincha, Vavá e Didi, que dispensam apresentação. Além de Pinga, campeão ao lado de Pinheiro e dos próprios Ademir e Didi no já citado Sul-Americano disputado à sombra da cordilheira dos Andes, primeira conquista internacional do Brasil no exterior.

E vejam vocês: nenhum jornal da terra deu manchete dizendo que o Náutico tinha vencido, “mas tinha levado um gol”, como agora já se faz... A vitória contra um grande adversário é sempre memorável. Não importa a vitória, folgada ou no sufoco, qualquer vitória. Ou não? Qualquer vitória vale infinitamente mais que os gols que o time tomou. Mas os tempos nos anos 50 eram outros. O futebol e sua crônica, também.

Um jornal do Rio, de vida curta, Campeão, deu o maior destaque ao amistoso. Dedicado aos esportes, saía somente às segundas. Título da manchete do jornal: “Proeza monumental do Náutico Capibaribe”. E no sub-título: “Vitória de fibra e coração dos nordestinos”. O Nordeste ainda não incomodava...

O time do Náutico contou com três jogadores que não faziam parte do seu elenco, coisa ainda possível naquele tempo: a dupla de zaga Cido e Antoninho, ambos do América. Estavam substituindo os insubstituíveis Caiçara e Lula, contundidos. O certame estadual tinha sido encerrado um mês antes. O Náutico ficara com o título de Campeão do Tricentenário da Restauração Pernambucana. Centenário, dele e dos outros, sempre foi com o Náutico... Todos os jogos dos timbus tiveram como palco a Ilha do Retiro, santuário do grande rival. Não era de admirar que Caiçara e Lula não estivessem em condições de jogo... O outro, o volante Claudionor, também do América, entrou no segundo tempo para compor a linha-média com a saída por cansaço de Jaminho.

Para os curiosos e os interessados na história do futebol, alguns comentários e informações tiradas do jornal carioca:

O time do Náutico: Manuelzinho, Cido e Antoninho; Gilberto, Gago e Jaminho (Claudionor); Jorginho, Hamilton, Ivson, Rubinho e Zeca. Treinador: Sílvio Pirilo. O time carioca: Hélio, Pinheiro e Edson; Mirim, Dequinha e Osvaldino; Garrinha, Rubens, Ademir (Índio), Didi (Vavá) e Nívio (Pinga). Treinador: Joaquim Francisco. O público, o jornal não informa. A renda: Cr$ 482.240,00.

Segundo Carlos Celso, a renda de Náutico x Sport na decisão do pernambucano, ocorrida no dia 13 de fevereiro, um mês antes do amistoso, tinha sido de Cr$ 274.450,00. Ingressos mais caros? Não sei. Só lembro que a Ilha estava lotada do mesmo jeito. A torcida timbu sabe da hora, não arreda o pé. Ainda hoje é assim.

O jornal Campeão registra ainda, encerrando a reportagem: “O quadro do Náutico apresentou um jogo de conjunto razoável. Destacaram-se o goleiro Manuelzinho, os médios Gilberto e Gago, e os dianteiros, Ivson, Rubinho e Hamilton. E acrescenta: Ademir ─ talvez pela emoção de jogar em sua terra e contra os seus conterrâneos ─ não realizou o esperado. Faltou dizer que jogava contra o time rival... E sobre Garrincha, diz que “não produziu tudo que sabe e pode”. Não fala de Jaminho, a quem coube conter Garrincha. Mas a entrada de Claudionor no meio-campo do Náutico, no lugar de Gilberto, indo este para o lugar do lateral nos derradeiros quinze minutos da partida, dão a media do trabalho que tivera Jaminho para anular Garrincha, uma das muitas razões da vitória do Náutico.

Do grande-pequenino Manuelzinho, pouco mais de um metro e sessenta de altura, o comentário de Campeão: “o arco de Manuelzinho só não caiu vária vezes devido ao próprio arqueiro com suas defesas eletrizantes”.

LEGENDA DA FOTO: O mitológico Manuelzinho ao lado de Ademir, o artilheiro da Copa de 50. Campeões pelo Sport em 1941. O encontro na Ilha do Retiro, uma década depois, março de 1955: Náutico 2x1 Seleção Carioca. Vitória do grande-pequenino Manuelzinho.