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... NO BONDE DE SANTA TERESA
POR ROBERTO VIEIRA
Noite de domingo em Trenchtown, barzinho de Santa Teresa famoso pelo reggae na radiola de ficha e pelo rum cubano nas prateleiras.
Um botafoguense levanta da mesa e escolhe uma música de Marley.
No céu, a lua e uma estrela solitária.
Por uma estranha coincidência, um rubro negro mais pra lá do que pra cá, cantarola em cima da melodia:
"Bem que eu me lembro da gente sentado ali,
na grama do aterro sob o sol.
Amigos rubro negros, amigos repetindo assim, Maurício nunca mais!
Nas recordações, retratos de Garrincha e Paulo Valetim,
melhor é deixar pra trás...
No Fogo, no cry,
no Fogo, no cry!"
Os garçons em seus rastafaris esperam pelo pior. Jimmy, o dono, tira o retrato autografado por Pete Tosh da parede.
Some a coleção de long-plays do Wailers do balcão.
Mas, para espanto geral em tempos de Uzzi, o botafoguense sorri para o rubro negro, vai até a radiola e coloca o disco de novo pra tocar.
E com verve digna de Noel, cantarola em cima da melodia:
"Quentar o Rio, requentar Fogão, e ganhar de você,
espere, amanhã, serei campeão,
eu sei a barra de torcer,
mas se Deus quiser, domingo tudo vai dar pé
tudo tudo tudo vai dar pé...
No Fogo, no cry,
no fogo, no cry!'
Noite de domingo em Trenchtown, barzinho de Santa Teresa.
Um botafoguense levanta da mesa e vai conversar com um novo amigo. Rubro negro.
Ao som de 'Time will tell'.
criado por Roberto Vieira
19:47:49