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O futebol sofre o risco de se tornar um jogo pragmático.
Muitos criticam a atitude do jogador Souza que imitou o choro de uma criança ao marcar um gol contra o Cienciano.
O técnico botafoguense Cuca lembrou: “O Botafogo também é grande!”.
Esquecido dos gritos de urubu na década de 60 que a torcida alvinegra usava contra os rivais.
Pois bem. O genial Henfil pegou a deixa e criou o Urubu símbolo da torcida do Flamengo.
O que era expressão racista tornou-se símbolo.
Claro que um Henfil não anda por aí dando sopa.
Mas gozação é que nem apelido. Quanto mais reclama mais vira certidão de batismo.
Não adianta reclamar na sala do diretor da escola.
O texto não é uma defesa do Flamengo. Nem defesa da atitude do jogador Souza.
Mas tais atitudes se resolvem dentro das quatro linhas. Jogando bola. Fazendo gol.
Já proibiram as comemorações fora do gramado nos momentos de gol.
Pelé e sua trupe de 70 levariam cartão amarelo a torto e a direito.
Drible da foca não pode. Imitar um porco dá cadeia. Mensagem na camisa é contravenção.
No máximo dá pra fazer o sinal da cruz e erguer as mãos para o céu.
Tudo burocrático. Inglês.
Souza está na dele. É o choro dos vencedores.
Resta ao Botafogo ficar calado, senão o apelido pega.
Na próxima partida tentem fazer a torcida do Flamengo chorar de verdade.
A vitória vale mais do que mil palavras. Ou lágrimas.
criado por Roberto Vieira
14:30:39