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Milagre? Uma boa conversa? Um puxão de orelhas? Excomunhão?
Não se sabe ao certo, mas o certo é que o jogador Reynaldo do Náutico está de volta ao clube. Reynaldo que cedeu aos encantos e conversas de um empresário que o raptou em Recife e o levou ao Rio de Janeiro com promessas de muitas moedas de prata.
Tudo depois de um bom pagode e de umas boas companhias femininas.
Reynaldo é um bom garoto, mas literalmente sucumbiu ao canto das sereias no começo do mês. Revelado nas categorias de base do alvirrubro, já estava atuando no time principal. Até que chegou o tal empresário, o tal pagode e as tais sereias.
A torcida do Timbu aguardou uma solução da justiça.
Qual não foi a surpresa quando foi informada que a justiça foi feita. Mas não a justiça dos homens, e sim a justiça divina.
Aquela que dizem que tarda, mas não falha.
Pois é. O padre Edgar dos Santos, que teve participação na educação de Reynaldo, foi até a cidade maravilhosa com o presidente do Náutico e convenceu o desertor a voltar pra casa.
A esquecer o pagode e as sereias.
Pelo menos, por enquanto.
Não se sabe ao certo se o reverendo utilizou de um milagre, de uma boa conversa ou de um puxão de orelhas. Quem sabe ameaçou o rapaz com a excomunhão?
Tanto faz. A ovelha desgarrada está de volta.
Cheia de fé, parte da torcida pediu ao santo padre para conversar com Acosta. Ver se o Náutico recebe algum dinheiro na transferência do uruguaio para o Corinthians.
Mas o padre Edgar foi taxativo desta vez.
Ele pode ser santo.
Mas não é Deus!
PS: Quando acabei de reler o texto chega a notícia que Jhon também voltou. Eita padre bom de papo!

criado por Roberto Vieira
14:36:32
BELIATO
Era uma vez um zagueiro que não dava chutão.
Ou melhor, dava. Mas ninguém percebia.
Não percebiam porque seu jogo era límpido, vertical. Poesia.
A bola procurava por ele o tempo todo causando ciúme nos atacantes.
Quando a pelota viajava pelo alto, invariavelmente era sua cabeça que ela encontrava, onisciente.
Uma questão de amor pra toda a vida.
O que nos outros era suor, entropia.
Em Beliato era simplicidade. Utopia.
Quem não viu, julga uma mentira deslavada.
Uma lenda.
Um ser mitológico perdido na Hélade dos Aflitos.
Para os que tiveram a sorte de assistir um dos seus jogos, silêncio.
Aquele silêncio que guarda as verdades mais verdadeiras.
Verdades que parecem mentiras aos restantes dos mortais...

criado por Roberto Vieira
13:54:27

A Alemanha se orgulha de Beethoven.
A Itália , de Verdi.
Pernambuco não inveja a Alemanha nem a Itália.
Porque Pernambuco se orgulha de Nelson e Capiba.
Sinônimos de música.
Os donos do frevo...

criado por Roberto Vieira
13:23:56
POR LUCÍDIO OLIVEIRA
Com a chegada de Tará aos Aflitos, em abril de 1943, o Náutico pôde reunir no seu time principal três irmãos para compor o trio atacante: Isaac, Tará e Orlando. Tará estava vindo do Santa Cruz, Isaac defendera o América no ano anterior. Orlando, pelo contrário, era prata da casa. Desde menino habituara-se a uma só camisa, a alvirrubra. Começara entre os garotos do infantil, destacando-se a seguir entre os juvenis, quando se sagrou campeão e se tornou ídolo nos Aflitos. Foi o grande xodó da torcida do Náutico na primeira metade dos anos 40.
A reunião dos irmãos Viana representa uma nova fase do Náutico. No ano anterior, Fernando Carvalheira havia se despedido dos gramados. Era o último dos Carvalheira a abandonar o futebol. Artur, Emídio e Zezé tinham parado antes.
Assim como os Carvalheira, os irmãos Viana também formavam um quarteto. Além do trio atacante, tinha mais um Viana, de nome Gérson, que jogava no ataque. Era dos aspirantes, uma espécie de time reserva que disputava um campeonato à parte, fazendo os jogos da preliminar.
E se os Carvalheira, em uma oportunidade chegaram a jogar juntos uma partida de campeonato, em 1937, um pouco antes da despedida de Artur, os irmãos Viana também estiveram reunidos numa mesma linha de ataque em um jogo oficial do Náutico. Aconteceu em maio de 1944, jogo contra o América na Ilha do Retiro.
A primeira partida de campeonato que os Viana jogaram juntos foi contra o Flamengo,dia 8 de abril de 1943. Estréia oficial de Tará no time alvirrubro, um noturno realizado nos Aflitos. Esse jogo tem uma outra curiosidade histórica. No setor de defesa do time, dois irmãos também se faziam presentes. Um deles era o centro-médio, o outro ocupava a lateral-direita.
Eram conhecidos como os irmãos Periquito, nome de família. Periquito I e Periquito II, seguindo o modelo daquele tempo para diferenciar jogadores com o mesmo nome. No registro civil, Aloísio e Délcio Periquito.
E para os curiosos, a escalação do Náutico no dia daquele jogo historio, estréia de Tará, quase a metade do time formado por dois grupos de irmãos: Vicente, Periquito I e Mário Ramos; Edvaldo, Periquito II e Jorge; Plínio. Isaac, Tará, Orlando e Celso.
Mais curiosidades: os gols foram marcados por Tará (3), Celso (3), Mário Ramos (1) e Orlando (1). Tará fez seus últimos dois gols quando faltavam apenas três minutos para o término da partida. Coisa assim no melhor estilo Pelé.
Na foto que ilustra a matéria, Aloísio e Délcio têm o goleiro Vicente entre os dois a separa-los. Agachados, na fila de baixo, e bem à frente dos dois irmãos Periquito, o trio atacante Isaac, Tará e Orlando, os irmãos Viana.
O Náutico sempre foi uma grande família.

O NÁUTICO DOS VIANA E DOS PERIQUITOS

criado por Roberto Vieira
00:00:11

O segundo jogo do Náutico no campeonato de 1943.
O adversário, o América.
Mas o dia 18 de abril era o dia seguinte ao da morte de Zezé Carvalheira.
Lendário ponta-direita alvirrubro.
Em sua homenagem, o Náutico jogou de tarja preta.
Antes da partida, um minuto de silêncio.
O Náutico vence por 3x2.
Na foto cedida por Lucídio Oliveira, a história.
Os irmãos Issac, Tará e Orlando com a tarja preta na camisa.
Era a sua segunda partida oficial com o manto de Rosa e Silva.
Antes houvera um amistoso disputado em Maceió. E o 8x0 sobre o Flamengo-PE na abertura do estadual.
Os Carvalheira se despediam.
Chegava a vez dos irmãos Viana.

criado por Roberto Vieira
14:07:29