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Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA
A estrela do jogo Náutico 9x1 Gentilândia foi sem dúvida Ivson. O artilheiro estava em estado de graça. Vivia as vésperas de sua ida para Portugal. Além dos quatro gols, as jogadas e os passes com açúcar e com afeto para o companheiro Benítez também luzir. Ivson dispensa comentários. Ivson era Ivson. E pronto, acabou. Benitez, pelo contrário. Hoje, pouco lembrado, precisa dizer ao leitor de quem se trata. Apresentar ao torcedor jovem a fera que foi Benítez. É o que vou fazer, agora.
Meia ponta-de-lança pela esquerda, paraguaio de origem, tinha sido artilheiro carioca em 53 (22 gols), tricampeão pelo Flamengo (52-53-54). Estrela da seleção paraguaia no Sul-Americano de 1949, do time do goleiro García e do ponteiro Parodi. Um time que deu um susto danado no Brasil. Num São Januário lotado de gente para a festa do título, quem fez a festa foi Benítez... Paraguai 2x1, um gol de Benítez. Brasileiros e paraguaios tiveram então que jogar uma extra. A verdade do futebol pôde por fim ser restabelecida: Brasil 7x0. A Canarinha, que ainda não vestia amarelo, era bem superior aos guaranis. De uniforme todo branco, azul somente na gola e na borda da manga. Ademir fez três gols, Tesourinha, dois, e Jair, artilheiro do torneio, também dois.
Apresentado Benítez, vamos ao que interessa. O que fez Benítez nos Aflitos? Trinta e três gols com a camisa alvirrubra num número um pouco maior de jogos. Uma boa média, de quase um gol por partida. Mas não foi campeão... Isso é fatal para um artilheiro. Terminou caindo fora, abrindo a vaga para Edmur, este sim, ainda que também sem títulos na sua passagem pelo Náutico, um atacante que ainda hoje tem fã-clube entre os timbus. Mais presença de área, mais juventude, e mais categoria.
De todo modo, Benitez também brilhou. Inúmeros jogos ao lado de Ivson, tardes de puro encanto para a torcida alvirrubra. E, para marcar a parceria, o privilégio de estar ao lado do grande artilheiro na tal goleada histórica em cima do campeão cearense. Não é todo dia que se vence de lavagem o campeão do Ceará! Uma goleada que ficou registrada para a posteridade através da manchete do Diário de Noite em sua edição da segunda-feira, 20 de maio de 1957: DOM RICARDO MANDOU PARAR!
O “Dom Ricardo” da manchete, reportagem com a assinatura de Aramís Trindade – só podia ser ele! -, era o velho cigano Ricardo Diez, treinador uruguaio que fez pouso em nossa terra em 1941. Foi campeão pelo Sport. Ganhou o campeonato e foi embora de volta. Para retornar mais adiante, voltando sempre a Pernambuco. Para treinar o Náutico em duas oportunidades, o Sport ainda mais uma vez, o Santa Cruz também, vivendo seus derradeiros dias de treinador, doente e cansado de guerra, como técnico do Central. Pernambuco era sua terra prometida.
A ordem do velho treinador, os cabelos cor de prata chamando a atenção à beira do gramado, foi dada assim que o Náutico fez o nono gol. O autor do gol? Benítez, jogada de Ivson. E o jogo não estava chegando ao fim. Restava ainda um bom tempo para acabar. Tinha até vaga para mais.
A foto da manchete do saudoso Diário da Noite diz tudo.
Em tempo.
O amigo Antônio Portela, jornalista dos bons, um timbu sarado, manda-me o recado:
"Que bom você lembrar Jorge Duilio Benítez Candia, de tantos gols lindos com a camisa do Náutico!"
Com o futebol que tinha, com os gols que fazia e com a nobreza do nome, Dom Benítez não era mesmo para ser esquecido.
Ainda que seja tempo do Galo.
criado por Roberto Vieira
13:26:24